Savoir-Faire

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Vendido #4

com 7 comentários

Sofrimento prolongado é coisa de maricas, góticos, intelectuais e mocinhas viciadas em comédias românticas – o que inclui Sex & the City. Todo o resto do mundo larga isso de mão assim que pode… ninguém curte esse peso filho da puta no peito ou aquele vazio na altura do estômago.

Sofrimento é bacana porque depois dele é que os problemas de verdade começam: ter de arrumar emprego, pagar o aluguel, escolher um tema de pós-graduação, arrumar um nome para o filho… ter que sair do quarto escuro e enfrentar o mundo de peito aberto. Então, eu acordei ontem e percebi que tinha parado de sofrer em absoluto – e notei isso porque toda a raiva da XnX LXXsX havia sumido. Restou só aquela compreensão de que as coisas não haviam funcionado como deviam. Não era culpa de ninguém… eu já tinha pensado nisso antes mas só agora fazia sentido de verdade.

Eu tava atrasado pro trabalho, como de costume, mas sem pressa. Ninguém por lá chega no horário, muito menos a chefia. Debaixo do chuveiro fiquei pensando em como tudo era bizarro e sentindo falta da minha casa. Da minha casa, não da minha mulher. Quer dizer, da minha ex-casa, não da minha ex-mulher.

É absolutamente estranho ter de abandonar alguma coisa que você construiu, que colocou sonhos e esperanças em cima. Felizmente às vezes é tão necessário quanto. Apesar de tudo o que aconteceu era inegável o alívio que eu senti desde o dia em que fui embora.

Agora batia uma sensação estranha. Aquele clichezão de que tudo era possível, de que tudo ia acontecer, de que nada estava escrito. Vai ver era verdade, ou sei lá, só coisa de homens solteiros com mais de 30.

Antes de sair pro trabalho a constatação de que coisas mais imediatas tinham que ser feitas. A quitinete estava uma zona completa, meu colchão jogado no chão, os livros e cds e espalhados por todos os lados e o computador montado em cima de uma mesinha que era um convite pra tendinite, etc, etc. No celular, duas ligações não atendidas dos filhos da puta do escritório. Uma mensagem dos meus amigos felizes e casados me chamando pra jantar amanhã, etc, etc.

Como era bom estar de volta.

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Escrito por Barba

março 23, 2008 às 19:51

Publicado em contos

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7 Respostas

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  1. eu amo as minhas coisas imediatas, quero casar com elas de tanto amor. seguro nelas que nem cirança assustada na barra da saia da mãe quando o bozo aparece na festinha de anivesário!

    lulu

    março 24, 2008 em 2:30

  2. Dois.

    Barba

    março 24, 2008 em 2:33

  3. você é imprescindível em sua espécie. ao menos na espécie dos homens que conheço – internet conta como pessoas que conhecemos? não importa.
    vou montar uma lista de homens aqui. cê ta no top cinco numa lista que tem 3 nomes. minhas filhas vão ler de você no livro de literatura da sétima série, têm de ler. se não minhas netas. tesão novo é o que conta. em mim só azia e tal.
    ainda espero a resposta dos nossos bilhetes. espero que nunca chegem, bonito é você assim provocador do mal escrito – espaço do não dito mesmo. imprescindível.

    priscilla

    março 25, 2008 em 2:38

  4. !!!
    Ah, você escreve bem melhor. E sabe disso – ou deveria! Beijo.

    Barba

    março 25, 2008 em 12:52

  5. [...] Vendido #4 [...]

    Vendido #8 « Savoir-Faire

    fevereiro 17, 2009 em 22:22

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    Vendido #9 « Savoir-Faire

    junho 26, 2009 em 1:04

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    Vendido #11 « Savoir-Faire

    dezembro 7, 2009 em 21:23


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