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Me impressiona o quanto a questão indígena no Brasil é tratada na base de “dois pesos, duas medidas¨. Mílicias que abrem fogo contra índios desarmados são tratadas como ilegais, mas logo depois o apresentador de jornal se esmera em dizer que os indígenas haviam adentrado em terras alheias – daí não se explica, mas se justifica o ato. Menos de uma semana depois, numa discussão acalorada, o braço de um engenheiro é cortado. O escarcéu leva semanas de atenção, com direito a todo tipo de discussão e intriguinha a respeito de quem teria comprado os facões, de como os povos indígenas do Brasil seriam violentos, etc, etc, etc. Não sou a favor de qualquer violência desse tipo e não acho que nem nenhum dois casos tem qualquer justificativa plausível.
Só acho impressionante a sociedade nacional se questionar a respeito de uma suposta imunidade penal dos indígenas e se fechar a respeito de qualquer discussão das muitas violências que eles têm sofrido. Ontem, contabilizei o terceiro assassinato de índios por não-índios na etnia com a qual trabalho, em menos de um ano.
Durante o processo de regularização territorial, ou de “luta pela terra” como eles preferem chamar, os Xakriabá sofreram inúmeras violências- entre chacinas, roubos e expulsão de famílias. Os responsáveis e mandantes estão por aí, livres, alguns ocupando cargos de destaque na política da região. O assassinato de ontem teve motivação clara, um recado aos indígenas que se envolveram na política regional como maneira de trazer melhorias para seu povo. Os dois primeiros ficaram impunes e espero, ainda que não muito, que não seja o caso para esse. Alguma justiça há de haver.
… e duvido que o Jornal Nacional gastará mais de 2 minutos com isso.


