Savoir-Faire

R$1,99

Piores Poemas #4

com 5 comentários

Quando fez 15
Mamãe deu uma festa

Quando fez 18
Papai deu um carro

Quando formou
Lhe deram um apartamento

Quando casou
Pagaram uma viagem

Olhando daqui de longe
Vejo ela encher a boca pra dizer
“Tem mesmo é que mandar matar esses vagabundos”
Olhando pra um mendigo
Um bêbado de olhar perdido

É só um par de peitos siliconados
Cabelo bem cuidado
Cara esticada
Dois filhos adolescentes
Sustentada pelo marido
Dignidade comprada
Com o limite do cartão de crédito.

Escrito por Barba

fevereiro 16, 2007 às 2:50

Publicado em piores poemas

5 Respostas

Assinar os comentários com RSS.

  1. Não gosto dos poemas revoltados contra a classe média.

    O problema não é sentimento, que é a nossa cara mesmo, mas o caminho mesmo, escreve tão bem, faz melhor que isso, pô!

    Garrell

    fevereiro 16, 2007 em 20:26

  2. Bem, isso não é um poema contra a classe média, mas contra uma alienação bizarra. Muitas vezes escuto pérolas desse tipo que me reservam um desprezo, especialmente quando são pessoas que podem pensar um pouco além.

    Eu escrevo sobre isso porque faz parte do que eu vivo, não porque qualquer tipo de revolta. Até porque todo mundo tem um pouco de dona siliconada e mimada dentro de si… e isso é uma grande merda. É o alimento da distância que separa esses dois mundos que ajudamos a construir.

    E não falo isso com demagogia, já que não é uma questão de ser melhor ou pior, mas botar pra fora. Então escrevo :)

    Barba

    fevereiro 17, 2007 em 1:57

  3. Inspire-se nos mestres:

    “O mundo me condena
    E ninguém tem pena
    Falando sempre mal do meu nome
    Deixando de saber
    Se eu vou morrer de sede
    Ou se vou morrer de fome.

    Mas a filosofia
    Hoje me auxilia
    A viver indiferente assim.
    Nesta prontidão sem fim
    Vou fingindo que sou rico
    Para ninguém zombar de mim.

    Não me incomodo
    Que você me diga
    Que a sociedade
    É minha inimiga.
    Pois cantando neste mundo
    Vivo escravo do meu samba
    Muito embora vagabundo.

    Quanto a você
    Da aristocracia
    Que tem dinheiro
    Mas não compra alegria
    Há de viver eternamente
    Sendo escrava desta gente
    Que cultiva hipocrisia.”

    A composição é do Noel Rosa.

    Fuu

    fevereiro 18, 2007 em 17:22

  4. É fato que eu curto mais as histórias sci-fi:) Então, li os dois Blacksad. Lindo né?!
    Tô com dois livros do Ferrez aqui, quer?

    Garrell

    fevereiro 24, 2007 em 3:13

  5. Ok :) Blacksad não é somente lindo, é quase perfeito! Quero os livros sim cara.

    Barba

    fevereiro 24, 2007 em 15:52


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Gravatar
WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.