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Judiciário e Picadeiro

com um comentário

Ainda não consegui decidir se o judiciário brasileiro é engraçado ou trágico, mas acho que deviam oferecer aulas de Senso do Ridículo I, II e III nas faculdades de direito, já que alguns chegam a cargos de muita importância sem ter qualquer noção do que é isso.

O que pensar, por exemplo, de um magistrado que proíbe a comercialização de dois jogos eletrônicos alegando que eles trazem “imanentes estímulos à subversão da ordem social, atentando contra o estado democrático e de direito e contra a segurança pública“.

Parece uma piada de mal gosto, não? Que um funcionário público que recebe um alto salário, fruto de arrecadação pública, se digne a usar o tempo para proibir formas de entretenimento ao invés de buscar a resolução de problemas mais tangíveis – pra não dizer urgentes.

Obviamente, o magistrado em questão nunca teve qualquer experiência com jogos eletrônicos – talvez um FreeCell naquele dia entediante – e também não se baseou em qualquer estudo falando sobre a influência destes no comportamento de seus consumidores. Na verdade, se por um segundo nos atentarmos à frase na qual ele justifica sua ação vamos ver que ela possui um teor bastante familiar para aqueles que viveram no Brasil durante as décadas de 60 e 70.

Trata-se de uma frase que poderia ser aplicada a qualquer produto midiático (livro, filme, etc) que por algum motivo qualquer traria “imanentes estímulos à subversão da ordem social“. O papel a que se presta o juiz Carlos Alberto Simões de Tomaz é similar ao de um censor, julgando o que é adequado a ser consumido baseado apenas em sua própria opinião.

Se é assim que o judiciário procura zelar pelo “estado democrático e de direito e [pela] segurança pública“, é melhor que construam picadeiros no lugar de tribunais. Pelo menos assim vamos poder entrar com uns tomates podres.

E, já que estamos falando em justiça porca, não podemos esquecer a sentença proferida pelo Juiz Manoel Maximiliano Junqueira Filho no caso do jogador Richarlysson, afirmando (em um tom desrespeitoso e jocoso) que futebol é coisa pra macho. Um piadista nato, o distinto senhor.

Escrito por Barba

janeiro 20, 2008 às 19:01

Uma resposta

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  1. Ultimamente o poder públic vem se achando responsável pela criação dos filhos dos indivíduos. Lamentável.

    Lela

    janeiro 21, 2008 em 9:42


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