Savoir-Faire

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Brazzzil

com 4 comentários

“zzz…”

Fiquei incomodado com a escolha do Rio de Janeiro para Sede das Olimpíadas de 2016. Nada contra o Rio em si, até gosto bastante, tudo contra a canalha que finge que administra a cidade. Que deu as mãos com o crime organizado e terceirizou boa parte das vilas e favelas na mão dos comandos. Aí tem aquela de que o tráfico é culpa do usuário, do playboy da PUC, e só o Capitão Nascimento pode nos salvar. Preguiça… um problema monumental como o tráfico de drogas e a violência que dele decorre só pode ser culpa de todo mundo, ou não ter culpado. A última fronteira do cinismo está nessa de que problemas estruturais são única e exclusivamente culpa das pessoas. O Rio é uma cidade turística com Bangladesh e Suécia no mesmo município. As autoridades são conhecidas por suas empreitadas faraônicas – alguém se lembra do Guggenheim? – e não parecem muito preocupadas com o resto. “O Rio é lindo” e isso basta. Aparentemente Minas anda seguindo a mesma onda, com a Brasília do Aécio e as denúncias envolvendo Inhotim. Em tempo de faraó (pós)moderno a pirâmide é bilionária.

Mas não é sobre isso que eu quero falar. Eu estava online enquanto o COI votava, ocasionalmente prestando atenção ao Twitter – essa fantástica ferramenta de reclamação em tempo real. Logo após a divulgação do resultado alguns usuários começaram a comemorar e outros nem tanto. Em meio a isso o Zander escreveu “temos uma capacidade infinita de auto-depreciação e de subserviência. eterna colônia, nunca achamos que auto-afirmação é bom“. Admito que num certo sentido eu concordo com ele. Mas é disso que se trata o incômodo? É disso que se tratam as reclamações? Também, mas não só. Pelo menos no meu caso não tem nada a ver com isso.

Começando do começo: ufanismo enche o saco, vira desculpa para tudo passar. Somos o país do Carnaval lalalalá. Somos o país das Olimpíadas lalalalá. Tenho a impressão que a maioria dos brasileiros que se dizem orgulhosos de viver aqui não conhecem meio dedo além de onde vivem. Saem da cidade em que moram para passar férias em algum lugar “turístico” e não fazem qualquer questão de saber sobre o que existe adiante. Abusam da desinformação e da ignorância quando vão opinar sobre qualquer assunto. Gostam de soluções fáceis para tudo. Odeiam “gente pobre” – categoria que curiosamente inclui qualquer um que seja oriundo de certos lugares “longínquos”.  Agora, na hora da porra da Copa do Mundo eles saem com suas cornetas e bandeiras, chorando de orgulho de serem brasileiros e etc. Quando o Brasil perde o jogo e você continua na sua, eles berram na sua cara “caralho, você não é brasileiro não?”. Não estou exagerando, já aconteceu comigo.

É o ufanismo Galvão Bueno. Nacionalismo, enquanto louvor à pátria, é o que há de pior. Se quiser ter algum orgulho do que você é, mantenha-o longe das franjas do Estado – e da televisão. Gosto dessa ficção chamada Brasil, e gosto muito, só não entendo o que é “esse orgulho de ser brasileiro”… deve ser uma invenção dos publicitários.

Escrito por Barba

outubro 2, 2009 às 23:07

Publicado em gonzotrip

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4 Respostas

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  1. ou dos militares…
    rsrs

    pois é, nos anos 10 vamos virar os grandes mestres do urbanismo em bolhas do mundo. o rio a partir de segunda-feira é o laboratório oficial de uma nova rodada de produção de ilhotas de ultra-infra high tech cercadas de baixadas fluminenses. fico com medo inclusive de quererem uma nova rodada também da lógica cidade de deus, de mandar favela pra longe. outra coisa que podem querer fazer é esse esquema do márcio lacerda de “todas as vilas vivas” (que deveria se chamar “todas as vilas pasteurizadas”), que no rio é o mesmo que declarar guerra… apertem os cintos.

    felipe

    outubro 3, 2009 em 14:57

  2. Nacionalismo é uma invenção dos Estados e nem é preciso recorrer a Hobsbawn para entender isso. A “preguiça” deve ser a explicação para tamanha farra dos oligopólios jornalísticos e dos políticos corruptos. Preguiça de pensar, refletir, mudar, etc. Comentei que não comemoraria a escolha do Rio como sede dos jogos e fui taxada de pessimista, revolucionária, etc, no Facebook. Hahahahaha. Mas sou tão otimista que busquei argumentar, explicar as minhas razões – que nem são minhas, mas são históricas. Porém o poder de sedução da telinha mais a “preguiça” não ajuda muito. Humpf.

    graciete

    outubro 4, 2009 em 0:18

  3. Se os problemas estruturais não são culpa das pessoas, são culpa de quem? Das garças?

    Luís Guilherme

    outubro 5, 2009 em 12:39

    • Então é você como indivíduo o responsável por tudo, certo? Decisões de governos e de grandes empresas estão sob o seu controle – afinal de contas você vota e compra. O problema do aquecimento global é resolvido quando você toma banhos mais curtos e apaga as luzes de recintos vazios…

      Não eximi a culpa das pessoas em nenhum momento, mas disse que não era exclusivamente delas. As relações entre as coisas são tão poderosas quanto as coisas em si.

      Barba

      outubro 5, 2009 em 12:46


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