Quando a história bateu pela primeira vez na caixa postal, juro que pensei: é trote. Notícia assim, que chega num primeiro de abril, jornalista não acredita. Mas que nada. A história já circulava na França desde o fim de março: a subsidiária francesa da Sony BMG está sendo processada por pirataria.
Aconteceu assim: um funcionário da empresa, confuso com um software específico, ligou para o telefone de suporte técnico. Um tanto incrédulo, o sujeito do suporte no outro lado da linha constatou que o número da senha estava na lista dos piratas.
O passo seguinte foi enviar uma equipe da Business Software Alliance para fazer uma investigação. Foi encontrada uma quantidade de softwares piratas que não acabava mais. Há um processo em curso.
Em grandes empresas, é o tipo de coisa que acontece a toda hora. Ninguém conta. Mas assim é que é.
Cópias “ilegais” aparecem de várias formas. A mais comum é a instalação por funcionários não autorizados que encontram algum tipo de brecha no sistema. Mesmo quando os computadores não permitem a instalação, sempre há um jeito. Mas há outro tipo de hábito recorrente.
Um determinado funcionário precisa de uma cópia, digamos, do Photoshop. O suporte é convocado. A máquina dele não tem licença. Uma requisição é feita ao departamento financeiro. Sem a mínima vontade de estourar o orçamento do trimestre, ou do semestre, o pedido é negado. Quem sabe no mês que vem. Ou no seguinte.
A necessidade de ter o programa para trabalhar naquele momento – e não no mês que vem – não muda em rigorosamente nada. Então o programa é instalado. Raciocinam assim: é um empréstimo. Em pouco tempo, a licença será comprada e a situação, regularizada.
A promessa feita com toda sinceridade do mundo é simplesmente esquecida. Ou, então, o déficit de licenças é sempre mais ou menos constante. Piratarias de software e de música têm naturezas diferentes, alguns podem argumentar. A música serve para entretenimento. O software, muitas vezes, para trabalho.
Ainda assim, é preciso encarar de frente uma situação no mínimo constrangedora. Uma das maiores gravadoras do mundo – a Sony BMG –, justamente uma das mais engajadas na luta contra a “pirataria” da música nas redes de troca da internet, é também pirata. A diferença é que a sua pirataria é contra outra indústria.
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Eu sempre disse isso. SEMPRE. Quem já trabalhou em qualquer empresa sabe que, por mais que se tente, é complicado não piratear nada. Acontece que as exigências técnicas da atualidade tornam necessários diversos tipos de software e nem sempre é possível adquirir licensas. Lógico, isso não é desculpa para piratear e cada vez mais alternativas gratuitas estão sendo oferecidas na internet, muitas vezes em open-source.