Savoir-Faire

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com 2 comentários

Pelo menos conseguiram tirar os “olhinhos tristes” do Nicholas Cage.

“É um pouco complicado dizer que Sin City agradou pouca gente se ele foi um sucesso de bilheteria. Acho que você quis dizer que houve uma grande rejeição ao filme, não é? Porque quem gostou, gostou. O resto simplesmente odiou! Eu nem acho que isso seja muito pelo formato do filme (tão fiel às HQs que cada quadrinho virou uma cena na montagem final) mas devido à temática de violência. Meio parecido com o que o público enxergou em Pulp Fiction.A questão é que, como V e ao contrário de Pulp Fiction, Sin City foi lançado em grandes salas de cinema como “filme baseado em história em quadrinhos” e na verdade não foi feito para grandes salas. Pra começar muita gente não entendeu porque o filme é em preto e branco, ou porque o Marv e os outros durões matam centenas e tomam vários tiros antes de cair, etc.

Com V rolou uma “suavizada” muito grande no clima e na ideologia. Porque o quadrinho dá um tom opressor em uma época despótica, no melhor estilo de 1984. O misterioso terrorista V é, por ironia, a única pessoa que parece ser sensata, uma fagulha de esperança. V no quadrinho é uma idéia justamente porque ele não é uma pessoa em hora alguma: tanto é que o processo de prender a Evey parece quase uma tentativa de transformar a garota nele. É um personagem soturno, infinitamente misterioso e, acima de tudo, inexplicável. V nunca fala em nações, países, etc… Na Graphic Novel ele é claramente um anarquista e tem uma mensagem bem menos picareta também. Isso tudo foi suavizado no filme, que foi transformado em algo para a opinião do grande público.

Em se tratando de um filme sobre terroristas justamente na nossa era da histeria, posso dizer que foi um bom trabalho. O problema é que, várias mudanças não me pareceram propriamente adequadas ao roteiro. A história no final me deu um ar “mal resolvido” de Matrix Revolutions (filmezinho horrível por sinal). Mas o que realmente me incomodou foram as cenas de ação – especialmente aquela a lá bullet time no final… desnecessárias à trama e completamente “hollywoodianas”.

Aliás, a ausência daquele clima pesado londrino, de chuva, smog e construções antigas foi substituído por um futuro meio “iluminado” demais.

Claro, todas essas são só opiniões, do tipo “eu faria assim”. Mas o que acontece com V e outras adaptações (especialmente a tenebrosa Liga Extraordinária) é que elas caem nas mãos de diretores numa época me que a grande indústria do cinema está claramente escassa de bons roteiros. A onda é adaptar filmes produzidos em outros países (como os filme de terror japoneses) e especialmente quadrinhos. De cinco anos pra cá a indústria do cinema parece seguir essa tendência. O problema com isso é que grandes obras (como V e Liga Extraordinária) não recebem o devido tratamento.

Filmes baseados em quadrinhos precisam ser IDÊNTICOS ao original? Não, e os excelentes filme dos X-Men são a prova de que é possível fazer algo bem feito nessa área. Mas os X-Men são os super-heróis clássicos, e cabem dentro de um filme de super-heróis clássicos. A Liga Extraordinária é um quadrinho cheio de referências e ironias, que daria um ótimo filme, mas não uma historinha de ação boba como foi adaptada ao cinema.

O mesmo ocorre com V. A história não ficou ruim em si, mas foi propositalmente e mastigada pra todo mundo digerir. Valeu à pena? Talvez… Não achei pouco ousada a crítica à doutrina Bush, especialmente aquela que ficou nas entrelinhas. Para o público médio americano, ver um filme onde o terrorista é o herói e o Estado criou seus próprios fantasmas para se tornar totalitário poder ser chocante.

Agora quando eu me lembro de um quadrinho que li a 6 anos atrás e me fez pensar muito e lembro do que vi na sala de cinema, me considero no direito de lamentar.”

O texto é velho, foi publicado em outro lugar. Mas continua sendo mais verdade do que nunca. Hollywood ainda está carente de roteiros, então nem tentem assistir O Motoqueiro Fantasma – tenho certeza que é uma merda, mesmo sem ter visto.Por que X-Men e Batman são um filmes razoáveis baseados em quadrinhos ao passo que Xmen 2 é bom? Por que Liga Extraordinária é ridículo? Qualquer que seja a resposta os produtores não estão interessados em saber. Preferem continuar fazendo filmes ruins, atraindo multidões de incautos leitores da obra original pro cinema, outros tantos interessados em ver qualquer filme na quarta-feira ou no domingo. Filmezinhos pra sessão da tarde.

São da galera que continua achando que quadrinhos são entreitenimento pra pré-adolescentes, e que suas adaptações não merecem o devido trato. Sim, fazer um filme bom baseado nos X-Men é bem mais fácil do que adaptar obras do calibre de V de Vingança e Liga Extraordinária – ou mesmo Do Inferno, que dentre todas as adaptações do Alan Moore foi a que resultou no melhor filme. Até porque X-Men tem a pretensão de ser puro entretenimento, enquanto o Alan Moore adora ser pedante e passar mensagens além de impregnar suas obras com um milhão de detalhes e referências.

Mas quando você assiste esses filmes, dá pra sentir que a galera se esforçou em fazer ALGO BOM? Não precisa ser fiel à obra original, mas o filme tem que ser bom. Confesso que não vejo isso em V, nem em Liga Extraordinária, nem em Superman, nem em Quarteto Fantástico, etc. Posso notar, no entanto que a fórmula mágica de fazer blockbusters continua aí, mais forte do que nunca.

Uma medíocridade gigante. E bem lucrativa.

Escrito por Barba

março 2, 2007 às 22:30

2 Respostas

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  1. não conheço história, ma achei Nicholas Cage legal na história!

    Ana_Carol

    março 9, 2007 em 0:25

  2. eu é que sou chato :)

    Barba

    março 12, 2007 em 0:24


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