Ditatômetro Savoir-Faire 0.1 beta
Como eu não assino a Folha, não tive acesso ao polêmico editorial da “ditabranda” até ler esse artigo do Observatório da Imprensa, linkado no blog do Carlos.
A pergunta que não quer calar é: existe ditadura que põe só a cabecinha? Que estupra mas não mata? Se pensarmos como os editores da Folha, isso existe e tem nome: ditabranda. Penso até em um slogan “Ditabranda: porque os nossos torturadores antidemocratas são melhores que os dos outros”.
O regime de Alberto Fujimori, muito bem lembrado pelo infeliz editor da Folha, contava com uma polícia pessoal do presidente que cometeu atrocidades sob a justificativa de combater o Sendero Luminoso. Os homens de Fujimori torturaram guerrilheiros, camponeses, indígenas – os últimos, por sua vez também eram torturados e mortos pelos guerrilheiros do Sendero – e ao fim foram incapazes de capturar Abimael Guzmán. Esse, foi preso pela polícia “de verdade”, cujos chefes ainda sabiam o que era investigar.
Mas olha, podemos dizer que Fujimori só fez o que fez porque estava na iminência de ver o Peru transformado em um Estado Comunista, que mataria milhões e milhões mais… e isso seria um puta tiro no pé.
E é isso que a boa e velha direita brasileira gosta de dizer sobre o regime militar daqui. Já cheguei ao cúmulo de escutar a seguinte pergunta: “quem matou mais: Stalin ou Geisel?”. Me parece bastante conveniente colocar o autoritarismo nesses termos.
Para evitar essa polêmica virulenta é melhor começarmos a definir quais são as piores e as melhores ditaduras, as maiores e as menores. Assim poderemos dizer, por exemplo, que a China Comunista de Mao foi uma ditaduríssima, sempre preparada. Nada como essa meia-bomba erguida pelos militares canarinho.
Sendo assim, proponho a criação de um ranking de ditaduras, o Ditatômetro.

Glamour e Ditabranda no Chile.
Critérios de pontuação
+20 se defende abertamente alguma ideologia
+5 se sua instauração for chamada de “revolução”
+10 se possuir um símbolo (+60 se ele for uma caveira ou osso)
+20 se possui um líder icônico (+100 se ele tiver um mito de origem)
+1 para cada 1o mil mortos

E ainda vão duvidar disso.
Ranking
5o1 ou mais pontos – Ditaduríssima: a revolução não acontecerá enquanto todos não tiverem decorado o livrinho e quem não o fizer será sumariamente executado. Pena que o país tem um bilhão de pessoas…
301 a 500 pontos – Ditadurona: os traidores são enviados para o fuzilamento ou colônias de férias na Sibéria. Os cidadãos morrem em crises de fome, mas tudo faz parte do esforço de deixar de ser burguês.
201 a 300 pontos – Ditaduraça: um povo é culpado de todos os males. Muitos dos seus vão brincar de câmara de gás, experimentos médicos e fornos.
101 a 200 pontos – Ditadura: a matança per capita é alta, mas como o país fica em uma região sem importância geopolítica ninguém mantém estatísticas ou faz filmes sobre isso.
51 a 100 pontos – Ditadureca: milhares morrem e são torturados, mas tudo o que vão lembrar é que o regime salvou o país dos perigosos comunistas.
11 a 50 pontos – Ditadurinha: o país é tão pequeno e tão próximo do inimigo que os opositores fogem à nado. O restante morre nas prisões e não sensibiliza ninguém.
10 ou menos pontos – Ditabranda: ninguém quer machucar ninguém, já que todo mundo tá afim mesmo é de praia e cerveja, mas alguém tem que impedir os malignos militantes da oposição. A brandura permite que alguns fiquem vivos e cheguem ao poder 20 anos depois.

Nada como um descanso relaxante no Arquipélago Gulag.
Vejam o quanto somos fudidos aqui na Brasilândia: nem conseguimos ter uma ditadura decente para nos oprimir. Vou mudar pra Coréia do Norte.


Acho que é a coisa mais lúcida que eu li sobre o assunto…
Theo
março 6, 2009 em 11:52
Seria hilário, se não fosse tragibrando…
Leider Lincoln
março 9, 2009 em 17:55
Faltou as dicas para cada perfil. Os testes da capricho são boa referência.
retrigger
março 9, 2009 em 22:39
e o Bial?
rizoplan
março 9, 2009 em 23:20
Carái, héi!
Ditatômetro Savoir-Faire 0.1 beta?
Muito bom!
Jeferson Paz
março 10, 2009 em 2:50
Lincoln,
Pois é, estamos unidos nessa tragibrandura.
Retrigger,
Djenial sua sugestão. Levarei em conta na segunda versão do ditatômetro.
Rizoplan,
O Bial gosta de autoritarismo, oras. Olha o título do programa que ele apresenta!
Valeu Jeferson e Theo.
Barba
março 10, 2009 em 10:03
Faça um favor para o país e mude mesmo para a Coréia do Norte, seu hipócrita!
Mariana
março 12, 2009 em 10:21
O primeiro comentário vindo de um invertebrado. *orgulho*
Barba
março 12, 2009 em 14:28
Leituras recomendadas…
Ditatômetro Savoir-Faire 0.1 beta, em Savoir-Faire
De como amei cada uma de vocês, em A Funky Experience.
S’il vous plaît, em Le Livre Est Sur La Table.
2009: O ano da volta do Legião Urbana?, em Trabalho Sujo.
Inocência, em Ideias na…
Linkblog Pensar Enlouquece, Pense Nisso.
março 12, 2009 em 16:01
Genial. E para aqueles casos tristes em que a dita é mais mole do dura, não podemos esquecer que a medicina moderna já nos deu o Viagra…
Bruno
março 17, 2009 em 2:28
[...] dessa, o Brazzzil acaba de ganhar 100 pontinhos no Ditatômetro. Posted by Barba Filed in política Tags: autoritarismo, demência lulista, Eduardo Azeredo, [...]
Demência stalinista sem inclusão digital « Savoir-Faire
março 29, 2009 em 14:42
Descanso é com ‘s’. Se for proposital, seria conveniente adicionar o ‘sic’.
tiago
março 29, 2009 em 16:09
Proposital? Nada disso, analfabetismo e dislexia em sua forma mais pura.
Barba
março 29, 2009 em 16:12
Cara você se superou com essa! muito boa! Prevejo algum kibeloco ou similar robando sua idéia em breve.
btw: mais um mês pra escrever a dissertação, depois eu volto a escrever. promessa.
Rogério
abril 8, 2009 em 16:49