PANdemônio!
A realidade sempre parece mais divertida e absurda que a ficção – mesmo sem o abuso de alucinógenos, anfetaminas ou xarope. Como imaginar algo mais supreendente que os verdadeiros autores das pichações de Cauê segurando um fuzil? Não tinha nada a ver com o “movimento”, até porque esssa era a hipótese mais vaga, nem com ahn… adolescentes revoltados da classe média, que todos sabemos serem os maiores autores de stencil.
O serigrafista Joel Valentim intitula como “obra do mestre Valentim” as camisetas em que, sob a palavra Pandemônio”, Cauê aparece portando um fuzil na entrada de uma favela. Atrás, avista-se o veículo blindado da Polícia Militar conhecido como “Caveirão”. Segundo ele, os desenhos fazem alusão à truculência das autoridades contra a população carente. “Eu próprio já fui vítima dessa opressão quando morava no morro do Borel e trago a marca disso”, diz em entrevista exclusiva ao O DIA ONLINE, mostrando uma cicatriz no braço que teria sido resultado de um tiro de fuzil. “Na região dos Jogos, na Barra da Tijuca, famílias foram desalojadas para a construção de estádios e da Vila Pan-Americana. O direito delas, que já tinham endereço fixo, não foi respeitado”.
Na verdade foram integrantes do ocupação Zumbi dos Palmares, ligados ao Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e à Rede de Comunidades e Movimentos Contra a Violência. Pelo menos pra mim, o protesto deles procede.


