a tal verdade…
Certa vez um tio me disse que eu tinha me afastado da igreja por não dar conta da verdade, das respostas que Deus tinha colocado na Bíblia, etc, etc. Um colega me falou que eu não gostava do pessoal dos maoístas porque as opiniões deles traziam uma verdade sobre o mundo com a qual eu não queria lidar. Outro dia tentaram me empurrar a mesma ladainha só porque acho que Reinaldo Aze(ve)do e cia não fazem mais do que repetir bordões: eu supostamente não daria conta de quanta verdade o nobre jornalista escreve em suas colunas.
O curioso é que nos três casos, o que mais me incomoda é a simplicidade do argumento. A verdade está aí, só os cegos não a enxergam, só os alienados, os relativistas, os esquerdopatas, os infiéis, etc, etc. Eu abandonei a igreja durante a adolescência porque achava que a interpretação da Bíblia era mundana demais para um livro supostamente inspirado por um ser superior: em cada Escola Dominical, Yaweh era um espelho do pastor e seu rebanho, não muito mais que um Deus motivado pela vigilância da vida alheia. A tolerância e a sabedoria são virtudes tão escassas no cristianismo quanto em qualquer outro meio.
Me lembro de ter rejeitado durante toda a infância a idéia de que os devotos de outras religiões estavam condenados ao inferno, independente de sua conduta. Por outro lado, também observei muita coisa esquisita no modo cristão de ser, sobretudo um preconceito e intolerância galopante em relação a qualquer coisa diferente.
Na verdade eu costumo ver esse tipo de conduta na maioria dos grupos firmemente atrelados a um ideal, religião ou prática qualquer. Sou cético à afirmação de que a modernidade trouxe esclarecimento ou desencantamento. Nesse mundo cada vez mais complexo, cheio de nuances e de variações, todo mundo parece querer uma resposta fácil, algo para se agarrar com todas as forças e nunca mais soltar: uma verdade.
E, ao invés de tentar compreender a diferença através dessa verdade tudo o que se faz é simplificá-la, transformá-la em uma outra “verdade” provinciana, simples, diametralmente oposta. Qualquer um que se recusa a fazer o mesmo é um inimigo, terrorista, relativista. Debate é coisa errada: considerar o ponto de vista constrário é dar espaço ao “mal”.
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Só não sei porque continuo discutindo pela internet.
: )


aê barbi, to fazendo a limpa no seu blog.
depois desse post, nós vamos ter que conversar sobre a minha dissertação.
retrigger
fevereiro 15, 2009 em 23:42
Ixi, e quando vai ser a defesa? Temos que conversar antes.
Barba
fevereiro 19, 2009 em 17:59