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“Fazendo carinho ele não vai falar…”

com 4 comentários

Apesar das críticas dos próprios oficiais de que a obra exagera nas cenas de violência, Daniel disse que não vai perder a estréia no cinema. “O exagero é para causar mais impacto no expectador. Na atual conjuntura o Bope é eficaz para combater o tráfico”. Márcio concorda, e diz que as pessoas não entendem a necessidade da tática utilizada pela tropa, segundo ele tão fria quanto a dos traficantes, como mostra o filme.

“A tortura no filme foi até tranqüila. Não que resolva, mas como você vai arrancar uma informação do traficante? Fazendo carinho nele ele não vai falar”. Daniel discorda, diz que a cena em que alunos são queimados em pneus foi a que mais o marcou, pela frieza por parte dos bandidos. “Isso prova que a repressão também deve ser fria”, completa.

Linda essa matéria com do Terra com os candidatos a integrar o BOPE. Torturar, matar e fazer o que os traficantes fazem, só que para combater o tráfico, é legítimo e elogiável. A justiça não consegue condenar ninguém, então desde sempre a polícia acha que a execução e a tortura ajudam. Claro, eles nunca torturam ou matam gente por engano, pergunte a qualquer um que mora no morro.

Desde que o Tropa de Elite saiu e causou um alvoroço eu cheguei a uma conclusão óbvia: brasileiro é covarde. Faz a merda, elege os políticos errados, não cobra seus direitos, não percebe a realidade ao seu redor e, quando a situação fica insustentável, acha que um grupo de extermínio ou outro vai resolver o problema. E eu não digo que o BOPE seja necessariamente um grupo de extermínio, ainda que falte muito pouco pra chegar lá, mas tenho certeza que cada cuzão do Brasil queria que ele fosse um.

Rodrigo Pimentel, um dos autores do Elite da Tropa e ex-integrante do BOPE, falou uma coisa muito esperta em uma entrevista pela Globonews. Ele disse que um órgão que tenha poderes de torturar e matar independente do aval da justiça possui grandes chances de se voltar contra a sociedade e o Estado. E deu bons exemplos.

Polícia de elite sem policiamento inteligente não adianta em nada. Serve pra governadores e prefeitos dizerem que “estão fazendo a sua parte”.

Escrito por Barba

outubro 24, 2007 às 13:33

Publicado em bizarrice

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4 Respostas

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  1. Eu acho que num é brasileiro que é covarde não, ser humano é covarde. Brasileiro só tem uma tendência absurda a se divertir às custas de outros tão logo tem a oportunidade…

    Mas alí é ritmo de guerra, e não é exclusividade da Tropa de Elite do RJ a maldade, tortura e etc em prol de algo nobre (seja na concepção de quem for). Soldados Romanos, Cruzados, Samurais, Bolcheviques, Nazistas, Força de Paz Americana ou seja lá oq for, na hora que o cara entra em zona de guerra com um propósito, acho que é rápido pro cara começar a desconsiderar o outro lado como vidas humanas. É esse tipo de coisa que normalmente assustava o povo quando eu viva um sensei de kenjutsu falando, na maior calma do mundo, que a espada tinha que cortar uma vez só, matar com um golpe e os poucos que paravam pra pensar que com cada golpe teoricamente era uma vida que ia embora tinham até medo de perguntar para o Sensei sobre vida e morte…

    Eu ainda vou fazer um post no meu blog sobre esse filme. Pessoalmente gostei muito.

    Encho?!

    outubro 25, 2007 em 10:53

  2. Cara,

    Os problemas dessa noção de guerra no morro é que só a população é que se fode. O tráfico tá aí, cada vez mais forte. Quem toma bala perdida, é executado e torturado “por engano” são os moradores das vilas e favelas. Depois vejo se posto um relato dos moradores do Rio sobre isso.

    E outra, em TODOS os casos em que se criou uma força com autonomia completa pra matar e torturar (a polícia especial do Fujimori no Peru, os contra-rebeldes na Argélia, etc) ela se voltou contra a sociedade quando a “guerra” chegou a um impasse.

    O BOPE, seu armamento e seu caveirão podem até ser necessários, mas com a ação porca da justiça e da polícia militar do Rio eles estão sendo mal utilizados. Repito que combater o tráfico não é só entrar em favela e matar geral… se não investigar e investir em políticas sérias de segurança pública o que vai se criar cada vez mais é uma situação de insegurança e caos.

    Barba

    outubro 25, 2007 em 13:04

  3. Mais um post que não poderia ter perdido por nada. Não que ache a covardia um substantivo só brasileiro. Acho o brasileiro um insatisfeito. Brasileiro é xenófobo mas quer ser alguém em Miami. Brasileiro quer marcas estrangeiras e não calças de brim. Etc. etc.

    Pensava que o filme Tropa de Elite era sobre a ROTA paulista, dos anos 60-70 de tanto que li sobre o filme. Mesmo que a população do morro e vilas paulistas seja reacionária no que diz respeito ao consumo de drogas e que deseje um futuro melhor para os seus, ela merece respeito seja falando probrema ou pobrema, saca?

    Não consigo explicar até agora por que torço para o Denzel e não consigo torcer para o Capitão Nascimento. E você?

    tina

    novembro 4, 2007 em 22:13

  4. Ah, eu nem sei mais o que pensar. A identificação da população com as práticas do BOPE e o desejo por uma “solução fácil” para o problema da violência me deixou meio decepcionado com tudo. Já tem gente dizendo por aí que ONG só tem que gente que alinha com o tráfico, o que não poderia ser mais absurdo. Enfim, queria saber mesmo é como pensam os que moram nas favelas.

    Barba

    novembro 5, 2007 em 14:27


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