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Old School #2 : Akira

com 10 comentários

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Se na atualidade o mangá está mundialmente firmado como uma grande mídia do entretenimento, estejam certos de que nem sempre foi assim. Desde as historinhas do Astroboy até os fenômenos cult como Blade of the Immortal e Evangelion, os quadrinhos japoneses percorreram um grande caminho. Um dos grandes responsáveis pelo sucesso dessa trajetória foi o artista Katsuhiro Otomo, ninguém menos que o pai de Akira. E já que a história do mangá no mundo está dividida entre o pré e o pós-Akira, nada mais justo do que falar essa obra-prima, cuja publicação mais tarde rendeu um dos melhores longas-metragens da animação.

Editado no Japão pela revista Young Magazine, durante o período de 1982 até 1990, Akira foi o projeto mais ambicioso de Katsuhiro Otomo. O mangá tomou muito fôlego quando um outro quadrinho de sua autoria, Domu, foi transformado em romance e ganhou o Grand Prix of 1983 for best Sci-Fi Novel. Akira foi trazido para o Ocidente pela Epic Comics (subsidiária da gigante Marvel), que coloriu e espelhou o mangá para garantir que ele tivesse lugar no mercado norte-americano. O início da publicação na gringa se deu em 1988, pouco mais de um ano antes do lançamento do longa metragem nos cinemas, mas devido a uma série de problemas teve sua regularidade perturbada e só terminou em 1995. Cinco anos mais tarde a Dark Horse lançou toda a série em seis volumes preto e branco.

No Brasil, Akira passou a ser publicado pela Editora Globo em 1990 e também teve os mesmo problemas da edição norte-amercicana – já que dependia dos originais coloridos. Para desespero geral da galera, a Globo terminou a publicação apenas em 1997. Hoje, ainda é possível achar as edições encadernadas em sebos, com preços que variam entre R$ 50 e R$ 200!

Akira passa em um futuro distópico com um clima bem próximo do retratado nos então recentes Neuromancer e Blade Runner mas com um foco bastante diferente, como se vê no desenrolar da história. Nesse mundo Tokyo foi destruída em 1992 por uma misteriosa explosão de proporções nucleares, que acabou se desdobrando na III Guerra Mundial. A guerra acabou, trinta e oito anos se passaram, o mundo se reergueu e agora, onde antes haviam ruínas, o Japão construiu sua nova capital: Neo-Tokyo.

Tudo começa durante um racha de motocicleta nas ruínas da antiga Tokyo, levado a diante por uma gangue de motoqueiros juvenis e irresponsáveis. Kaneda, o líder do grupo, é desafiado por Tetsuo, seu amigo de infância, mas durante um certo momento da corrida um fato inexplicável acontece: uma estranha criança surge no meio da pista, bem na frente de Tetsuo. Antes mesmo de tentar desviar, ele tem sua motocicleta explodida em pedaços e fica severamente ferido. Quando seus amigo vêm socorrê-lo, acabam notando que a criança tem um aspecto que lembra bastante um idoso e que em sua mão direita está gravado o número 26. Mas antes que possam fazer qualquer pergunta ela desaparece como um fantasma!

Kaneda, Tetsuo, Yamagata e outros vagabundos em um momento de descontração.

Após esse episódio insólito Kaneda, Tetsuo, Yamagata e Kaisume (os últimos também membros da gangue) se vêem envolvidos em uma trama que envolve o exército, altos escalões do governo, poderes psíquicos e parece estar conectada com a misteriosa explosão que devastou Tokyo anos atrás. Daí em diante, o roteiro que se desenvolve nas absurdas 1800 páginas de Akira introduz novos personagens, tramas e subtramas, que vão construindo uma ótima história. Além de mestre no traço, Katsuhiro Otomo se mostra como um roteirista competente.

Muitos do que consideramos serem traços da cultura japonesa são retratados em Akira. Kaneda e seu bando são autênticos representantes das bosozoku: gangues de jovens interessados em modificações ilegais em carros e motos que ocasionalmente promovem vandalismo e combates nas ruas. A falta de perspectiva e as pressões que sofrem da sociedade também expressam uma rigidez antiga que persiste no Japão moderno. O tema da evolução, do alcance de um estado de graça, é recorrente ao se tratar dos poderes psíquicos e remete claramente ao Budismo. Além disso Akira foi escrito na década de 80, quando o Japão era sinônimo de modernidade e o retrato da tecnologia avançada no mangá deixa clara essa referência. Além disso, pode-se dizer que Otomo segue o melhor da crueza dos quadrinhos japoneses, não poupando sangue nem personagens. Se você quiser ler, é melhor preparar o estômago.

Nem todo mundo tem final feliz…

Correm boatos que Akira será relançado no Brasil – em preto e branco e formato mangá – pela Editora JBC. Se isso for verdade tratem de comemorar, porque finalmente quem perdeu a edição da Globo vai poder acompanhar essa belezinha.

Escrito por Barba

setembro 19, 2006 às 2:28

Publicado em nerdice, old school, pop as fuck

10 Respostas

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  1. Lindeza de barbudo… agora vc brilhou, akira é lindo… e vc nem falou de Ghost in the shel, que influenciou tantos outros mangás como Akira.

    [modo invejinha ON]
    Eu tenho a edição da Dark Horse, em 6 volumes, P&B…

    quer ler? Vai lá em casa, pq lá de casa Akira não sai. (;

    [modo invejinha OFF]

    O convite tá feito, + tem que lavar as mãos com sabão, enxugar direitim, não pode comer chips e nem beber coca-cola perto das revistas… garanto que não se arrependerá. (;

    muáque!

    V.

    setembro 18, 2006 em 19:48

  2. Ghost in the Shell fica pra uma outra oportunidade, já que além de ser da década de 90, tem muitos autos e baixos :) Ei , não sei se você lembra, mas eu tenho as edições da Globo, viu? : D

    Barba

    setembro 18, 2006 em 19:51

  3. Vc completou a coleção dos 60 volumes?

    Cada volume (dos 6 da DH) é um chute no saco, nussa, é história d+ num livro só… e qdo vc começa a ler, não tem como parar.. é tipo um frenesi. ((;

    V.

    setembro 18, 2006 em 19:55

  4. Nah, tenho as encardenções. Na verdade só duas, mas se eu vender posso comprar a coleção da Dark Horse hahaha

    Barba

    setembro 18, 2006 em 19:58

  5. US$25 cada livro. (;

    V.

    setembro 18, 2006 em 20:09

  6. “cebo” bão é com S?

    dc=

    Rogério

    setembro 25, 2006 em 15:26

  7. putz, algum esperto me corrigiu uma vez dizendo que livraria de usados era “cebo” e não “sebo” (que seria a secreção mesmo). dando uma olhadinha no DEUS-Google, vejo que cometi um erro grosseiro acreditando niss :/

    Barba

    setembro 28, 2006 em 17:31

  8. perai, mas o akira saiu NO BRASIL, depois da publicação normal, em quantos volumões?

    Daniel

    novembro 26, 2006 em 18:03

  9. [...] a começar pelo título, o filme foi obviamente influenciado por Akira. Posted by Barba Filed in cinema Tags: gore, Japão, Testuo: The Iron [...]

  10. [...] School #1 : Cadillacs & Dinosaurs Old School #2 : Akira Fighting Fantasy Posted by Barba Filed in nerdice, old school, tecnofagia Tags: MMORPG, MUD, [...]


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