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E de repente não acreditava mais em coisa alguma. No íntimo ninguém acredita em ninguém, o que torna uma boa dose de auto-engano necessária para conseguir o mais fino sopro de vida. Aos indignos, à multidão, a vingança consiste na ignorância, na dissimulação, no caráter duplo de cada palavra e cada olhar. Porque, mesmo que se queira dizer a doçura, não há qualquer maneira de conter a fumlinância involuntária, a vontade de ver tudo desabar, de rir por cima dos escombros. Qual a distância existente entre a desconfiança e a sensatez? Se ser razoável é ser pragmático, a paranóia é última sabedoria. A brutalidade a última força. O ódio o último sentimento – e tudo se destila em indiferença. E só então pode se voltar a crer
no que quer que seja.

