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Tropa de Elite Facts

com 11 comentários

“Ó o presunto!”

Eu tava errado. No Tropa de Elite não tem Rambo mas sobra Jack Bauer. A ONG, os universitários, a aula de sociologia, tudo muito caricato, 0 ou 1, mas é a visão dos PMs sobre a realidade. É legal humanizar os caras, sentar o dedo na ferida de todo maconheiro e ainda pagar lição de moral pra sociedade em geral. Mas fala aí, é isso? Quem aplaudiu as atitudes dos policiais tem problema – na cabeça ou no cólon. Porque tudo isso aí em cima tá bem pequeno em relação ao que o filme esfrega na cara de todo mundo: pro cara virar PM de verdade tem que meter tapa e saco plástico na mulher do traficante, querer enfiar cabo de vassoura no c* de vapor ou executar nego com um tiro de dozão na cara.

É, os caras fazem isso pra eu e você dormirmos em paz.

Será? Um dia, o fogo cruzado vai chegar até aí na sua porta. Se é que já não tá.

Eu fui no lançamento do Elite da Tropa aqui em Belo Horizonte. Os caras falaram por alguns minutos de como foi escrever o livro e da experiência de servir no BOPE. Um deles, por sinal o que saiu, não acredita mais na PM do Rio e acha que ela tem que ser extinta.

“Essa é da boa. Safra Roche® legítima de 1998.”

Usuário financia o tráfico, é fato. Então galera eu tenho a solução perfeita pra consciência de vocês e é mais tranquila do que legalizar, como sugere o Bressane: financiem a indústria farmacêutica. Ao invés de irem ao morro buscar um pó ou um brau, corram na farmácia e peçam uma tarja vermelha ou preta. Vai de ritalina? Vai de diazepam? Codeína? Benflogin? Se você for da paz tem um prozac esperto também. E se quiser efedrina é só dar um pulinho na loja de suplemento pra maromba. Qualquer uma te vende um potão por cinquentinha.

As drogas estão por aí desde os primórdios, e não vão sumir nem quando matarem todos os traficantes. O ser humano precisa delas. Lícitas ou ilícitas. Medicinais ou recreativas. A proibição é cultural, é política, é uma desculpa pra cambada ganhar votos prometendo o que não pode cumprir e ignorar o problema monumental de saúde causado pela dependência química – sejam da farmácia ou do morro. Em tempo: o Brasil já lidera o ranking no consumo de anfetaminas. Antes isso, ao menos todo mundo vai ficar magrinho.

Em tempo a idéia do o título saiu daqui.

Escrito por Barba

outubro 11, 2007 às 2:42

11 Respostas

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  1. Eu gostei de Tropa de Elite. Não só porque foi um filme bem executado (na maneira de contar a estória), mas principalmente porque eu nunca gostei de uma tendência, que acompanha as estórias brasileiras, de dar ares importantes ao criminoso, de vestir nele a bandeira do incompreendido, do anti-herói (como Lúcio Flávio – O passageiro da agonia, para dar um exemplo antigo), e há muito que fico observando como essa tendência se reflete no dia-a-dia (como a mania dos jovens de minha época de “depenar” a motocicleta para que fique parecida com a do bandidinho, que depenou a dele – roubada – para vender umas peças e dificultar o reconhecimento da máquina).

    Quanto às drogas, há algo a se aprender com a falha do senador Volstead, certamente. Indica que, no mínimo, a saída não é tão fácil.

    Leonel

    outubro 16, 2007 em 0:34

  2. Eu gostei do filme. Na verdade o que me deixou bastante intrigado foi a reação que ele causou em boa parte do público. Muito encararam o filme como uma propaganda elogiosa da tortura e da execução, quando na verdade o protagonista justifica isso sob seu ponto de vista. O filme é uma ficção com ares de verdade que faz bem em mostra o lado do policial e a dificuldade que se impõe para que ele faça “a coisa certa”. Mas não justifica nada do que está ali. É quase como dizer que “Cidade de Deus” apóia a bandidagem, quando todos os traficantes do filme se ferram no final.

    Isso de dar ao bandido ares de anti-herói é global, não é brasileiro, mas é forte aqui desde que Lampião passou do cangaço pra eternidade – talvez antes. O fora-da-lei fascina e Tropa de Elite não escapa a isso. O BOPE mostrado no filme é brutal e não respeita as leis e justifica seus meios pelos fins.

    E, sobre as drogas, o que me cansa é a hipocrisia. Muita gente faz uso de drogas ilegais, na polícia, na política, no exército, nos hospitais, nas periferias e bairros centrais. Todas elas eram substâncias completamente legais até 80 anos atrás e algumas começaram inclusive como medicamentos de grandes empresas farmacêuticas. Se há um problema de saúde pública e abuso de substâncias, ele teria que ser tratado como tal.

    Há uma demanda em grande parte das pessoas pelo uso dessas substâncias, e a ilegalidade constitui um fator de risco para os usuários e para a sociedade em geral. A repressão ao tráfico aumenta o o preço das drogas, coloca o dependente em risco e custa milhões aos cofres públicos.

    A falta de campanhas de redução de danos, ao invés das memoráveis e estúpidas campanhas contra as drogas, representa uma falha grave do estado. Se o Irã adotou uma política de redução de danos pra lidar com os dependentes de ópio não vejo porque o Brasil não poderia fazer o mesmo com os usuários de drogas pesadas. Uma ação, antes de tudo, permite um controle e monitoramento muito maior dos dependentes e usuários do que a polícia jamais pode conseguir.

    A repressão não está funcionando. O máximo que o BOPE faz é subir a favela e lidar com as conseqüências de décadas de Estado ausente no Rio. E não vai melhorar, como Volstead aprendeu algumas décadas antes.

    Barba

    outubro 16, 2007 em 2:30

  3. “A repressão não está funcionando. O máximo que o BOPE faz é subir a favela e lidar com as conseqüências de décadas de Estado ausente no Rio. E não vai melhorar, como Volstead aprendeu algumas décadas antes.”

    Exatamente! A proibição das drogas – e não as estou defendendo, que eu tenho verdadeira raiva aos alucinógenos em geral – alavancou o crime, do mesmo modo que a proibição ao álcool alavancou o gansterismo norteamericano.

    Agora, mudando de pau para cavaco, lembra do que falávamos sobre a cidade de Armória? Pois bem, há muito o que se aprender estudando a planta de uma cidade medieval e comparando com a planta de uma favela. Me desanima a atitude do governo de “rodear o tigre”. A posição numa favela é fortemente defensiva, aos mesmos moldes medievais, e, como estas cidades, ou você cerca, entra e “haussmanniza” o local (que foi a solução que deu jeito nas grandes cidades medievais, ao fim das contas. Uma solução do séc. XIX), ou ocupa permanentemente, a custo de homens e apoio da população. Ou destrói, destruir é sempre uma opção (nada bonita, mas “nada resiste a uma boa ignorância”). Ficar no morde-e-assopra, na minha opinião, só prolonga os problemas e sofrimentos de todos.

    Leonel

    outubro 16, 2007 em 9:32

  4. Caralho alguém mais passou mal de rir com os universitários e “ONGueiros” do filme? Como integrante (ou ex) de ambos os grupos eu passei mal de rir, principalmente com o ONG onde a galera cheira todas, fecha com o traficante, e ainda rola uma pegação totalmente gratuita com uma daquelas gatinhas! Porra queria trabalhar lá!

    E nem achei o filme bem executado ou bom no geral. Os dialógos são ruins, e tirando o Wagner Moura e o tal do Matias os atores não estão bem. O enredo é risível, e a primeira parte da trama é bizarra dentro do paradigma do filme de uma policia corrupta e escrota, aqueles dois manés me pareceram versões cariocas do Recruta Zero enquanto tentavam lutar (sic) contra a corrupção na corporação.

    Já a segunda parte é bem melhor, mas a necessidade de recrutar um novo comandante justamente entre nossos dois amigos Recruta Zero “Esperto” e Recruta Zero “Corajoso” é bem nonsense – eles não são uns novatos que chegaram ontem na parada? O filme não mostra mais um monte de marrombados do BOPE todos animadinhos para seguirem as ordens do Capitão Nascimento? Porque então o Olavo da novela teve que escolher entre um dos dois novatos mesmo?

    Enfim, fui assistir o filme com duas expectativas: ver um filme de ação foda; e ver uma apologia escrota ao BOPE. Não vi nenhum nem outro, o filme é mediano, e a lição de moral é clara, só os burros mesmo para não terem entendido.

    areacinza

    outubro 16, 2007 em 11:37

  5. Rocha

    Pois é, essa caricatura da ONG que apóia os traficantes dizendo que eles “têm” consciência social parece quase fantasiosa. Na verdade faz parte do discurso “se vocês não estão conosco estão contra nós” que permeia grande parte da política ultimamente – pra todo o extremismo militarista/religioso que os Estados vêm adotando. “Tropa de Elite” serviu pra mostrar que o brasileiro não é imune a isso, e quaisquer opiniões contrárias à de que “tem matar todo mundo” têm sido encaradas como pró-traficantes. E, como os séculos já provaram, o pensamento binário e monocromático nunca resolveu nada e ainda deixou legados de injustiça e segregação pelo mundo afora.

    Leonel

    O complicado de se combater o tráfico é que ele é um fenômeno que permeia toda a sociedade, e inclusive as autoridades, como o filme bem mostra. Chegar na favela e “fazer a geral” não vai resolver. Existem bairros do Rio que são dominados pelo tráfico, especialmente na baixada fluminense, e que são totalmente urbanizados.

    A primeira medida urgente e necessária seria coibir e penalizar severamente o tráfico de armas e fazer apreensões pra tirar o pesado das mãos dos traficantes – e mais tarde das mãos dos policiais comuns também, já que são comuns acidentes com essas armas nas mãos de homens mal-capacitados e isso arma de grupos de elite.

    A solução não é fácil, mas os governantes também não se encontram muito empenhados nela. Com o tráfico do jeito que anda, o político ganha votos fazendo discurso do medo, o tráfico ganha rios de dinheiro, as drogas continuam chegando nas mãos de todo mundo, etc. Claro, a longo prazo todo mundo sai perdendo.

    Barba

    outubro 16, 2007 em 18:21

  6. Oh, não, quanto ao tráfico, apenas desbaratar a favela não resolveria, como não resolve em países que não possuem a favela (no sentido de estrutura urbana). O que ocorre é que a estrutura urbana da favela possibilita a formação do que os sociólogos chamam de Bolsão Não Governamental, uma área que, por suas características morfológicas, dificulta ou mesmo impede o controle do governo.
    Atualmente o que vemos, sempre que ocorre um problema, é a constatação de que, um dia, provavelmente precisarão mandar o exército controlar uma ou outra favela – fato que já foi cogitado publicamente por prefeitos do Rio, governadores e presidentes. E que foi igualmente descartado pelos oficiais do exército aos quais seria encarregada a missão, sob a alegação muito justa de que os soldados não são treinados para o serviço policial, são treinados para matar o inimigo.
    Admitir a possibilidade de ter que usar as forças armadas é admitir que, na realidade, não se governa um local.

    Vai daí o meu comentário sobre a “haussmannização”, que, aliás, começou a ser ensaiada por um dos prefeitos do Rio, o Conde.

    O programa que ele criou, Rio Favela-Bairro, é justamente para, a longo prazo, permitir esta integração entre favela e governo. Uma das premissas do programa é, tão logo seja possível em cada comunidade, ampliar a rede de infraestrutura urbana favela adentro. Isto significa levar a rede de águas e esgotos, mas também significa remodelar o traçado urbano, como chegou mesmo a ser feito durante seu governo.
    Isso é uma “haussmannização” suave, a longo prazo. E um projeto que é mantido “mais ou menos” pelo governo sucessor ao Conde, mas que, justamente por ser uma idéia que demora a dar frutos, perde sempre a corrida das prioridades políticas da cidade.

    Tive a oportunidade, durante o governo Conde, justamente quando o programa estava a todo vapor, de visitar a área da Favela do Caju e arredores. Algumas áreas tiveram ampliação do eixo viário, uma ou outra casa foi removida para permitir a regularização das ruas. Mas isso na “beirada” da favela, e principalmente numa pequena área onde, nos tempos de D. João, havia um balneário, e que na década de 40 já havia sido degradada por conta dos estaleiros.
    Mas morro acima, até aquele momento, nada de ampliação de ruas, “por ordem do movimento”. Subiram uns poucos projetos integrados, como a escolinha de circo e alguns programas profissionalizantes, mas que já vão servindo para mudar a situação sociedade/governo, para a próxima geração.

    No mais, subir a favela, para visitar algumas implantações do programa, era complicado. Primeiro tínhamos que ligar para o escritório do favela-bairro, pedindo autorização para visitarmos. Depois íamos até o dito cujo, e um funcionário pedia que aguardássemos enquanto ele subia o morro para explicar a visita de estudantes e pedir autorização ao “movimento”. Depois, sempre com o funcionário ao nosso lado, subíamos, para uma visita guiada. Guiada e vigiada. Sempre estava, por perto, um mesmo sujeito, vendo onde íamos, por onde íamos, etc…

    Já aquela ONG do filme, isso tem bastante por aqui, ONGs em áreas carentes que são criadas como currais eleitorais. Ao menos cá no Rio, as ONGs acabaram virando uma terceirização de serviços públicos, para captar os recursos que, antigamente, iam para secretarias.

    Dos estudantes que “cheiram todas” e de alguém dar um pega numa gatinha de graça, já não vou tecer comentários, apenas que a vida aí em BH deve ser bastante tranqüila.

    leonel

    outubro 18, 2007 em 11:19

  7. Bom, eu ainda não vi o filme pq aqui no interior é tudo atrasado…
    mas gostei do seu brog.. .vo voltar depois.
    té mais.

    fran

    outubro 18, 2007 em 14:18

  8. Pô, aposto que os ambulantes daí também têm umas cópias. No mais, valeu :)

    Barba

    outubro 19, 2007 em 11:25

  9. É isso ai, BH é uma brasa: namorar no portão, soltar pipa na praça, correr atrás do bonde e cheirar rapé!

    Duh…

    areacinza

    outubro 21, 2007 em 8:17

  10. [...] alguém ficou chocado ou acredita na predominância do universitário estereotipado do Tropa de Elite, recomendo [...]

  11. [...] na mão dos comandos. Aí tem aquela de que o tráfico é culpa do usuário, do playboy da PUC, e só o Capitão Nascimento pode nos salvar. Preguiça… um problema monumental como o tráfico de drogas e a violência que dele decorre [...]

    Brazzzil « Savoir-Faire

    outubro 2, 2009 em 23:08


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