12:08

Agosto 4, 2008

Nada soa mais estranho do que o familiar. Você percorre as ruas onde cresceu, onde caiu e aprendeu a andar, e percebe que, no tempo presente, elas te diminuem. Uma redução preenchida por lembranças confusas, nomes impossíveis de recordar, pessoas indesejadas, experiências quanto mais. As ruas que um dia foram convidativas, espaços livres, hoje se desenham como uma teia pegajosa, um traçado de aprisionamento. O vôo por essas vias é possível apenas em sonho… embalado por um cheiro alheio, deitando sobre a maciez de muitos goles e nuvens de fumaça espessa. Não se anda por lá sem um corpo ou um corpo à mão, sob o perigo de perder-se, de nunca encontrar o caminho de volta.

One Response to “12:08”

  1. Elisa Massa Says:

    “… pois esse estranho não é nada novo ou alheio, porém algo que é familiar e há muito estabelecido na mente.”
    (FREUD, 1974, p. 301)


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