Savoir-Faire

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Um laptop por criança

com 5 comentários

olpc.jpg

XO-1, o brinquedinho de US$ 100

“Inclusão digital” é a expressão do momento, filantropia (?) pra não deixar ninguém fora da internet. Por um lado acho muito bacana já que vivo plugado na frente do computador por trabalho e por diversão. O que é curioso nessa história é a idéia de que os computadores vão melhorar a vida das pessoas quando o mais correto seria dizer que podem fazê-lo.

Um dos maiores projetos desse tipo é o One Laptop per Child (ou OLPC), dirigido por Nicholas Negroponte do MIT, que tem por objetivo produzir computadores baratos para serem usados como ferramentas de ensino nos países “em desenvolvimento”. O laptop base do OLPC, chamado de XO-1, é o mais próximo de um computador popular que de que já tive notícia. Com objetivo de custar cerca de US$100, por enquanto ele sai a US$ 176, ele possui uma configuração modesta mas foi projetado de maneira extremamente funcional. Vejamos:

A idéia é fazer uma máquina compacta, sem grandes peças de hardware, o que também deve favorecer a economia de energia – drives de CD/DVD, impressoras e outros periféricos podem ser conectados via USB. Ao invés de um HD temos uma memória flash de 1GB , com possibilidade de expansão da memória através de periféricos na USB ou cartões SD. O processador é um AMD 433 MHz que devido ao baixo poder de processamento não possui cooler (não vou discutir com eles, são do MIT, mas acho que AMD esquenta muito aqui ao sul do Equador), o laptop também conta com 256 SDRAM.

 

XO-1

O display é um LCD de baixo custo que, entre outras funções, pode ser colocado em modo monocromático tornando-a legível mesmo sob a luz do sol. O sistema operacional é baseado em Linux e foi desenvolvido pela Red Hat, ocupa cerca de 130MB contra os 1,5GB do Windows XP. Seus programas incluem um browser baseado no Firefox, uma ferramenta de texto (capaz de trabalhar até em formatos da Microsoft!), um leitor de PDF, um mídia player, uma ferramenta de criação de música, programas e desenho e alguns joguinhos. Além disso o XO-1 se comunica com outros via wireless, mesma maneira que acessa a internet, e também possui uma câmera integrada.

O teclado é emborrachado, o console é muito resistente a quedas e – isso eu realmente achei fantástico – pode ser recarregado usando uma bobina própria, desenvolvida para sua aplicação em comunidades onde ainda não existe eletricidade. Ou seja: em termos de funcionalidade a OLPC parece ter cumprido a meta. O XO-1 parece bastante confiável em termos de desempenho e durabilidade, um passo gigantesco na inclusão digital.

O que me intriga olhando daqui é o seguinte: o que garante que esses aparelhos vão ser úteis como ferramentas de ensino quando muitas vezes nem os próprios professores estão capacitados a usá-los efetivamente, quanto menos ensinar com eles? Bem, isso é um assunto de cada país que aderir ao projeto – o Brasil incluso – e não é uma pergunta fácil de ser respondida, pelo menos nessa fase inicial.

Os críticos do projeto argumentam, entre outras coisas, que o dinheiro dos laptops poderia ser usado na construção de bibliotecas e escolas – que proporcionalmente custariam bem menos e beneficiariam mais comunidades – e que a os idealizadores da OLPC estariam usando a mentalidade americana pra resolver problemas que são diversos e complexos em outras partes do mundo. Além disso em menos de 5 anos essas pecinhas serão nada mais do que lixo. E eu também tenho que admitir que já espero o desvio de várias dessas maquininhas pro mercado paralelo aqui no Brasil

Por mais “contras” que o projeto possua ele vai causar um grande impacto em termos de inclusão digital. As crianças que fizerem uso dele – mesmo que seja para chat, Orkut e outras bobagens – vão criar um monte de noções importantes para se trabalhar em computadores. Vão saber o que é um duplo clique, como se edita um texto, o que são ícones, como se navega pela internet (ainda que seja pra jogar ou ver mulher pelada), etc. Se já estamos assistindo uma inclusão digital massiva através das lan-houses, resta esperar pra ver como isso vai andar junto com o projeto da OLPC.

(Agradecimentos ao Pristina, por me lembrar que isso existe.)

Escrito por Barba

julho 25, 2007 às 23:15

5 Respostas

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  1. tua analise é bem melhor que a minha por sinal. =]

    felipe tofani

    julho 26, 2007 em 0:30

  2. É que eu estudo pra ser um pedante e fazer esse tipo de análise :)

    fairesavoir

    julho 26, 2007 em 10:56

  3. Tem que saber exatamente aonde vai existir a iniciativa do pc… pq tem lugar que a comida ou uma escola seria muito melhor… vamos aguardar para ver a repercussão. (;

    V.

    julho 26, 2007 em 14:38

  4. Vou colar este link aqui, pois coincidência ou não, ontem estava lendo sobre o projeto OLPC e etc, e me deparei com o blog do “fake” Steve Jobs. E hoje é a primera vez que acesso o teu blog, e já de cara me deparo com esse asunto. Apesar da forte dose de sarcasmo e ironia utilizada pelo fake Steve, acho que ele apresenta bons argumentos. Um abraço!

    http://fakesteve.blogspot.com/2007/07/let-train-wreck-begin.html

    Paul

    julho 26, 2007 em 15:17

  5. Paul,

    Fake Steve Jobs destruiu! É bem o que eu coloquei: tem tudo pra dar errado, mas em menor escala vai trazer a web – com pornografia e tudo – pra um monte de gente que nem tem noção do que é isso. Esse tipo de coisa melhora o mundo? Sozinho, de jeito nenhum… Mas já li sobre algumas iniciativas de inclusão digital que funcionaram muito bem em locais de baixa renda, mudaram mesmo o perfil da comunidade e as perspectivas de vida.

    O projeto do laptop em si é algo muito bom – tanto é que vários features dele despertaram interesse na indústria – mas os tecnólogos do MIT só estão preocupados com isso. Não faz qualquer sentido um lema do tipo “um laptop por criança”, isso tem que ser adotado em lugares onde haja possibilidades de manutenção (ou onde essas possibilidades sejam simultaneamente criadas) ou vai ser só um monte de equipamento e boas idéias que vão virar lixo…

    Eu já visitei os tais telecentos que o Banco do Brasil criou por aí, usando o hardware que foi aposentado, e nunca vi nenhum deles funcionando direito. Quase todos que vi foram instalados com versões horríveis do Linux e postos em redes montadas porcamente em lugares onde o técnico mais próximo está a 100 quilômetros de distancia.

    Ou a OLPC investe em uma parceiria que envolva metodologia e logística pra usar e distribuir o XO-1ou não vão alcançar nem metade do que pretendem.

    Volte sempre!

    fairesavoir

    julho 26, 2007 em 16:00


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