Watchmen nem saiu ainda…
Julho 30, 2007
… e já causa polêmica.
Eu ainda tenho Orkut por causa de algumas comunidades (pois é…). Curto ler o que os outros estão pensando sobre determinados assuntos, especialmente coisas de nerd, e dar uns pitacos de vez em quando. Maneira pouco construtiva de gastar o tempo, já dizia a velha máxima politicamente incorreta comparando paraolimpíadas e internet, mas devo adimitir que de vez em quanto dá pra engatar algumas interessantes.
Barraqueira de fórum – também chamada de flame war – é algo que me desagrada bastante. Quando se gasta o tempo discutindo algo, é melhor que seja de maneira (minimamente) civilizada, mas isso nem sempre acontece.
Nesse domingo fiquei algum tempo lendo os tópicos da comunidade de Watchmen, que anda pegando fogo por causa da adaptação cinematográfica que vem aí. Os leitores mais conservadores (ou implicantes) acham que o filme vai ser ruim porque é impossível adaptar a obra do Alan Moore em toda (err…) “complexidade”. Comparam o quadrinho com filmes e livros importantes pra indústria cultural como um todo – e nisso não deixam de ter alguma razão porque Watchmen realmente foi um marco – mas acabam caindo no pedantismo como modo de discussão.
Isso é normal, todo ponto de vista é válido, mas as réplicas a eles são ainda piores e muitas vezes acabam descambando pra uma série de acusações de cunho pessoal e xingamentos nada educados – alguns proferidos pelo editor de uma revista de cinema de circulação nacional – que são respondidos de maneira igualmente desagradável.
Em suma: Watchmen é profundo, complexo e inadaptável para a grande tela? Não. Watchmen merece o mesmo tratamento boçal dado a Liga Extraordinária no cinema? Certamente que não.
O que acontece – vivo falando iss0 – é que nesses dias a indústria cinematográfica parece estar carente de bons roteiros ou de histórias com apelo. Ao mesmo tempo que impossível adaptar uma obra de outra mídia com perfeição – ainda que seja um livro de comédia romântica – também não é legal gastar anos e milhões de dólares pra produzir filmes feitos simplesmente pra entretenimento. Não que cinema não seja diversão, é óbivo que é, mas pra quê fazer um filme que além de ter um vínculo pobre com a obra original ainda é ruim?
Do Inferno tem pouquíssimo a ver com a graphic novel mas pelo ainda é um filme bem feito, bacana de se assistir. Já Liga Extraodinária considero uma m*rda, é o sumo da idéia de pegar um nome que faz sucesso em outra mídia e usá-lo como embalagem apenas, produzindo algo que nem passa o clima e a ironia do original – ao menos Do Inferno se digna a mostrar a sujeira e a violência da Inglaterra Vitoriana.
Watchmen não vai ser igual ao quadrinho, mas tampouco vai ser ruim – na pior das hipóteses vai ser “legalzinho bobo” tipo V de Vingança. O que me parece é que os estúdios fazem uma equação de bilheteria que inclui a classificação do filme como algo acima do roteiro e, na cabeça dos grandes da indústria, quadrinho ainda parece ser só coisa de criança.
Watchmen não é a ultima maravilha, não é arte, nem é a melhor obra do Moore. – ao menos pra mim é A Voz do Fogo. Mas sim, é uma das primeiras histórias de super hérois a usar um modo narrativo que inclui elementos de literatura – e é uma puta história.
Realmente vou ficar chateado se o filme for ruim. Nesse caso pego em DVD um dia e assisto, com certeza vou me divertir.



Julho 30, 2007 at 4:33 am
Só discordo de vc em uma parte mano, V de Vingança não é nem “legalzinho bobo” pra mim. Se esforçaram tanto pra deixar o filme “consumível pelas grandes massas” (entre várias aspas pq isso é bem controverso…) que ficou simplesmente chato, imo, e não passou nem uma idéia nova nem a idéia original do quadrinho.
Infelizmente, nos defrontamos com o mesmo velho problema. Toda vez que uma tradução há de ser realizada (seja ela de uma língua pra outra ou de uma mídia pra outra), as coisas nunca ficam 100%. A questão é que os bons tradutores/diretores sabem onde cortar e o que acrescentar para se ater à idéia original da obra, adicionando, caso necessário partes extras que nem sempre saem no corpo original do trabalho (clássicas cenas extras da “director’s cut” ou valorizadas “notas do tradutor” e pés de página nos bons livros).
Um ótimo exemplo disso, imo, é o Peter Jackson com Senhor dos Anéis, que realiza cortes bem feitos, reserva cenas legais para a “versão extendida” e manda um grande abraço para o Tom Bombadil (que, apesar de cumprir seu papel na história, é desnecessário para a progressão da mesma). A única parte que realmente me deixou triste foi o esquema do expurgo do Condado, mas incluí-lo no Retorno do Rei, imo, ia matar todo mundo no cinema que não leu o livro antes de ver o filme de raiva.
Um péssimo exemplo disso, imo, é o Jack Snyder com o 300. Além do clima “propaganda de desodorante” da parte inicial do filme (que não rola no quadrinho), as adições feitas por ele (em sua maioria cenas com a mulher do Leônidas) são mal elaboradas e desnecessárias. Mas o filme me “divertiu” um pouco, mesmo me desagradando bastante.
Julho 30, 2007 at 10:23 am
Como já dizia meu filósofo favorito:
“A vida fica bem mais fácil se você mantiver as expectativas de todo mundo baixas.” – Calvin
Não dá para esperar demais dessas adaptações… mas um diversãozinha boba, com uma pipoquinha, também não é tão ruim. (;
Julho 30, 2007 at 10:51 am
uhauhahuahuahu! o lela roubou meu comment… :)
tipo, eu grado muuuito de watchmen e pra mim é a melhor obra do alan moore, mas uma coisa q tenho cada vez mais preguiça eh do pedantismo desse povo… uma das razoes de eu nao ter orkut… pra mim watchmen talvez fique igual a 300… visualmente bacana, mas no final das contas vai ser divertido conferir isso com minha namorada e uma pipoca pra acompanhar… até mesmo pq até onde eu saiba, filme nao substitui a midia original… pelo contrario, até ajuda (quem sabe nao temos a chance de ter uma publicação decente de watchmen, sem ser aquela tosca da via lettera?)
eu nao tenho muitas expectativas… mas vou ver do mesmo jeito… :P
até
Outubro 31, 2008 at 3:12 pm
Ciekawy post, dodalem twoj blog do ulubionych, bede tu teraz wpadal czesciej, pozdrawiam