Medo e Delírio na UFMG
Abril 5, 2008
(ou ‘Como Resolver um Problema Simples Apelando para a PM‘)
Que duvida que ‘universidade’ e ‘maconha’ são substantivos intimamente ligados? Sei lá, talvez algum seminarista ou estudante de curso de teologia (se não for a teologia de Jah, é claro). Feliz ou infelizmente é comum ver estudantes – e também professores – consumindo a cannabis nas dependências dos campi. Eu percebi isso logo quando comecei a estudar na UFMG em 1997, no Colégio Técnico. Lá existia uma árvore com o nome sugestivo de Árvore da Paz onde obviamente se aglomeravam os temíveis maconheiros.
Na verdade, no sertão bravo onde eu cresci, maconheiro era uma alcunha genérica pra qualquer consumidor de drogas ilícitas: lembro dessa palavra ser usada para designar um amigo que era viciado em cocaína. Logo, quando eu [ainda] era jeca, achava que os maconheiros eram todos uns fissurados que roubavam dinheiro dos pais para poder “fumar drogas”. Depois de um tempo no Colégio Técnico deu pra ver que isso era mais complexo. Alguns maconheiros não iam à aula, tiravam notas ruins, sumiam durante semanas, torravam a grana toda em fumo, enfim, eram o que eu esperava de alguém que consumia a tal droga. Outros, a maioria, fumavam ocasionalmente e alguns deles chegavam a se destacar como estudantes. Eu não costumava freqüentar a Árvore da Paz, já que nunca fui afeito ao Raul Seixas ou à Janis Joplin, mas tinha alguns amigos que eram maconheiros, essa temível má influência…
Alguns anos mais tarde, já na FAFICH, me irritava ver que a despeito de todo o espaço aberto no campus alguns filhos da p*ta curtiam queimar um baseado numa sala vazia ou mesmo dentro dos centros acadêmicos. Fumar maconha ou não dentro do espaço da universidade já havia deixado de ser uma questão, o problema era fazerem isso dentro de espaços que haviam sido projetados para outros usos – não, DAs e CAs não deveriam ser fumódromos.
Nessa altura do campeonato eu já tinha descoberto que existiam mais usuários de maconha dentro dos meus espaços de convivência do que eu jamais imaginara – e não, não eram só os doidões das ciências humanas. A relação com a maconha era ambígua: em muitos caso era apologética ou hipócrita, com poucos meio termos. Traçada a linha do respeito, as minhas questões de fundo da maconha já eram outras: o financiamento do tráfico pelo usuário; a restrição contra o uso, posse e cultivo da droga; os problemas de saúde acarretados pelo seu consumo; as conseqüências de uma eventual legalização; entre outras.
Enfim, tudo isso pra dizer que se consome maconha nos campi brasileiros com bastante liberdade. Pronto.
[Se alguém ficou chocado ou acredita na predominância do universitário estereotipado do Tropa de Elite, recomendo análise.]
Bem, o caso é que ontem, entre uma leitura e outra na biblioteca, fui na cantina pra tomar um café e me abastecer de nicotina. Obviamente encontrei alguns amigos e resolvi passar aqueles 20 minutos redentores conversando amenidades e etc. Voava um helicóptero por perto, mas nada muito excepcional já que muitos treinam pilotagem voando em cima das nossas cabeças. Quando estou voltando pra biblioteca percebo uma correria estranha, mas nada muito anormal. Termino o texto e o fichamento, volto pra casa.
De manhã, já no estágio docente, um grupo de alunos pede a permissão para falar. Logo imagino que deve ser sobre uma mobilização qualquer e que os caras vão fazer aquele discurso de “500 chavões em 5 minutos” – oferecido de graça pelos partidos comunistas pelo mundo afora – mas nada… os caras contam sobre os acontecidos de ontem [03/04/2008], os quais tentarei resumir.
Em ocasião de expectativa pela famosa Marcha da Maconha programou-se a exibição do filme Grass no IGC – Instituto de Geociências. Grass, para quem não sabe é um documentário dirigido pelo documentarista canadense Ron Mann. Longe de ser apologético, Grass busca explicar o tratamento da maconha no século XX tomando com linha-guia a política [ou histeria] antidrogas adotada pelos EUA. No entanto
Por algum motivo qualquer a Diretora do IGC decidiu não permitir a exibição do documentário. Segundo um amigo que estuda lá – e não, não é maconheiro – ela simplesmente afirmou que o documentário não poderia ser exibido sem alguém se responsabilizando pelo ato e mandou colar um cartaz dizendo que a exibição do documentário havia sido cancelada. Aparentemente alguém se responsabilizou – já que ela chegou a enviar um nome e um número de matrícula para a Reitoria – mas de qualquer maneira a decisão de não permitir a exibição foi mantida.

Poster do perncioso documentário
Não cabe discutir o que se passa na cabeça da pobre diretora, que pediu que a segurança da UFMG fosse impedir a exibição de um documentário distribuído pela Editora Abril – isso, aquela dos Civita – editado no Brasil pela Revista Super Interessante e tudo mais. Claro, a segurança universitária apareceu só para puxar a tomada e obviamente uma discussão acalorada se seguiu. Dois PMs da cavalaria chegaram lá e, quando tudo parecia perdido, após alguma conversa o documentário voltou a ser exibido e os ânimos se acalmaram.
Algum reforço policial chegou e quem quer que estivesse no comando resolveu fechar o prédio – estilão Jack Bauer “ninguém entra e ninguém sai até apurarmos os culpados”. O caos se instaurou quando um estudante – que não tinha qualquer relação com o tal documentário polêmico, subversivo e perigoso – resolveu sair do prédio. Ao ver seu direito de transitar impedido ele tentou argumentar com a PM…
Bem, ele obviamente aprendeu que não se discute com a PM por mais insana que seja a situação – talvez ainda menos recomendável nesses casos onde a ação deles é despropositada. O que se seguiu, obviamente, foi uma confusão entre os PMs, universitários e professores revoltados com a prisão [nonsense] do estudante em questão. Tivemos o prazer de ver 10 viaturas dentro do campus e inclusive o tal helicóptero, que era para dar apoio a essa ação. Depois de alguma conversa e protesto, liberaram o tal estudante. Quando ele estava indo embora, um PM se aproximou dele numa motocicleta e fez alguma provocação – apenas para que o pobre respondesse e fosse novamente preso por “desacato” e, segundo seu relato, com direito a voltinha de camburão e ameaças verbais.
Policiais em geral são despreparados para esse tipo de situação mesmo e também não têm muita boa vontade – não há muita mediação na cabeça dos figuras, então eles sempre dão um jeito de esquentar a chapa em qualquer manifestação, ato ou fala que soe minimamente como “desordem” ou “desacato”. Não dá pra esperar nada diferente. Em 2001, durante a greve, quando ia pro trabalho caí numa situação dessas: quase levei porrada porque estava atravessando a Abraão Caram e a polícia partiu pra cima de meia dúzia que estavam em manifestação por aumento salarial.
Se da polícia não podemos esperar outra coisa, muito me admira que a Reitoria tenha autorizado a ação dos PMs no campus, numa situação que poderia ter sido resolvida de maneira civilizada – e se a diretora do IGC fazia tanta questão que o documentário não fosse exibido, que arrumasse algum argumento mais convincente do que o “não pode”. Mais engraçado ainda é a situação onde trocentos PMs, dez viaturas e um helicóptero aparecem na UFMG para uma ação desproporcional, mas não parecem fazer o serviço muito bem feito quando a questão é garantir a nossa segurança. E bem, enquanto eu escrevo isso, tenho certeza de que existem pelo menos uns cinqüenta baseados acesos pelo campus.
É óbvio que o debate a respeito do consumo e legalização da maconha deve acontecer, principalmente para reunir pontos de vista que sejam diferentes do clássico discurso dos maconheiros ["Abrir a cabeça cara..."], dos carolas ["Deus te ama: diga não às drogas"] e dos legalistas ["É ilegal e pronto"]. A maneira como todo esse processo foi conduzido mostra que quando usuários [e estudantes em geral] se dispõem a falar sobre o tema são logo interpretados pelo viés da apologia – que é só mais uma maneira de encarar a questão. Podemos escolher trabalhar em cima de um ideal ou lidar com a realidade: é ilegal, mas nem por isso um mundo de gente deixa de consumir para “abrir a cabeça” – pena mesmo é o fato de Deus não amar ninguém nessa história.
Editado 05/04/08
Alguém pode esclarecer se esse “jogar pedras” aconteceu mesmo? Infelizmente minha experiência em intervenções da PM no que quer que seja se resumem ao seguinte: chegam batendo e depois inventam um ocorrido pra se justificar, ou simplesmente invertem a ordem dos acontecimentos. Por ocasião de um protesto de rua, um PM quebrou braço de um conhecido e quando foi explicar o acontecido mostrou alguns arranhões na perna dizendo tinha sido agredido. As feridas dele já tinham casquinha, tavam até cicatrizando.



Abril 5, 2008 at 3:42 pm
Bom texto como sempre Barbi.
Com alguns deslizes na análise de um velho comuna, rsrsrs.
Brincadeiras a parte vamos vê o que esse epsodio todo não vai dar. Porque -sim- sim infelizmente isso tudo vai dar em nada, após os 15 minutos de choque tudo voltará ao normal. E – sim – essa é a grande desgraça de nossa época o medo do debate, de ter opinião e de levar a sério coisas que são sérias. De fato qualquer um que tenha opinião, debata e leve várias coisas a sério, tende a ser caricaturado. Aliás caricatura tão bem descrita por você a respeito dos maconheiros. e _sim- não é somente na roça na BH bucólica do começo dos anos 80 e -sim- não estou sendo irônico, ela era assim mesmo, pelo menos em alguns dos nobres bairros de nossa burguesia, ser chamado de maconheiro era dos palavrões mais perigosos. Alias todos que saiam do que era definido como cero eram maconheiros, era um tal de apontar maconheiro na rua: aquelas barbados, de jaqueta de couro, cabelo grande, músico e etc.
Abril 5, 2008 at 4:28 pm
“E – sim – essa é a grande desgraça de nossa época o medo do debate, de ter opinião e de levar a sério coisas que são sérias.”
Carlos não sei se é o medo do debate, de ter opinião de falar o que pensa. Pra mim é pouca clareza e pouca capacidade de agir e de se expressar mesmo. Chamar a reitoria de fascista ou os estudantes de maconheiros dá na mesma. Todo mundo berra muito alto, mas ninguém discute.
Essa coisa do “maconheiro” mesmo é foda… eu tenho muita raiva desse tipo de estereótipo alienante. Um mês antes de eu entrar no COLTEC, um tio me disse pra eu tomar cuidado, porque os maconheiros podiam pregar um adesivo em mim e aquilo era ácido e ia me deixar louco pro resto da vida. O cara, que é pastor evangélico, obviamente não tem a mínima noção de nada sobre isso e me falou pra tomar cuidado com uma coisa que simplesmente não existia – vê lá quem ia sair distribuindo ponto de LSD pelo colégio…
As pessoas ainda vivem nesse reininho moralista cheio de “maconheiros” perigosos, de “veados” aliciadores, de “barbudos” asquerosos, e roqueiros “doidões”.
Abril 5, 2008 at 8:43 pm
tanto administradores quanto a polícia são ridículos, não é mesmo?
Os “maconheiros” são meio abusadinhos mas acho que deveriam educá-los e não espacancá-los. É fogo pensar que estão na faculdade pública para queimar fumo em vez de estudar.
Mas isso é coisa do sistema. Enfim. É raro andar a visitar blogs por causa das minhas limitações. É sempre um prazer ler teus textos, sobre assuntos relevantes e bem eecritos.
Aqui nos EUA o problema da maconha sempre foi o medo das minoriss étnicas, que consumiam a droga.
Abril 5, 2008 at 9:19 pm
Pois é, tem gente não leva nada a sério e passa o curso inteiro queimando fumo – felizmente são poucos, se levar em conta o número de estudantes de lá. No fim das contas cada vez menos é possível se estereotipar o usuário da cannabis.
Também não ando lendo nada Dona Tina. Pós-graduação é fogo…
Abraço
Abril 7, 2008 at 1:25 pm
Acompanho o movimento estudantil na UFMG e tenho notado que este, sobretudo dos alunos do IGC, só tem brigado com a Reitoria por alguns motivos interligados: liberação de festas no campus, liberação da venda de bebida alcoolica e agora para exibição de filme sobre maconha. Ou é impressão minha ou estes alunos acham que a liberdade de expressão e o direito de ir e vir está resumidos no espaço de acender e fumar um cigarro.
Abril 7, 2008 at 1:33 pm
Simone,
Por mim que eles briguem pelo que acham justo, pelo que querem – por mais superficial que isso possa parecer. Não acho que as festas no campus deveriam ser proibidas, mas também não freqüentei muitas pra sentir a falta delas.
Já a questão do filme sobre a maconha entra em outra categoria… é mais do que acender o cigarro. É a exibição de um documentário que tangencia a questão da proibição e conseqüente instauração do tráfico nos EUA e no mundo. Se esse debate seria levado por eles de maneira leviana e apologética ou de maneira séria não vêm ao caso: o documentário em si não deixa de ser interessante e a discussão não deixa de ser válida.
Já sobre a liberdade de ir e vir, sei que o rapaz que foi preso não tinha nada a ver com o documentário e estava estudando antes de tentar sair. A maneira como o acontecimento foi tratado pela PMMG, pela diretoria do IGC e pela UFMG continua sendo lamentável.
No fim é chato ver essa caricatura do universitário doidão sendo repetida à exaustão como justificativa pra arbitrariedade da diretoria do IGC e pelo abuso de autoridade da polícia.
Abril 8, 2008 at 11:10 am
Para mim, mais dolorosa é a caricatura de Reitoria truculente e polícia intolerante, como se os universitários fossem meras vítimas e não responsáveis por seus atos inconsequentes.
Abril 8, 2008 at 11:28 am
Sim, mas não é o caso aqui. A questão é que desacatar a diretoria de um instituto sobre o uso de um espaço não deveria ser algo passível de uso da força e sim de punição institucional. Além disso, a diretora do IGC se recusou a estabelecer qualquer diálogo antes do acontecido e desconhecia o teor do documentário. Ela realmente acionou a segurança achando que se tratava de apologia.
A polícia é sim intolerante, se presta a isso. O ato de fechar o prédio, quando a situação já parecia resolvida, mostra que o comandante da operação não foi sensato. De toda forma, ela estava lá como último recurso.
O correto, claro, seria um diáologo prévio e bem estabelecido entre a diretoria do IGC e os alunos que gostaria de exibir o tal documentário. A diretora não conseguiu encontrar qualquer alegação justificável para
coibir o ato. Como não estamos mais nó século XVIII e a autoridade não pode nem deve ser exercida através de atos sem justificativa, ainda mais embasados em moralismo, acho mais que natural que os alunos tenham exibido o documentário.
Pena que essa queda-de-braço institucional tenha sido resolvida dessa forma.
Quanto à polícia, novamente, sinto que muitas experiências com ela sejam ruins e me dêem uma má imagem da corporação. Esse exemplo do braço quebrado no protesto – que aliás, nem era isso, era uma manifestação, que não fechava rua ou destruía nada – é típico, é algo recorrente. Pior são as “gerais” mal-educadas, as tentativas de extorsão, etc.
Nada disso quer dizer que a polícia não devia estar no campus: quando não havia convênio aquilo lá era um inferno. Só gostaria que ela não fosse acionada em questões tão banais quanto essa.
Abril 8, 2008 at 6:13 pm
Deixe-me dizer uma coisa, moro na Vila Cafezal aqui em BH, sou negra e pobre, embora com curso superior em Ciências Sociais. Então sei bem o que é truculência policial, mas desde quando estudei na Federal e até hoje quando passo pela Fafich e IGC vejo os mesmos de sempre, que se permitem ser estereotipados pelas suas ações: centros acadêmicos fechados para uso de drogas, festas em que sobra tudo, menos debate e um movimento estudantil que só dá visibilidade a questões supérfluas. No caso da maconha, não querem discutir a legalização por este ou aquele motivo, caso contrário teriam levado as duas versões de opinião, os que são contra e os que são a favor. Pois o vídeo é, sim senhor, apologista à maconha. É tendencioso assim como a edição do Superinteressante que o acompanhava também o era. A única luta deles é pelo direito de fazerem apenas o que querem, um exercício da liberdade irresponsável como se não estivessem cientes de que podem controlar apenas as suas ações, mas as consequências podem ser além do que esperavam. Aqui do lado de fora, onde a vida é mais dura e a sobrevivência por vezes dolorosa, é-me difícil confraternizar com um bando de estudantes que no final riem de tudo.
Abril 8, 2008 at 8:24 pm
Simone,
Se você leu meu texto sabe que eu sou totalmente contra o consumo de drogas dentro das unidades. Acho que os alunos abusam de uma liberdade que eles possuem para quebrar uma lei dentro dos campi.
Sobre o vídeo é “sim senhor” apologista eu discordo. Isso é parte da sua opinião, e talvez de um desconhecimento do que é apologia. Fazer apologia ao uso da maconha não é o mesmo que ser contra a sua proibição. Seu eu digo que o rivotril tem propriedades médicas importantes não quer dizer que sou a favor de seu uso de maneira indiscriminada e irresponsável. Seu eu digo que uma legalização da cannabis seria melhor para a sociedade como um todo, não falo que a droga devia ser consumida porque é saudável: ela não é. O consumo de TODA e QUALQUER droga – medicinal ou recreativa – não deveria ser colocado de maneira irresponsável e muito menos analisado sob um viés moralista.
Enfim, como eu coloquei no meu texto – e está lá na entrelinhas – o abuso de liberdade se faz no CONSUMO da cannabis, no desafio à lei que é colocado dentro dos campi. Se a exibição desse vídeo seria uma chance de promover um debate saudável ou promover a continuidade da irresponsabilidade de meia dúzia, pouco importa: é um ato que não deveria, sob qualquer justificativa, ser censurado.
Tenho minhas críticas ao pessoal do DCE, quem me conhece sabe que nunca fui afeito ao movimento estudantil e suas ações que praticamente visam criar políticos de base. Acho um saco. Passo mal com mil coisas que os caras falam e, no entanto, nada disso vai justificar o erro da PM.
Nem isso nem a vida difícil aqui fora.
Abril 8, 2008 at 9:06 pm
A violência que polícia comete deveria ser uma só, mas não é. Quando eu andava com uns amigos do Saudade, São Geraldo e Pompéia, era abordado pela PM de maneira que nunca aconteceu quando eu estava andando pela Pampulha, ou pela região Centro-Sul.
Agora, sei lá, parece meio simplório querer que a PM bata feche institutos ou bata em estudantes por causa disso. Ela deve usar a violência arbitrariamente em todo mundo igual ou deveria agir com dois dedos de ponderação? Sei lá. Você deve ver todo dia o dobro do que eu já vi colando em morro, e não deve ser nada bonito.
Mas é o esquema… contradição é apoiar a truculência policial num episódio desses. Ou fazer como muitos e chamar o estudante preso de “vagabundo” e “maconheiro” – quando ele não tinha nada a ver com o vídeo.
Sobre sua experiência na UFMG, só posso lamentar. Eu ainda acho que essa galera que é doidona e vive na cola do papai é minoria – barulhenta mas minoria. Não dá pra fazer um discurso em prol de abuso de autoridade e violência contra estudantes porque eu não gosto dos doidões de DA – parece o discurso escroto que às vezes se houve dizendo que a polícia está certa em dar “dura” nos moradores das favelas porque “lá tem bandido”.
Vou continuar sendo a favor da legalização da cannabis porque acho que é uma droga que vai criar um pequeno impacto na saúde da população; porque tirá-la das mãos dos traficantes vai fazer com que eles não possam oferecer outros entorpecentes aos usuários que vão buscá-la; entre outros motivos.
Bem, ao final, a meia dúzia de figuras continua orbitando em volta do movimento estudantil. E não é porque eu discordo ou não gosto deles que vou endossar ess ação da PM no campus.
Junho 20, 2009 at 4:32 am
Vocabulario Cannabiano:
“Abrir a Cabeça” = Dar oportunidade a novas ideias sobre oque realmente eh a maconha.