Pra Chocar
Julho 12, 2007
Achou forte? Essa cena nem é a pior.
“Eu faço cinema é pra chocar” afirmou Cláudio Assis em entrevista à Rede Cultura. Pois não duvido e, na verdade reitero: os filmes dele são pra chocar mesmo. Na verdade esse é o grande problema de Baixio das Bestas (2007, 80 min., Brasil) , seu segundo filme. Monstrando o cotidiano de uma área canavieira na Zona da Mata de Recife, Baixio trata principalmente da condição da mulher. Retrata de perto a vida de Auxiliadora (Mariah Teixeira), uma menina explorada pelo avô (Fernando Teixeira) que a obriga a lavar roupa durante o dia e se exibir numa parada de caminhoneiros em troca de dinheiro durante a noite. Dira Paes é Bela, uma prostituta com sonhos de grandeza e língua afiada, que parece contente com a profissão. Já Caio Blat e Matheus Nachtergaele interpretam Cícero e Everardo, dois agroboys que vivem em função de fumar maconha e fazer orgias em uma casa de prostituição local, que muitas vezes envolvem violência.Do mesmo jeito que Amarelo Manga (2003, 100 min., Brasil) Baixio das Bestas é visualmente atraente e empenhado na estética pobreza, da decadência. Mas é a violência a linguagem predominante do filme. Costumo dizer que, como qualquer forma de expressão, a violência também é uma boa forma de contar uma história. Ao sair do cinema me peguei perguntando o que Baixio narrava. Não muito, é só cinema pra chocar.



Julho 12, 2007 at 5:03 pm
Não compreendo a tara dos cineastas brasileiros com os pobres. E sempre tem pobre puta, pobre pedófilo, palavrão a tonelada.
Queria que fizessem um filme sobre a burguesia paulistana, mostrando um desse Pais Leme de Bragança e Souza empapando a mulher de bolacha, dando o feofó pro porteiro, e muito palavrão também. Aposto que não rolaria.
Julho 12, 2007 at 5:21 pm
Nada contra a pobreza, desde que se conte uma história – uma boa história de preferência. A fotografia do filme é impecável, gostei muito mesmo, mas o resto parece vaziiiio…