Zenware e o Downgrade
Embora eu seja, de certo modo, entusiasta quando se trata de informática e bugigangas eletrônicas não costumo pirar em upgrades e updates em geral. A grosso modo uso o computador para
Internet: o vício em informação faz com que eu leia muita coisa Wikipedia e em trocentos portais e blogs. Recentemente tenho canalizado isso pra academia, e passado mais tempo lendo artigos e entrevistas que (espero) vão me ajudar na dissertação. Para isso eu uso o Firefox e o Foxit Reader – bem mais leve que o Adobe Reader.
Texto: escrevo para o trabalho, para o mestrado e por prazer. O Word 2000 tem sido meu companheiro nos últimos 8 anos, bem como o Notepad (entre 2002 e 2004 cheguei a escrever alguns trabalhos da faculdade nele). Os editores do Blogger e do WordPress também são meus amigos, especialmente porque não preciso transportar documentos quando estou escrevendo neles. No Xandros prefiro usar o Kwriter, configurado com uma tela preta e letras verdes, para fazer fichamentos e anotações em aula. A grande função que o Word me oferece, além das ótimas opções de formatação, é o controle de alterações e os comentário – essenciais para se escrever em conjunto.
Tratamento de Imagens: Photoshp CS e, mais recentemente, o Adobe Lightroom dão conta do recado. O GIMP também não faz feio, aliás, para o que eu preciso ele é bem tranquilo.
Jogos: Cada vez menos, grazadeus. Jogar é bom, mas não recomendo a ninguém fazer isso no mesmo computador que usa para trabalhar. Costumo jogar clássicos de SNES, Genesis e Arcade – coisas que não tomam tanto tempo quanto deveriam. E. nada, nada de MMORPGs, managers online ou shooters – isso consome a vida das pessoas.
Música e filmes: Meu Gradiente velhão toca vinil e cassete. Como tenho poucos vinis, que ainda estão emprestados, e usei todas as minhas fitas para gravar entrevistas, faço uso da boa e velha mp3 e de CDs. Para isso o uso o computador ligado ao aprelho som. Também uso o PC para assistir DVDs. Mas faço isso com pouca freqüência.
Durante uns bons anos (1999-2004) usei um computador que tinha a seguinte configuração: Processador de 500Mhz, 64MB (mais tarde 128) de memória RAM e 4GB (mais tarde 7,2) de espaço em disco. Não era a melhor coisa do mundo mas me serviu para tudo o que eu precisava. Comprei o PC novo no final de 2004 e ele também não foi nenhum top de linha – agora muito menos.
A questão é que eu preciso de computador para muito pouco. Meu PC velho fazia, e certa medida, tudo que o de hoje faz e me atendia satisfatoriamente, apesar de não permitir trabalhar em com muitas tarefas ao mesmo tempo. Um computador novo amplia o conceito de uso e acaba “criando” novas necessidades.
Isso nem sempre é bom,porque o necessário para trabalhar com competência pode ser muito pouco. Poder escrever com o navegador, o gerenciador de e-mail, o leitor de PDF e o messenger abertos pode facilitar a vida bem como criar distrações, favorecer procrastinção e etc.
Muita gente (provavelmente quem tem problemas em se concentrar como eu) também pensa assim. E a partir disso surge toda uma noção de uso “minimalista” do computador. Pra quê um gerenciador de feeds no desktop que te permite postar no Twitter? Para que serve um editor de texto com mil opções de formatação quando tudo o que você precisa é simplesmente escrever?
A partir de questionamentos como esses é surgiu o conceito de Zenware – que conheci através do Magaiver. A idéia é fazer programas que proporcionam uma espécie de “volta às raízes” da computação, isolam fatores de distração e permitem que você se concentre no que precisa fazer.
Os dois programas desse tipo que testei foram o Darkroom e o Q10, editores de texto bem simples. Ambos abrem uma tela escura que cobre todo a Área de Trabalho e permite que você se concentre apenas no que está escrevendo.
O Darkroom foi o primeiro programa ao qual tive acesso. Peguei numa das épocas em que tinha transcrever entrevistas e fazer relatórios a perder de vista. No meio de uma das deadlines mais insanas ele foi crucial pra que eu conseguisse dar conta de mais de 270 minutos de falas importantes e difíceis de compreender. É um programa mais simples, cru, praticamente um Notepad bombado.
O Q10 me foi apresentado pelo Rocha na semana passada. Esse funciona de maneira mais interessante que o Darkroom porque trás recursos que enfatizam a produtividade. Você pode programá-lo para uma certa meta de caracteres por sessão e usar o (muito bem-vindo) corretor ortográfico do BROffice. Além disso ele simula o barulho de máquina de escrever enquanto você digita – o que alguns podem achar insuportável mas eu curti demais.
No caso, eu escrevo os textos e depois uso o Word ou Open(BR)Office para formatar se for necessário. Mas como, em geral, tratam-se de fichamentos, acabo usando trechos dos txts em trabalhos maiores. Não há coisa melhor que um computador livre de distrações.


Sim, distrações no computador acabam te impedindo de progredir no que vc realmente precisa fazer. Tem horas que preciso me desconectar da internet pra não sair da linha.
E como cada dia surge uma modinha diferente (twitter, facebook, etc), eu vou criando mil perfis e eles ficam abandonados por aí depois de um tempo. Tou tendo que fazer uma faxina virtual, e me concentrar apenas no que é importante. Hard work.
Julia
setembro 5, 2008 em 14:05