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O desvelar de possibilidades se dá como um jogo de espelhos. Avesso, inverso, refletido. O que se possui de antemão pode ser uma abertura, onde caminhos se despem ante o poder do estabelecido. Pode suceder que o de antes se faça tal qual o grilhão, prendendo o desaventurado em um mundo no qual torna-se fundamental, fechando a possibilidade de rumos outros. Poucos daqueles que se colocam frente aos espelhos da possibilidade notam que os reflexos são mútuos. Desbravar caminhos inauditos exige mais do que o poder de romper estabelecido. É preciso saber agregar aquilo que chega, exercitar a aceitação de dores e dádivas. Percorrer o que não foi trilhado é, antes de tudo, uma questão de generosidade.

