BeanStorm
setembro 9, 2008
Em algum momento entre as doses de mescal e café colombiano as coisas começaram a fazer sentido. Havia um coelho, sentado num canto. Um coelho rosa, gigante, com uma motossera. Elétrica não, a diesel. A coisa real. Parecia um garoto propaganda de alguma madeireira cujo departamento de marketing é dirigido pelo filho do dono. Animais, motosseras, conservem as florestas, desenvolvimento sustentável. Quase acreditei em tudo e pedi que o coelho salvasse o mundo, porque ninguém pensava mais nisso. Não com quarenta graus lá fora e as bolas colando na perna enquanto eu andava… o carbono já estava todo lá.
Acendi um charuto e observei coisas com um outro olhar. Quer dizer, era pra ser um workshop, mas parecia uma convenção de loucos. Novas tendências da mídia, eu diria. E como não havia nada de novo a ser feito, as coisas simplesmente pararam de fazer sentido. Pensei nisso quando descobri que os cachorros da minha ex estavam viciados em pó. Noiadões, assim. Quer dizer, que mundo é esse?
O charuto, maravilhoso, enrolado na coxa firme de algumas trabalhadoras dedicadas de alguma república obscura da América Central. Como aquilo tinha vindo parar nas minhas mãos? Da coxa de tão maravilhosas senhoras para os meus lábios podres. As colegiais japonesas, porra. elas suportam cada coisa. Eu vi naqueles filmes… ninguém podia gostar de assistir aquele tipo de coisa.
Quando tudo mais perde o sentido, não há mais nada para se procurado. Quanto menos encontrado. Eu pensei nisso enquanto a dose batia, e tive uma visão do que parecia ser a Sagrada Família cantando Great Balls of Fire. Um dos reis magos estava no piano, outro no contrabaixo. Maria dançava com o terceiro e José cantava mais alto do que devia. O Menino Jesus era o baterista.
Com uma visão dessas eu poderia fundar uma Igreja. Se eu fosse um patriarca religioso ia me concentrar em atrair seguidoras, jovens seguidoras. Minha religião seria um culto cósmico à deusa, alguma babaquice Wicca que traz meninas loucas pra ficarem nuas e correr pela floresta. E consumar o sacrifício, hehehe.
Mas eu estou perdendo o ponto, não tem nada a ver com isso. A questão toda era o coelho, rosa, essa espécie de sacerdote pós-moderno da propaganda. Putaquepariu. Aquilo era muito bom. Quase tanto quanto o palhaço sadomasoquista e seu espetáculo de dor. Você assina um contrato antes de entrar no show do cara e aí é uma parada como uma apresentação do GG Allin. Escatológica, se é que você me entende. Dizem que ele amarra um peso no pau, tipo um faquir. Eu não queria ser esse cara.
A mulher da publicidade honesta me disse algo sobre a propaganda que diz a verdade. Nada mais que a verdade, juro. Ela está fazendo a caixa de uma nova marca de cigarro para a Phillip-Morris. Chama-se DEATH. Tenho que admitir que gosto do nome e acho que vai fazer um sucesso fudido entre emos, góticos e vadias suicidas em geral. Se pusse sugerir algo eu falaria para fabricarem o sabor cianureto. Diminuir o número de idiotas no mundo é uma ótima maneira de demonstrar responsabilidade social.
Os chineses por exemplo, podem ser muitos, mas matam assim, meio sem dó. Acho isso uma espécie de nobreza que não se encontra no mundo mais. Os americanos podem até matar mais, mas pedem tanta desculpa e chamam coletivas de imprensa para dizer que “necessário” que toda a graça se perde. O exército, putz, é quem mais precisa de um publicitário esperto. Espertão.
Outro dia encontrei uma freira na rua. Ela me disse que seu nome havia sido João, e que havia se transformado para seguir a deus melhor como mulher. Como não amar essa criatura desprovida de pau e bom senso? Respirei fundo fui para o outro canto, me controlando para não enchê-lo/a de pontapés. Quer dizer, isso não faz qualquer sentido.

