Savoir-Faire

R$1,99

Eu: Pé Rapado

com 9 comentários

Um mês sem receber bolsa. Isso significa uma facada magistral nas minhas finanças pessoais. Mas, a quem eu quero enganar? A conclusão é óbvia: eu sou um pé rapado. Mas um pé rapado com estilo. Embora ninguém ache legal ficar sem dinheiro, sei que são essas horas de aperto da minha vida que as coisas mais importantes e decisivas acontecem.

Então, o que restou fazer nesse início de ano foi ser estiloso e esperar pelo melhor. Deus (ex-machina) jogou os dados e tirei um número muito ruim, porque meu computador queimou do jeito mais ridículo do mundo e a CEMIG soube ser %@!*# o suficiente e negar que havia sido culpa dela – deve ser porque eles não têm obrigação de aterrar a rede elétrica para evitar esses tipos de acidentes, né? Então eu me fudi.

Meus pais resolveram pagar parte do prejuízo, então era eu tinha um problema a menos. Só que a loucura de verdade começou quando uma amiga me procurou, lembrando que íamos ser padrinhos de casamento. A despeito da puta honra que isso envolvia, eu ia me ferrar tendo que dar presente, viajar, alugar terno (pé rapado que se preze não vai ter um!) e tudo mais.

Aí num dia quente que nem o diabo, me junto a ela numa peregrinação em busca do necessário. Primeiro dou uma olhada na lista de presentes que está na internet. Nada bom e barato e tem que ser alguma coisa que preste. Presente ruim de padrinho é sacanagem. Daí, quando desço pra uma loja de presentes meu queixo falta cair… tudo custando os olhos da cara.

Me vem aquela vendedora que já te olha de cima pra baixo, percebendo que você é um falido em potencial e notando que pode te deixar mais “à vontade”, porque eventualmente você vai ver que aquele lugar é classe e não comporta ralé como você. O mais impressionante é que, afora o preço espetacular, não pude julgar o que os produtos da loja possuíam de diferente. Às vezes você compra o valor mais do que a coisa em si, é engraçado. E se ainda fossem coisas úteis, mas não: “conjuntinho de comida japonesa por apenas R$ 189,99″.

O jeito era ir correr atrás de outra coisa. Um presente que constasse na lista, valesse alguma coisa e não custasse os olhos da cara. Mas o quê? Ah sim, a boa e velha panela de pressão – sem a qual a humanidade estaria gastando o quádruplo de combustível para cozinhar qualquer tipo de grão.

Nas Lojas Americanas a panela custava uns 110 conto. Nah, não tive dúvidas. Catei a moça pelo braço e descemos até o centrão, pra uma daquelas lojas de utilidades domésticas, onde barganhamos por um desconto esperto. De presente em mãos ainda faltava descolar o terno. Mesmo com todas os estabelecimentos respeitáveis de aluguel de roupas eu fui direto no mais popular da categoria, mais pra baixo do centro ainda. Desembolsei mais dinheiro por lá.

Descolei um cinza, riscadão de giz – barato, sem corte elegante, mas lindíssimo. Mas a camisa que me entregaram, como fui descobrir depois, estava sem dois botões e parecia ter sido mastigada por um elefante. Os sapatos eram horríveis e desgastados, por sorte eu tinha um par melhor em casa.

Me despedi da minha amiga. No caminho de volta senti fome. Só tinha dinheiro pro ônibus e uns trocados. Comprei um pastel de palmito. Assim que eu dei uma mordida, esguichou seu recheio gorduroso na minha camiseta preferida… Pra completar o dia, deu vontade de fumar e acabei comprando um Derby picado de um vendedor de rua. Logo na primeira tragada senti um gosto de sabonete. Joguei o cigarro fora. Miserável, mas livre.

Escrito por Barba

fevereiro 10, 2007 às 21:29

Publicado em ego

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9 Respostas

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  1. hahaha muito bom barbi! me diverti com a sua desgraça :P

    rubia

    fevereiro 11, 2007 em 18:33

  2. Ah Rúbia, obrigado pela parte que me toca :)

    Barba

    fevereiro 12, 2007 em 2:01

  3. Muito bom gosto o terno riscadão… (;

    Ser padrinho deve ser uma merda, presente bom é muito caro… rsrsrs…

    + e ai, vai voltar a receber a bolsa? Espero que sim né… daí vai poder ir ao casamento um pouco menos preocupado. (;

    V.

    fevereiro 12, 2007 em 11:25

  4. isso mesmo, tem q ser pe rapado com pose e com orgulho hehehe

    igbarros

    fevereiro 12, 2007 em 15:29

  5. ver a sua foto me lembra eu mesma, vista do mesmo ângulo. a diferença é a cor do tênis. =P
    ler a sua desgraça me faz pensar que alguém passou um dia pior que o meu.
    neh, não sei se isso é bom.
    ser padrinho de casamento sux. mas vc vai ser do meu também, então pode preparar de novo, heuaheuaheua.
    mas meu casamento vai ser mais legal, prometo. =)

    Julia

    fevereiro 13, 2007 em 14:06

  6. puts. (hehe eu tbm me diverti com sua tragicomédia) o comentário que eu ouvi foi meio assim “pois é, se formou né?”…
    heheheaheaha foda cara, depois a gente toma um conhaque (ou melhor, um run!) aí por minha conta.

    felipe

    fevereiro 13, 2007 em 19:12

  7. Ah, esse foi só um momento de pobreza financeira e bom humor. Estou de volta à bolsa (o que só me faz MENOS pobre) e o casamento foi excelente.

    Juju, pra você e pro Ig rola da galera fazer uma vaquinha e arrumar um Nintenho Wii ou PS3. É enchoval de casamento completo, não? Claro que você e seu marido vão perder as almas pra Satã, mas vão ficar unidos pelos fios dos controles haha

    Barba

    fevereiro 14, 2007 em 1:12

  8. Eu, pé rapada também, estou passando por uma situação parecida. O que dar de presente para uma amiga de infância quando não se tem um tostão?
    Bom, assim como você, vou ter que dar um jeito!
    Obrigada pela visita no nosso blog e volte sempre!

    Gisele

    fevereiro 24, 2007 em 15:35

  9. Roubar um banco sempre é uma opção, não? ;)

    Barba

    fevereiro 24, 2007 em 15:54


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