Mudanças
Ainda sobre o caso da Ricardo Eletro no Mercado Central, achei um e-mail da administração do mesmo nesse blog aqui. Nele o Diretor Presidente do Mercado, Marcou R. Patrocínio, comenta:
Sr.(a) infelizmente a diretoria não tem autonomia sobre a definição do ramo de atividade, isso compete ao nosso conselho que aprovou previamente a instalação do Ricardo Eletro.
Algumas lojas modernizam o mercado de acordo com o tempo (drogaria Araujo tem mais de 100 anos e alguns caracterizam que ela descaracteriza) os tempos mudam e as atividades também, se adaptando aos novos tempos. A diretoria se preocupa com essas mudanças, porém, que o associado é proprietário tendo certa liberdade de comercialização. O Sr Olímpio, proprietário do Supermercado tem 90 anos e está aqui desde 1932 quando veio para Belo Horizonte como carroceiro. Infelizmente ele não deixou sucessores, os seus filhos tem mais de 60 anos e já estão aposentados, não restando a ele outra alternativa a não ser repassar o ponto.
A diretoria sente muito essa mudança, porém não conseguimos outro supermercado para se instalar no local pois o espaço do mesmo é muito pequeno para os modelos de supermercados de hoje. A modernidade fez sucumbir este modelo tipo armazém. O custo do aluguel e da manutenção desta atividade são inviáveis e os proprietários tem que cumprir os compromissos que ficaram durante muitos anos com baixa lucratividade, sendo que a melhor proposta para eles foi a do Ricardo Eletro que cumpriu todas as exigências fazendo um contrato todo na forma mas correta, inclusive no que tange ao pagamentos dos impostos que ocasionaram com essa transferência.
Na década 70 tivemos a maior descaracterização que foi ocasionada pelo surgimento da Ceasa, dos sacolões e supermercados, praticamente extinguindo o ramo de hortifrutigrangeiros no mercado. Nem por isso o mercado deixou de ser o Mercado Central e hoje mesmo assim somos um ponto de referência em Belo Horizonte , culturalmente e turisticamente.
O Mercado Central é uma instituição privada desde 1964 e soubemos muito bem construir e renovar um espaço que a prefeitura não conseguiu e resolveu privatizar. Agora aos seus 90 anos, doente e precisando fazer recursos para se prover, o Sr Olímpio e seu Irmão Olinto, tomaram essa decisão que foi um trauma para suas vidas, mas inevitável. Seria muito injusto se depois de estar aqui a 75 anos eles não pudessem fazer o que acham melhor neste momento da vida para poderem descansar com os recursos proveniente do imóvel que lhes resta.
Nem por bastar a diretoria pede a todas essas pessoas que amam o mercado que nos ajudem, pois não conseguimos ninguém para ocupar tão importante espaço nas característica que todos nós desejamos e que atendam as necessidades do Sr Olimpio e seus familiares. Quem sabe pode surgir uma boa idéia sem demagogias?
Lembramos que o contrato com o Ricardo eletro (sic) está assinado e pago, qualquer alteração no destino desta negociação ocasionará reflexos financeiros que tem que ser avaliados. Então a sua forma de manifestação pode atrapalhar os comerciantes que não tem nada haver com esta negociação e se gostas realmente deste local tenho certeza que fará forma de ajudar e não de piorar algo que já nos deixou profundamente infelizes.
Lembramos que esse fato é isolado e que com certeza não virão outras lojas do ramo concorrente. Esperamos que mais esta nova etapa seja vencida pelos comerciantes que lutam pelo destino de seus comércios para que o mercado continue sendo a casa do povo de Belo Horizonte.
Muito obrigado por gostar do Mercado Central.
Ok, mas a pergunta é: se eu quiser fazer uma loja de eletrônicos baratos no lugar onde algum fruteiro antes tinha sua banca, eu posso? Não há qualquer restrição nesse sentido? Não acho que seja comparável a diminuição dos hortifruti e sua substituição por armazéns, floriculturas ou vendedores de bebidas e condimentos com a instalação de uma loja de uma grande de rede de eletrodomésticos … A verdade é que o Mercado Central é um ponto de referência, bastante freqüentado por um público muito diverso e o espaço ali parece ter um grande valor potencial para operadoras celular, redes de lanchonetes, etc. Nada contra, mas essas já existem em grande número fora do MC. Por outro lado não há muitos lugares em Belo Horizonte onde eu possa comprar pequi, feijão andu, carne de sol, fécula de mandioca ou fumo de rolo.
Não acho que trata-se de temer e evitar mudanças, mas de escolher em quais termos elas devem acontecer. Se de fato não se conseguiu outro estabelecimento além da Ricardo Eletro para ocupar o ponto da Mercaria Aymoré, que assim seja. A administração acha que foi a melhor solução mas os freqüentadores temem que isso descaraterize o mercado, resta saber o que os outros varejistas de lá pensam sobre isso.



[...] esse precedente aberto, o Mercado Central tende a se tornar mais um shopping center. . – Outro texto sobre esse mesmo episódio. Posted by Barba Filed in gonzotrip Tags: Belo Horizonte, gentrification, mercado central, [...]
Ricardo Eletro no Mercado Central « Savoir-Faire
junho 23, 2008 em 21:01