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Governador de Roraima = survey ambulante

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No Terra:

Já foi debatida no Congresso uma proposta de plebiscito para resolver essa questão. O que o senhor acha dessa idéia? Quem está distante do cotidiano de Roraima fica sem saber quantos índios de fato apóiam a demarcação contínua…

A gente tem a expectativa de que 70% a 80% dos índios não apóiam essa demarcação contínua. São índios aculturados, que já vivem num mundo diferente. Eles querem estudar, ter celular, bicicleta, querem faculdade, internet com banda larga. Eles não querem mais essa segregação.

De onde saíram esses números? Onde diabos terra contínua significa segregação? Só nas crônicas do Hélio Jaguaribe ou na cabeça de senhores comprometidos com agronegócio feito por grileiros. Terra contínua é garantia e riqueza, pode ser justamente a maior chance de poder aos povos indígenas para poderem usufruir do que a modernidade lhes oferece – e os índios sabem disso muito bem. É curioso notar como a negação a qualquer coisa que cheire a modernidade como condição do “ser índio”. A nós, modernos, cidadãos, ocidentais, está reservada a última instância de uma identidade preservada sob qualquer suspeita, passando por quaisquer mudanças. Para os outros, o necessário é provar uma condição qualquer, passar pelo crivo superficial do que um burocrata define como “acultução”.

E, independente disso, acho muito mais questionáveis os antecedentes dos nossos amigos de Roraima. A galerinha de lá é da pesada.

Escrito por Barba

agosto 27, 2008 às 14:43

Publicado em antropologia, política

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