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Escrever é um esforço que deriva de uma necessidade egoísta, de uma intensidade auto-centrada. É gostar de escutar o deslizar da caneta sobre o papel, o teclado pressionado inúmeras vezes por minuto – concerto para um piano torto. Escrever é algo que nunca se aprende – mesmo. É um fim e começo de algo que inspira no princípio mas logo, logo se torna patético. Escrever é um rastro do ócio, um desespero do prazo. É um sacrifício inútil, dotado de uma ilusão de eternidade. Escrever é se calar.

