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Amores Brutos #20

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Carta para X

Do lado de lá não há nada que reste. Que preste. Apenas os mesmos rasgos gastos, as marcas antigas daquilo que não foi. Do lado de lá não há conforto, como nunca houve nesse ou em qualquer outro. Há um bocado de conveniência, uma infelicidade residente, um muro construído em dívidas, o controle sutil. Aqui nunca houve nada que não fosse o ensaio de um delírio duplo, de uma embriaguez construída por detrás do mundo. Talvez isso não seja nada, talvez isso seja muito menos do que um tanto que não resta. Mas aqui, aqui mesmo, fundamos o império do impossível, com seu regente manco e caolho, dono da chave para todos os prazeres e sofrimentos do mundo conhecido. Agora que um exército atravessou as montanhas para carregar toda a beleza de volta para longe, para esconder aquilo que foi dentro de uma toca gélida… agora eu me recolho. A hora de seguir já passou, para todos nós.

Escrito por Barba

agosto 2, 2008 às 21:10

Publicado em amores brutos, contos

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