Mais Chávez…

Hugo Chávez ameaça nacionalizar bancos espanhóis se rei não se desculpar. Desculpar pelo quê? Se o rei cometeu alguma falta de educação não foi maior do que a dele, interrompendo o presidente da Espanha e cuspindo toneladas de asneiras. A questão é que, ao contrário de alguns amigos, eu nunca me iludi minimamente com o chavismo. O que ocorreu na Venezuela é bem parecido com o que ocorre na Bolívia: temos um país pobre, com instituíções fracas e sem poder de mediação ou fiscalização, cujas privatizações foram uma festinha. A população acaba aderindo a qualquer um que prometa quebrar esse ciclo.
Dentro desse contexto binário que vem se formando temos duas opções: um Estado ausente, mínimo, incapaz de garantir os serviços básicos para a população ou de fiscalizar as empresas que deveriam fazê-lo; ou um Estado populista que, gastando um mínimo com infraestrtutura e assistencialismo, executa o que qualquer governante poderia fazer com alguma boa vontade e usa os pobres como massa de manobra pra se encastelar no poder.
Encastelar no poder é o que Chávez quer fazer. Isso vem em primeiro lugar em sua agenda, não há uma boa vontade política no que ele faz. Seu discurso tem uma consonância com todos os chavões de esquerda do mundo e é legitimado pelas patéticas tentativas norte-americanas em apoiar golpes contra ele. Isso deu a Chavéz todas as justificativas que precisava pra se armar – não, ele não tem planos expansionistas, qualquer querra contra os vizinhos é uma desculpa pra Washington derramar toneladas de explosivos sobre Caracas. O que Chávez teme é outra tentativa de golpe ou a instalação de uma guerrilha contra ele no molde dos contras nicaraguenses.
Enquanto isso, todos tremem nas bases com medo de uma “onda vermelha” na América Latina. Pois é, se a “onda neo-liberal” (que de neo e de liberal não teve nada) dos últimos 10 anos tivesse sido menos destrutiva e absurda, ninguém teria que lidar com democracias a perigo em pleno século XXI.


Pô barbi
só não mistura chaves com morales!
parece mas não é a mesma coisa. A bolívia não é a venezuela.
É muito mais fudida.
e o morales foi eleito 3 vezes antes de tomar posse!
Raul
janeiro 16, 2008 em 20:28
Tô ligado. O esquema da privatização da chuva por lá, simplesmente absurdo, é um exemplo do que o boliviano tem que aguentar. Mas enfim, a idéia era comparar os países e não os líderes, afinal de contas, o Morales parece razoável e inteligente – coisa que o Chavéz nunca será.
Barba
janeiro 16, 2008 em 23:35