Piores Poemas #4
Quando fez 15
Mamãe deu uma festa
Quando fez 18
Papai deu um carro
Quando formou
Lhe deram um apartamento
Quando casou
Pagaram uma viagem
Olhando daqui de longe
Vejo ela encher a boca pra dizer
“Tem mesmo é que mandar matar esses vagabundos”
Olhando pra um mendigo
Um bêbado de olhar perdido
É só um par de peitos siliconados
Cabelo bem cuidado
Cara esticada
Dois filhos adolescentes
Sustentada pelo marido
Dignidade comprada
Com o limite do cartão de crédito.


Não gosto dos poemas revoltados contra a classe média.
O problema não é sentimento, que é a nossa cara mesmo, mas o caminho mesmo, escreve tão bem, faz melhor que isso, pô!
Garrell
fevereiro 16, 2007 em 20:26
Bem, isso não é um poema contra a classe média, mas contra uma alienação bizarra. Muitas vezes escuto pérolas desse tipo que me reservam um desprezo, especialmente quando são pessoas que podem pensar um pouco além.
Eu escrevo sobre isso porque faz parte do que eu vivo, não porque qualquer tipo de revolta. Até porque todo mundo tem um pouco de dona siliconada e mimada dentro de si… e isso é uma grande merda. É o alimento da distância que separa esses dois mundos que ajudamos a construir.
E não falo isso com demagogia, já que não é uma questão de ser melhor ou pior, mas botar pra fora. Então escrevo :)
Barba
fevereiro 17, 2007 em 1:57
Inspire-se nos mestres:
“O mundo me condena
E ninguém tem pena
Falando sempre mal do meu nome
Deixando de saber
Se eu vou morrer de sede
Ou se vou morrer de fome.
Mas a filosofia
Hoje me auxilia
A viver indiferente assim.
Nesta prontidão sem fim
Vou fingindo que sou rico
Para ninguém zombar de mim.
Não me incomodo
Que você me diga
Que a sociedade
É minha inimiga.
Pois cantando neste mundo
Vivo escravo do meu samba
Muito embora vagabundo.
Quanto a você
Da aristocracia
Que tem dinheiro
Mas não compra alegria
Há de viver eternamente
Sendo escrava desta gente
Que cultiva hipocrisia.”
A composição é do Noel Rosa.
Fuu
fevereiro 18, 2007 em 17:22
É fato que eu curto mais as histórias sci-fi:) Então, li os dois Blacksad. Lindo né?!
Tô com dois livros do Ferrez aqui, quer?
Garrell
fevereiro 24, 2007 em 3:13
Ok :) Blacksad não é somente lindo, é quase perfeito! Quero os livros sim cara.
Barba
fevereiro 24, 2007 em 15:52