PMMG Autista
abril 7, 2008
Mesmo com todas as testemunhas da presepada, a PM ainda insiste na desinformação como tática pra cobrir o abuso ocorrido no dia 03/04/2008. Seria legal se o tenente-coronel em questão soubesse que não se estava organizando nenhuma “marcha pela maconha” no IGC naquele dia. O evento em questão é a Marcha da Maconha, que busca desmistificar o estereótipo do usuário da droga e estabelecer a discussão sobre sua legalização, que é muito diferente de apologia a seu uso – e ele será realizado no mês de maio. Já a aluna “atingida por pedrada arremessada pelos estudantes” obviamente foi agredida pelos PMs, como ela mesma alegou.
Olhando o que ocorreu na UFMG acabo tendo que dar razão àqueles que são a favor da legalização. A proibição na década de 30 criou o tráfico, um componente perigoso no panorama de violência urbana, o uso só vêm crescendo até então – tanto pela cannabis ter se tornado um símbolo de rebeldia quanto pela melhor informação sobre as conseqüências de seu uso.
Foda mesmo é ver a PMMG, que não dá conta nem da segurança do meu bairro, enviando dezenas de policiais e um helicóptero, gastando dinheiro público para fazer coro com a incompetência administrativa com a qual a UFMG lidou com esse evento. Vai ver é o efeito Tropa de Elite na cabeça dos valorosos homens da lei, celebrando o novo senso comum que enxerga o estudante universitário como criminoso e desocupado.


abril 7, 2008 at 8:03 pm
Eu sei que nada justifica a atitude da PM (absurda), mas na minha humilde opinião, essa passeata ou evento, ou sei lá o que, foi, em si, uma palhaçada. Usuário é crimisoso porque sustenta o tráfico. E merece ser punido como tal. Me chame de facista, mas enfim… se discriminalizar, será que a coisa melhora? Eu sei que ninguém vai parar de usar drogas por conta de proibição. Mas eu sou contra todo e qualquer tipo. Se proibissem álcool, pra mim não ia fazer a menor falta. Nossa sociedade idolatra a bebida como se fosse algo necessário. E nada mais é, do que mais uma merda que controla a vida das pessoas.
abril 7, 2008 at 8:05 pm
(Ok, meu comentário ficou total nada a ver e vc vai usar algum argumento – que eu nunca consiguirei rebater – conta ele. Mas… opinião dada).
abril 7, 2008 at 8:45 pm
Julia,
A passeata é uma palhaçada porque quer mostrar que os usuários da cannabis não estão dentro do estereótipo de marginais? Por que quer trazer a discussão a respeito da proibição da droga?
Olha se o usuário é criminoso porque sustenta o tráfico, deixe que ele plante e consuma sua própria droga… Pelo que se lê em qualquer tutorial de plantio, a cannabis pode ser facilmente plantada e preparada para o consumo em pequena escala: não exige uma indústria do tráfico.
Em vista do que ocorre hoje, acho que descriminalizar é a coisa melhor sim. Talvez você não saiba, mas a cannabis era consumida no Brasil sem qualquer restrição até a década de 30. No século XIX era uma droga associada aos escravos de determinadas partes da áfica, chamada de cânhamo-da-índia – quando eu trabalhava com relatos de viajantes, sempre tinha algum comentando algo sobre ela, sem maior alarde.
Se você é contra todo tipo de droga, vamos começar então fechando as farmácias: fluoxetina, diazepan e anfetaminas também são tóxicos perigosos e podem viciar, não? No entanto cada vez mais pessoas dependem do consumo delas para regular seu corpo e funcionar no dia-dia. A cocaína e heroína já foram drogas vendidas em farmácias. Frente ao problema do vício e do uso recreativo delas sua proibição foi escolhida. Hoje temos que lidar com o problema do vício E da violência gerada pelo tráfico…
Drogas são drogas e seu consumo – para fins terapêuticos, sagrados, medicinais ou recreativos – são fenômeno universal da humanidade. A civilização começou na Suméria junto com a fabricação da cerveja, o consumo da cannabis pode ser dignosticado em tempos pré-históricos, etc…
Se eu sou a favor de se discutir as conseqüências e problemas de uma eventual legalização é justamente porque sei que drogas – todas elas, ilegais ou farmacêuticas – são sim perigosas e que seu consumo nunca deveria ser tão leviano quanto alguns tratam.
Se as drogas são uma merda que “controla a vida das pessoas” pelo menos elas devem ter o direito de escolher ter suas vidas controladas. Se o indivíduo quiser consumir tóxicos em excesso, se fuder e morrer de overdose o problema é dele. É melhor isso do que fazer o cara gastar dinheiro na sua droga que mais tarde vai virar arma e ser pior pra um terceiro.
Opinião eu acho que todos têm o direito de emitir – mundo ridículo é o mundo do consenso. Ideal seria se ela fosse uma opinião informada, embasada, etc.
Abraço
abril 7, 2008 at 8:48 pm
E outra: leis não são sempre corretas e não estão gravadas em pedra. Se não houvesse abertura e debate, a escravidão ainda poderia estar aí, gays poderiam ser condenados à fogueira e as mulheres estariam dentro de casa, sob a tutela de um marido que poderia matá-las em caso de “desonra”.
E se essa for a postura das autoridades toda vez que a sociedade tentar discutir um problema, estamos fudidos e estagnados mesmo.
abril 7, 2008 at 9:05 pm
Depois de ler esse post e comentar, eu li seu post anterior, e sua resposta, e foi mais esclarecedor.
Enfim… obviamente não sou contra o uso de drogas para fins medicinais, e sim para fins “recreativos”. Mas ao mesmo tempo vc sabe que eu respeito quem usa, mesmo que eu não concorde, e acho que cada um sabe de si.
E se todos soubessem usar a coisa com moderação, não seria contra, e também seria a favor da descriminalização. Mas infelizmente, o que a gente vê é que a maioria usa a coisa irresponsavelmente, sustenta a criminalidade e fode tudo. Digamos que eu sou a favor do uso responsável das coisas, mas como as pessoas não sabem fazer isso, por mim seria proibido. Mas a vida mostra que isso também não funciona e o mundo está deveras fudido. Mas a gente vive assim mesmo, né?
Mudando de assunto, quando vc vem em SP visitar a gente?
bjo
abril 7, 2008 at 9:30 pm
Eu sei, eu sei. É um tema delicado e complicado mesmo, fica meio difícil saber pra onde puxar.
Se tudo der certo, mas certo mesmo. Dou um pulo aí em agosto.
Abraço!
abril 7, 2008 at 11:24 pm
Cara, achei q vc mandou bem demais com o “efeito tropa de elite”..acho q tem tudo a ver.
abril 8, 2008 at 12:34 am
pra mim a legalização nada mais é do que uma questão de respeito pela escolha. tá mais ou menos no mesmo paralelo do casamento gay, é o estado precisando deixar de ser um bloco monolítico pra legitimidade de algumas alteridades. se fosse o pó teria que envolver um debate sobre saúde pública etc., mas não no caso do fumo, passa longe demais disso, obviamente. (pelo contrário, come-se bem, dorme-se bem, escuta-se boa música (humores melhores) e em muitos casos permite um chute na bunda da chatice da terapia!!!)
abril 8, 2008 at 12:44 am
Quem dera fosse simples assim Felipe. Hoje em dia os caras têm preferência por plantas com um índice altamente insalubre do princípio ativo THC. Há uma série de problemas relacionados ao consumo dessas variedades e etc. Mas claro, nada comparado aos problemas causados, por exemplo, por uma legalização da heroína e do crack.
abril 8, 2008 at 5:54 pm
Muito boas as colocações. Deve-se acrescentar que a proibição destas drogas não se dá por uma questão de saúde, mas por sua natureza psicoativa. Questão de saúde mental, até diriam alguns, porém, como se sabe, a proibição da maconha após os anos 30 se deu por uma determinação de uma comissão sem a menor autoridade sobre o assunto saúde, um equívoco diplomático que passou despercebido numa sociedade de moralismo fofoqueiro. O que é proibido não é onerar o estado com os custos do vício, é a alteração dos sentidos e dos pensamentos, é proibido ficar “chapado”, mesmo. Cabe perguntar: proibido por quem, e qual a legitimidade da opiniao destas pessoas? Drogas psicoativas estão associadas a estudos psiquiátricos e neurológicos, envolvendo o controle e possível cura de males como o de Alzheimer, por exemplo. Com a tecnologia que temos atualmente, se a sociedade desejasse poderia-se até mesmo desenvolver-se novas drogas recreativas que não causassem melefícios extensos à saúde física e mental, mas na ilegalidade não falta cola, crack e outros drogas improvisadas, que continuam destruindo as mentes descartáveis de pessoas que não interessam muito à “legalidade”. Estas drogas podem ter sido proibidas num grande engano moralista, mas permanecem proibidas por motivos mais sinistros: porque não há nada mais rentável que tráfico de drogas, e quem lucra mais nesse mercado não é o traficante na biqueira, são os grandes investidores do tráfico espalhados por vários setores da sociedade bem longe das câmeras.