Tapa no burrinho

Subversivo! Terrorista! Traidor do Ocidente!
Dei uma passada no blog de um certo colunista da Revista Veja para ler o post dele a respeito da fala do FHC (o qual nunca mais deixarei de chamar de FTHC) sobre a descriminalização do consumo de maconha. No texto dele havia a mesma retórica moralista e desprovida de informação de sempre, mas os comentários foram um show à parte.
GUNORANÇA talvez seja a palavra mais adequada para descrever o que eu li. Sei lá, talvez o burro seja eu e todo mundo anda muito irônico. Enfim, vamos às pérolas.
Primeiro vem aquela velha história de que a maconha é a porta de entrada para o mundo das drogas. Só aceito essa teoria pensando pelo viés do tráfico, da marginalidade da droga: como a maconha está nas mãos dos traficantes, o usuário pode ir na boca buscar uma trouxa e voltar com um papelote de brinde. Mas não, a galera acha que um “viciado em droga” vai querer sempre uma sensação mais intensa e por isso vai necessariamente procurar drogas mais pesadas – independente do fato de que os efeitos das várias substâncias são muito distintos entre si. Pensando que isso faça algum sentido: não seria o álcool a porta de entrada para o mundo das drogas? Ou o rivotril? Ou a ritalina? Ou o café? Toda vez que alguém tiver uma experiência com alguma substância psicoativa vai querer mais?
Outra afirmação genial é a de que os traficantes vão montar negócios legalizados pra vender suas drogas. No Brasil tudo é possível, mas o que não dá pra engolir é o subtexto de que os caras serão anistiados com a eventual legalização de uma substância. Eles podem usar laranjas, seguindo o exemplo dos políticos, mas vão ter que concorrer com outros tantos que não são traficantes: especialmente grandes empresas farmacêuticas e do tabaco.
A melhor de todas talvez seja a de que não existe ex-maconheiro – como não existe ex-bandido, nem ex-terrorista. Pena que essa frase eu não vou comentar: diante de um tratado tão denso a respeito da natureza humana só resta o silêncio.


Bom, vc sabe minha opinião sobre quem usa drogas…
Ele não deixa de estar parcialmente certo sobre a maconha ser porta de entrada pra outras drogas. Óbvio que isso não é regra, mas acontece, e muito. Assim como tem gente que começa com álcool SIM, e acaba na heroína. Mas cada caso é um caso. Generalizar pra ambos os lados é errado.
E legalizar, aqui no Brasil, vai dar merda. E muita.
Agora, dizer que não existe ex-maconheiro é realmente a maior imbecilidade que já ouvi. Queria ver se fosse o filho dele.
Julia
fevereiro 13, 2009 em 10:23
Esse negócio de ex- é complicado.
Se eu me separar de minha esposa, ela vai virar homem (ex-mulher)?
A IURD diz que cura homossexualismo. Então lá tá cheio de ex-viado?
André Lima
fevereiro 16, 2009 em 12:19
Julia,
A maconha pode ser a porta de entrada pra outras drogas. O pagode também. E bem, a merda já acontece no Brasil independente da legalização, já que os traficantes operam livremente à revelia da lei.
André,
Entendo que a questão do “ex” seria relativa a uma incapacidade de determinados “tipos” de seres humanos mudarem de vida. Enfim, mais moralismo vazio do que qualquer coisa.
Barba
fevereiro 17, 2009 em 10:30