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	<title>Savoir-Faire &#187; contos</title>
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		<title>Qualquer lugar</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Feb 2010 11:58:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Barba</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Dois dedos de uísque, era o que o doutor tomava toda noite, sentado na varanda da casa, escutando um disco de samba, qualquer um. Gostava daquilo, lembrava dos tempos de faculdade na capital, das praias, das mulheres fáceis, do suor e do cheiro. Lá estava entre seus iguais, havia encontrado cada um deles&#8230; gente com boa vaidade, cuja soberba não se fazia ver. Desprovidos daquele torpor que tanto vira no interior: gente que pouco era e se achava no direito de fazer dos outros menos que eles. As donas, indo à feira dominical seguidas por suas empregadas negras e pobres, irritadas frente a qualquer evidência de que havia algo em comum entre elas e aquelas mulheres fortes que vinham logo atrás. Na capital não&#8230; todos pareciam cientes de que havia alguém maior que eles &#8211; senão ali, em outro lugar. Qualquer lugar.</p>
<p style="text-align:justify;">O doutor gostava de se lembrar daquilo, mesmo agora que estava de volta àquela cidade pequena. O dinheiro era farto, o respeito também, mas ele provocava estranheza ao não querer se casar. Era o último dos Palhares de Souza, nome forte de família decadente, cujo gado e posses foram desaparecendo à medida em que a sorte lhes faltava no carteado e na roleta. Comércio, carvoaria, dois automóveis, um caminhão e até mesmo um pequeno posto de combustíveis faziam eco com as antigas plantações de café e algodão, a casa sempre cercada de agregados e ex-escravos. O bisavô sabia traçar sua ascendência até os velhos bandeirantes. A boa família&#8230; o doutor sabia que se tratava de uma ilusão. Seus antepassados haviam sido homens cruéis, capazes de matar irmãos, estuprar serviçais e prostituir afilhadas. &#8220;Um bom nome se compra com muito ouro, nos dentes e no bolso&#8221; ele escutara. As pessoas de respeito naquela cidade eram todas assim&#8230; não estariam salvas nem se a paróquia vendesse indulgências, nem por intervenção do Santo Padre ou pelo súbito bom-humor do Criador.</p>
<p style="text-align:justify;">Dois cigarros era o que doutor fumava junto com seu uísque. Os cigarros o lembravam dos velhos fornos de carvão, dos corpos pretos e do dinheiro roxo, dos fardos e cestos tropeados de cá a lá. Na capital, até o suor dos outros parecia mais justo, merecido e banhado em honestidade, vá saber. E o casamento, este lhe soava o pior dos males. Um engôdo, diriam, uma prisão. Senão para ele, para ela. Era como contruir a própria jaula, ou prender numa gaiola um pássaro bonito. O doutor não gostava de gaiolas, lhe causavam tristeza infinita. O matrimônio exigia alguma submissão, a saber se curvar ante a lei do Cristo ou dos homens, ante à esposa&#8230; ou fazê-la se curvar diante dele. Deixe que voem, ele pensava.</p>
<p style="text-align:justify;">Quando corriam boatos de que ele seria um pederasta, logo havia alguém para dizer que ele era amante uma ou outra viúva da região. Um homem solteiro é um homem infeliz, diziam-lhe os poucos amigos. As amantes que mantinha em cidades vizinhas, prostitutas ou não, lhe falavam a mesma coisa, algumas eram esperançosas de que ele, um exêntrico, pudesse desposá-las. Mas o doutor, se não era feliz, parecia satisfeito. Seus pais jaziam num mausoléu, junto todo o resto do clã, e agora ele estava livre de quaisquer pressões e julgamentos daquela gente. A vida, finalmente, era só sua.</p>
<br />Filed under: <a href='http://faire-savoir.info/category/contos/'>contos</a>  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/fairesavoir.wordpress.com/1413/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/fairesavoir.wordpress.com/1413/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/fairesavoir.wordpress.com/1413/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/fairesavoir.wordpress.com/1413/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/fairesavoir.wordpress.com/1413/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/fairesavoir.wordpress.com/1413/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/fairesavoir.wordpress.com/1413/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/fairesavoir.wordpress.com/1413/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/fairesavoir.wordpress.com/1413/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/fairesavoir.wordpress.com/1413/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/fairesavoir.wordpress.com/1413/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/fairesavoir.wordpress.com/1413/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/fairesavoir.wordpress.com/1413/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/fairesavoir.wordpress.com/1413/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=faire-savoir.info&amp;blog=1385727&amp;post=1413&amp;subd=fairesavoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Danação</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Jan 2010 20:21:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Barba</dc:creator>
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		<category><![CDATA[danação]]></category>
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		<description><![CDATA[Só cura o que arde. &#8230;aquilo que te torce por dentro, sabe como é meu filho? As tripas ficam com um buraco, as veias saltam, as carnes tremem e os olhos lumeiam feito lanterna em caça. Duas tochas brilhando noite adentro, fogo regado de cachaça. No rumo do olho tava ela, mulher que nem nunca [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=faire-savoir.info&amp;blog=1385727&amp;post=1306&amp;subd=fairesavoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;"><a href="http://fairesavoir.files.wordpress.com/2010/01/danacao1.jpg"><img class="size-medium wp-image-1308 aligncenter" title="Danação" src="http://fairesavoir.files.wordpress.com/2010/01/danacao1.jpg?w=436&#038;h=281" alt="Danação" width="436" height="281" /></a></p>
<p style="text-align:center;"><em>Só cura o que arde.</em></p>
<p style="text-align:justify;">&#8230;aquilo que te torce por dentro, sabe como é meu filho? As tripas ficam com um buraco, as veias saltam, as carnes tremem e os olhos lumeiam feito lanterna em caça. Duas tochas brilhando noite adentro, fogo regado de cachaça. No rumo do olho tava ela, mulher que nem nunca tinha visto. Descalça e suja, jeito de menina moça, andando enrolada nos panos&#8230; pedindo ajuda a qualquer cristão.</p>
<p style="text-align:justify;">Naquele tempo eu viajava até a capital pra tratar de um mal na perna. Coisa que contraí em mal serviço, acidente. Mancava, doía, pesava. Chegava num ônibus, num caminhão, e caminhava arrastado, até o dia amanhecer e a boa vontade do médico permitir consulta. Tinha vez que atrasava, passava dois, três, quatro dias esperando. Eu vagava por tudo quanto é lugar, sinuca, abrigo, bebida, marquise, praça, cantos onde Deus está e onde ele não alcança.</p>
<p style="text-align:justify;">Dormi em garagem de gente decente, em cama de devassidão. Comi o que tinha de comer e bebi o que podia pagar. Lá naquelas ruas debaixo, vi um homem perder a carteira. Outro levar garrafa na cara, todo cortado de vidro. Eu só queria passar até o dia que fosse.</p>
<p style="text-align:justify;">Num desses lugares tortos foi que vi aquela, já meio com a cabeça pesada. Cabelo liso, pele escura, olho bem pequeno. Dei a ela todas as moedas que tinha, pus a mão no bolso pra caçar uma nota de 10 cruzeiros. Aquela menina não entendia nada.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Deixe aí o que for, carece não moço. Obrigado.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">Ela ia saindo e eu lhe segurei o braço, dum jeito meio bruto, cheio da urgência. Peguei aquela nota amassada, abri a mão dela e coloquei lá. Num instantezinho, olhei ela no olho. Bateu uma tonteira, coração saltava que ia pular fora. Não largava o braço dela nem apertava&#8230; ela apertou &#8216;queles olhos ainda mais e deu um sorrisinho de um bocado de dentes brancos e bonitos.</p>
<p style="text-align:justify;">Entende o que é isso? Já teve uma benquerença desse tamanho? É quando o mundo se desfaz em coisa pequena. É quando o Diabo atiça sem Deus que lhe proteja. Um homem simples feito eu, sei muito dessas coisas não. Meu pai dizia que mulher que se quer é mulher que se deixa. Amor é feito ferida: coça e mata.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;A moça não devia tá na rua a essa hora.&#8221; Falei, pra não dizer outras coisas. E ela não disse nada, me pegou pela mão, me arrastou pra fora de lá. Começou a chover, trovão rompeu. Água descia, ela me puxava e eu mancava, dor cortada na base do copo.</p>
<p style="text-align:justify;">Numa esquina, ruas cheias d&#8217;água, ela debaixo da luz dum poste. Abaixou a cabeça, encabulada e me tomou com os braços. Minha boca encontrou a dela e fiquei lá, sem tempo, sem água, sem noite, sem nada. Só a moça.</p>
<p style="text-align:justify;">Carro cortou, buzinando. Olhei pra ela e ia falar qualquer coisinha, mas nunca falei. A moça me largou, caminhou pro outro lado da rua, passo lento. Quase manquei atrás, seduzido, pescado no beijo, cheio de calores.</p>
<p style="text-align:justify;">No outro lado, um rapaz tomou a moça pela mão. Parei tomado em confusão, no meio da rua, sem saber o pra onde ir. Ela me olhou, acenou e sumiram deibaixo da sobra de uma marquise.Não se engane o senhor que voltei a beber com a mesma cara: gente simples também sofre amor.</p>
<p style="text-align:justify;">Aquela moça, tanto engano, tudo escorria. Meus bolsos, revirados,  não havia dinheiro lá. Era roubo, era paixão?</p>
<p style="text-align:justify;">Só Deus sabe, é tudo o mesmo.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8212;-</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Mais</strong>:</p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://faire-savoir.info/2008/02/27/exodo/">Êxodo</a></p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://faire-savoir.info/2008/03/08/demanda/">Demanda</a></p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://faire-savoir.info/2008/04/01/expiacao/">Expiação</a></p>
<p style="text-align:justify;"><a href="http://faire-savoir.info/2008/06/22/gloria/">Glória</a></p>
<br />Publicado em contos Tagged: conto, danação, reis <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/fairesavoir.wordpress.com/1306/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/fairesavoir.wordpress.com/1306/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/fairesavoir.wordpress.com/1306/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/fairesavoir.wordpress.com/1306/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/fairesavoir.wordpress.com/1306/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/fairesavoir.wordpress.com/1306/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/fairesavoir.wordpress.com/1306/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/fairesavoir.wordpress.com/1306/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/fairesavoir.wordpress.com/1306/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/fairesavoir.wordpress.com/1306/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/fairesavoir.wordpress.com/1306/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/fairesavoir.wordpress.com/1306/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/fairesavoir.wordpress.com/1306/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/fairesavoir.wordpress.com/1306/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=faire-savoir.info&amp;blog=1385727&amp;post=1306&amp;subd=fairesavoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Vendido #11</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Dec 2009 00:22:45 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Quem está mais errado: aquele que nunca se move, que não é afetado por nada, ou aquele que é sensível, suscetível demais, sempre pronto a se atirar num precipício? Nenhuma dessas pessoas existe, são figuras, metáforas de estados de espírito que podem afligir qualquer fulano ou fulana. Todo mundo passa por um momento de frieza [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=faire-savoir.info&amp;blog=1385727&amp;post=1288&amp;subd=fairesavoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Quem está mais errado: aquele que nunca se move, que não é afetado por nada, ou aquele que é sensível, suscetível demais, sempre pronto a se atirar num precipício? Nenhuma dessas pessoas existe, são figuras, metáforas de estados de espírito que podem afligir qualquer fulano ou fulana. Todo mundo passa por um momento de frieza absoluta, todo mundo se desespera algum dia.</p>
<p style="text-align:justify;">O engraçado na história toda é que sentir é tipo se drogar. Explico: a viagem pode ser boa ou ruim e, no fim das contas, ainda sobra a ressaca. Ou pior, a seqüela.</p>
<p style="text-align:justify;">XsXdXrX me disse que eu era frio. &#8220;Você nunca diz que ama&#8221;&#8230; e não disse mesmo. XlXcX me disse que eu era dependente &#8220;Você sempre diz que ama&#8221; &#8230; e era o que eu fazia. Não entendo porque nunca disse nada do tipo a XsXdXrX, talvez por um medo diferente daquele que me fazia dizer isso o tempo todo a XlXcX. Com a última eu tinha um tipo de urgência afirmativa&#8230; vai saber se eu sentia aquilo mesmo.</p>
<p style="text-align:justify;">Com XmXndX tudo é diferente.  Dizer qualquer coisa parece patético, não dizer também. Como descrever alguém para quem essas coisas não têm a mínima importância? Ela não treme, não hesita e, Deus sabe como, parece não ter inseguranças. Lidar com ela têm sido fácil desde o primeiro dia, não por uma questão de submissão ou docilidade: é certeza.</p>
<p style="text-align:justify;">Acordei ao lado dela numa sexta-feira, fedendo a álcool e sexo. XmXndX se levantou, fez um café pra nós dois e disse, como se não fosse nada de mais, que havia gostado de mim. &#8220;Vamos sair mais. Se a gente se acertar, podemos namorar.&#8221; Eu engasguei. Quem é que diz algo assim nos dias de hoje? Eu tinha pensado a mesma coisa, sentido a mesma coisa, mas porque diabos eu diria isso a ela? Não, eu ia deixar aquele apartamento e ligar pra ela de novo em alguns dias, ia chamá-la para sair caso se mostrasse disposta.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas não&#8230; XmXndX tem um tipo de honestidade inédita pra mim. Quem é que fala esse tipo de coisa? Achei que ela fosse ingênua ou carente mas o fato era outro. XmXndX não tinha medo de sofrer, não tinha medo da ressaca nem da seqüela, não era fria nem  suscetível.</p>
<p style="text-align:justify;">E por isso tudo me sentia muito pequeno perto daquela mulher.</p>
<p>__</p>
<p><a href="http://faire-savoir.info/2007/07/17/amores-brutos-9/">Vendido #0</a></p>
<p><a href="http://faire-savoir.info/2007/08/07/vendido-1/" target="_blank">Vendido #1 </a></p>
<p><a href="http://faire-savoir.info/2007/11/23/vendido-2/" target="_blank">Vendido #2</a></p>
<p><a href="http://faire-savoir.info/2008/02/23/vendido-3/" target="_blank">Vendido #3</a></p>
<p><a href="http://faire-savoir.info/2008/03/23/vendido-4/" target="_blank">Vendido #4</a></p>
<p><a href="http://faire-savoir.info/2008/04/22/vendido-5/">Vendido #5</a></p>
<p><a href="http://faire-savoir.info/2008/09/16/vendido-6/" target="_blank">Vendido #6</a></p>
<p><a href="http://faire-savoir.info/2008/11/21/vendido-7/" target="_blank">Vendido #7</a></p>
<p><a href="http://faire-savoir.info/2009/02/17/vendido-8/" target="_blank">Vendido #8</a></p>
<p><a href="http://faire-savoir.info/2009/05/17/vendido-8-2/">Vendido #9</a></p>
<p><a href="http://faire-savoir.info/2009/09/25/vendido/">Vendido #10</a></p>
<br />Publicado em contos  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/fairesavoir.wordpress.com/1288/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/fairesavoir.wordpress.com/1288/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/fairesavoir.wordpress.com/1288/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/fairesavoir.wordpress.com/1288/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/fairesavoir.wordpress.com/1288/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/fairesavoir.wordpress.com/1288/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/fairesavoir.wordpress.com/1288/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/fairesavoir.wordpress.com/1288/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/fairesavoir.wordpress.com/1288/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/fairesavoir.wordpress.com/1288/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/fairesavoir.wordpress.com/1288/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/fairesavoir.wordpress.com/1288/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/fairesavoir.wordpress.com/1288/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/fairesavoir.wordpress.com/1288/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=faire-savoir.info&amp;blog=1385727&amp;post=1288&amp;subd=fairesavoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Vendido #10</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Sep 2009 20:40:24 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Esperar nunca foi meu forte. A idéia de ter que ficar inerte quando algo importante está em jogo me causa tremores, náusea. Os médicos dizem que é um ataque de ansiedade e me recomendam remédios que não tomo. Nunca.  E acima de tudo esperar cansa, arrebata em desânimo, destrói um pouco a todo minuto. A [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=faire-savoir.info&amp;blog=1385727&amp;post=1242&amp;subd=fairesavoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Esperar nunca foi meu forte. A idéia de ter que ficar inerte quando algo importante está em jogo me causa tremores, náusea. Os médicos dizem que é um ataque de ansiedade e me recomendam remédios que não tomo. Nunca.  E acima de tudo esperar cansa, arrebata em desânimo, destrói um pouco a todo minuto. A espera é uma espécie de combustível da paralisia, esse câncer incurável.</p>
<p style="text-align:justify;">E é por isso que eu tremia enquanto esperava XdrXXnX. Ela estava uns vinte minutos atrasada e não atendia o celular. Eu sabia que não fazia qualquer sentido ficar naquele estado. Mas a sensação de impotência era meio absurda. Onde é que ela estava? O que estava fazendo? Ela morava tão perto dali&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Uma amiga costumava dizer que isso era ciúme. Que eu, inconscientemente, sempre imaginava minhas mulheres me traindo nessas situações. Mentira, eu nunca fui ciumento. O que se passava em mim era algo bem pior&#8230; imaginava que ela podia ter sido seqüestrada ou que tinha desaparecido como uma dessas pessoas dos cartazes na rua. Não era ciúme, era um delírio paranóico.</p>
<p style="text-align:justify;">E eu sabia disso. E eu nunca conseguia fazer parar.</p>
<p style="text-align:justify;">Às vezes eu começava a relembrar de algumas coisas pelo começo. Filmes, por exemplo. Pegava a primeira cena de &#8220;O Poderoso Chefão&#8221; e tentava ir reconstituindo o resto do filme na minha cabeça. Às vezes eu chegava a lembrar de uma fala ou outra. Outras vezes eu tentava listar o nome de todas as pessoas que eu conheço, estabelecendo certos círculos de relações. A letra de uma música dos Rolling Stones, o nome daquela atriz de um seriado obscuro que passava na Bandeirantes, a marca de cigarros mais vendida no Paquistão, a lista dos presidentes do Brasil, o tempo que gasto me deslocando do trabalho para casa por semana, o que comi nos últimos 20 dias, etc.</p>
<p style="text-align:justify;">E não, eu nunca fui obsessivo. Conheci pessoas com transtornos pesados: necessidade de apagar e acender luzes em determinada ordem, ações arbitrárias tomadas por causa de vozes&#8230; Nos casos de espera eu ficava esperando pela minha camisa de força. Os braços doíam, o estômago revirava e eu andava sem parar, erraticamente.</p>
<p style="text-align:justify;">A toda hora XdrXXnX parecia despontar na esquina, na janela do ônibus, num carro, no horizonte. Uma vez eu abracei uma estranha achando que fosse minha ex-esposa. Ela riu, me olhou por inteiro e, enquanto eu pedia mil desculpas, ofereceu seu telefone. Deslizou pra longe de mim e eu percebi que ela nem se parecia com XnX LXXsX. Mais que me turvar a visão, a ansiedade fazia de mim um tipo de idiota.</p>
<p style="text-align:justify;">XdrXXnX demorou e demorou. Minha ansiedade chegava a um ponto crítico. Não sei porque, resolvi ligar para XmXndX, a moça que eu havia abraçado por engano dois anos antes.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Alô?&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Oi.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Quem é?&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Isso é meio estranho.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Quem é?!&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Te abracei por engano há uns dois anos, perto da Praça XX XXXXXXXXX.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Ah! Não acredito! GXbrXXL!&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Pois é&#8230;&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;E porque é que você está me ligando tão de repente?&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;É que eu lembrei de você hoje.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Por quê?&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Ah, estou perto daquele lugar esperando de novo.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Hahaha. Sua esposa não presta, não é?&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Não mesmo. Faz um ano que separei dela.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Sério?&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;E você me deu seu telefone mesmo sabendo que eu era casado&#8230;&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Ah, não sou ciumenta. Mas agora você está solteiro e me ligando, olha só.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Hahaha.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Então, quem você está esperando hoje?&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;A moça com quem ando saindo.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">“Anda saindo &#8230; sei.”</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Juro.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Não é sua namorada?&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Nada&#8230; ninguém gosta dessa palavra hoje em dia.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;E então, quanto tempo faz que você está aí?&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Agora completou uma hora e 6 minutos.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Nossa, suas mulheres realmente gostam de te fazer esperar.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;E você é pontual?&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Não exatamente. Mas de 30 minutos em diante já é dar bolo.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Concordo.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Acha que ela vai aparecer?&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Não sei. Ela não atende o celular.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Que escrota.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Fico com medo de ter acontecido algo grave. Sei lá.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Como o quê?&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Ah, ela ter sido seqüestrada, atropelada, etc.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Sei. Te digo que só minha mãe se preocupa assim comigo. E ela é uma senhorinha de cabelos brancos que mora bem longe daqui, na roça.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;É, posso estar exagerando mesmo.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Com certeza. Então, hoje é sábado e eu tô de bobeira. Se ela não aparecer você pode vir tomar uma cerveja comigo, hein?&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;&#8230;&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;E então?&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;É uma boa mesmo.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Pois então, eu moro na XXX XXX XX XXXXXXX, número XXX, apartamento XXXX.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;É perto de onde eu moro.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Jura?&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Sim.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;E como eu nunca te vi por lá?&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Não faço idéia.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Então, espera mais um pouquinho aí e me liga. Mas não demora muito porque eu não vou te esperar.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Ok. Um beijo.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Outro!&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Com quem você estava falando?&#8221; Era XdrXXnX do meu lado. A ansiedade tinha passado, a obsessão também. Olhei pra ela, meio sem saber o que dizer. Nem queria perguntar onde é que ela esteve e porque tinha demorado tanto. &#8220;Ah, era uma amiga antiga de colégio&#8221; foi tudo o que eu pude dizer.</p>
<p style="text-align:justify;">Ela me beijou no rosto. &#8220;Desculpa pelo atraso. Encontrei a NXcX e o marido dela no caminho, a barriga dela tá enorme. Falei tanto com ela que perdi a hora. Só agora eu vi que você me ligou umas vinte vezes.&#8221;</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;Não tem problema não. Aqui, você acha que lá vai até mais tarde? Queria chegar cedo em casa para adiantar algumas coisas de trabalho&#8221;. Eu não podia acreditar no que estava fazendo, mas fazia assim mesmo.</p>
<p style="text-align:justify;">&#8220;São os meus amigos. Se você quiser ficar só um pouco lá e ir pra casa não tem problema.&#8221;  Me tomou pelo braço e fomos caminhando. Eu, já estava em outra direção.</p>
<p style="text-align:justify;">__</p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2007/07/17/amores-brutos-9/">Vendido #0</a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2007/08/07/vendido-1/" target="_blank">Vendido #1 </a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2007/11/23/vendido-2/" target="_blank">Vendido #2</a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2008/02/23/vendido-3/" target="_blank">Vendido #3</a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2008/03/23/vendido-4/" target="_blank">Vendido #4</a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2008/04/22/vendido-5/">Vendido #5</a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2008/09/16/vendido-6/" target="_blank">Vendido #6</a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2008/11/21/vendido-7/" target="_blank">Vendido #7</a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2009/02/17/vendido-8/" target="_blank">Vendido #8</a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2009/05/17/vendido-8-2/">Vendido #9</a></p>
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		<title>Vendido #9</title>
		<link>http://faire-savoir.info/2009/05/17/vendido-8-2/</link>
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		<pubDate>Sun, 17 May 2009 21:50:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Barba</dc:creator>
				<category><![CDATA[contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Felicidade incontida, derramando pelos poros. Ando sozinho, desacompanhado, e talvez por isso mesmo as coisas parecem mais simples. Acordo de manhã e não há ninguém ao lado, chego bêbado em casa e não há ninguém me esperando. A padaria do primeiro andar me dá o prazer de fumar enquanto tomo um café e leio o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=faire-savoir.info&amp;blog=1385727&amp;post=1155&amp;subd=fairesavoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Felicidade incontida, derramando pelos poros. Ando sozinho, desacompanhado, e talvez por isso mesmo as coisas parecem mais simples. Acordo de manhã e não há ninguém ao lado, chego bêbado em casa e não há ninguém me esperando.</p>
<p style="text-align:justify;">A padaria do primeiro andar me dá o prazer de fumar enquanto tomo um café e leio o jornal &#8211; colocaram mesas nas calçadas, o dono se recusa a seguir o nazismo anti-tabagista que parece ter enlouquecido o mundo.</p>
<p style="text-align:justify;">Meu salário diminuiu algo em torno de 15%, tudo subiu, não vou poder viajar para a Europa como queria. Mas nada importa, aliás, nada importa que vá me chatear tanto assim. Como um monge isolado numa câmara escura em alguma planície deserta do Tibet, eu me sinto a caminho de algo grandioso e simples.</p>
<p style="text-align:justify;">Outro dia a nova estagiária da empresa leu em voz alta uma matéria falando sobre como cada vez mais pessoas preferem ser solteiros a se casar. Isso é uma bobagem, uma inversão dos termos anteriores. Para estar feliz era preciso se estar casado, agora é preciso se estar sozinho, disponível, pronto para todas as possibilidades? Isso me parece uma extrapolação da pequena fábula &#8220;você é especial&#8221;.</p>
<p style="text-align:justify;">Felicidade, se é que existe, não é uma conquista, é uma condição. Ou melhor, é uma efemeridade. Um bocado de nada que te faz bem em algumas horas da vida. O que mais precisa ser?</p>
<p style="text-align:justify;">Duvido que alguém consiga imaginar uma pessoa que está sempre feliz e, ao mesmo tempo, não tême-la. Talvez pela falsidade que os felizes inspiram, talvez porque todos sabem que felicidade demais cega, embriaga.</p>
<p style="text-align:justify;">E por isso mesmo é hora de ficar sóbrio.</p>
<p style="text-align:justify;">__</p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2007/07/17/amores-brutos-9/">Vendido #0</a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2007/08/07/vendido-1/" target="_blank">Vendido #1 </a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2007/11/23/vendido-2/" target="_blank">Vendido #2</a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2008/02/23/vendido-3/" target="_blank">Vendido #3</a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2008/03/23/vendido-4/" target="_blank">Vendido #4</a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2008/04/22/vendido-5/">Vendido #5</a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2008/09/16/vendido-6/" target="_blank">Vendido #6</a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2008/11/21/vendido-7/" target="_blank">Vendido #7</a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2009/02/17/vendido-8/" target="_blank">Vendido #8</a></p>
<br />Publicado em contos  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/fairesavoir.wordpress.com/1155/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/fairesavoir.wordpress.com/1155/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/fairesavoir.wordpress.com/1155/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/fairesavoir.wordpress.com/1155/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/fairesavoir.wordpress.com/1155/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/fairesavoir.wordpress.com/1155/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/fairesavoir.wordpress.com/1155/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/fairesavoir.wordpress.com/1155/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/fairesavoir.wordpress.com/1155/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/fairesavoir.wordpress.com/1155/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/fairesavoir.wordpress.com/1155/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/fairesavoir.wordpress.com/1155/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/fairesavoir.wordpress.com/1155/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/fairesavoir.wordpress.com/1155/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=faire-savoir.info&amp;blog=1385727&amp;post=1155&amp;subd=fairesavoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Vendido #8</title>
		<link>http://faire-savoir.info/2009/02/17/vendido-8/</link>
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		<pubDate>Wed, 18 Feb 2009 00:24:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Barba</dc:creator>
				<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[vendido]]></category>

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		<description><![CDATA[MXrXX se levava a sério demais. Não conseguia relaxar nem quando eu olhava ela pelas costas, indo voltando lentamente, com o cabelo transbordando sobre a pele branca. Não gemia, resmungava como se tivesse dentro de si uma senhora de 50 anos, solteira e malcomida, trabalhando numa repartição burocrática desde os 18. E no entanto, ela [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=faire-savoir.info&amp;blog=1385727&amp;post=978&amp;subd=fairesavoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">MXrXX se levava a sério demais. Não conseguia relaxar nem quando eu olhava ela pelas costas, indo voltando lentamente, com o cabelo transbordando sobre a pele branca. Não gemia, resmungava como se tivesse dentro de si uma senhora de 50 anos, solteira e malcomida, trabalhando numa repartição burocrática desde os 18.</p>
<p style="text-align:justify;">E no entanto, ela não era nada disso. Talvez uma antítese. Magra, jovem, bonita e na pré-puberdade do sucesso.  Antes dos 30 ela já ganhava quase duas vezes o meu salário. Ativa, não era exatamente a pessoa para se imaginar <span style="text-decoration:line-through;">refletindo</span> apodrecendo aquelas duas horas  redentoras no sofá enquanto Luciana Gimenez entrevista alguma atriz pornográfica pela terceira vez no ano.</p>
<p style="text-align:justify;">A questão é que MXrXX tinha nascido adulta. E agora, ao invés de ser uma jovenzinha feliz da vida, ela realmente tinha a velha amargurada dentro de si. Nessas três semanas ela tinha rido duas vezes, e uma delas foi quando eu disse que nunca tinha ido à Europa porque não tinha dinheiro.</p>
<p style="text-align:justify;">Uma das minhas paixões mais secretas sempre sempre foi o devaneio pós-sexo. A capacidade de ficar em silêncio junto do outro, ou de falar a primeira coisa que viesse à cabeça &#8211; e por isso é tão difícil guardar um segredo de alguém com quem você dorme.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas MXrXX desconhecia isso,  essa própria idéia da inércia. Se ela tinha gostado, suspirava uma ou duas vezes e ia tomar uma ducha. Do contrário ela ia tomar uma ducha. Me perguntava onde íamos comer, se eu tinha algum plano para a noite e, dependendo da resposta, me deixava ou acompanhava.</p>
<p style="text-align:justify;">Seu aparente desprezo por mim só me incomodou até eu perceber que ela desprezava tudo. Minha relação com MXrXX era patológica, um reflexo tardio que eu tinha vivido com XnX LXXsX, minha ex-mulher. XnX me colocava no pior dos lugares porque ela mesma não tinha idéia de onde queria estar. Eu, como um bom cristão, insistia em achar que carregava comigo a culpa. E me esforçava, e tentava de tudo para ser aceito por uma  que, a rigor, havia jurado estar comigo.</p>
<p style="text-align:justify;">Com MXrXX isso não acontecia. O desprezo dela era o meu desprezo, só agíamos de maneira diversa. Ela empinava o nariz toda vez que me pensava inadequado, e logo queria se abrir em mim. Eu mentia para fazê-la ir embora mais rápido quando ela me incomodava, e me despedia com um beijo cálido. O desprezo dela era o que fazia moça trabalhar, tanto e tão bem.  O meu era o que me jogava desmontado, destronado, seminu em cima da cama.</p>
<p style="text-align:justify;">MXrXX foi para Paris pela terceira vez. Eu preferi ficar por aqui.</p>
<p style="text-align:justify;">__</p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2007/07/17/amores-brutos-9/">Vendido #0</a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2007/08/07/vendido-1/" target="_blank">Vendido #1 </a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2007/11/23/vendido-2/" target="_blank">Vendido #2</a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2008/02/23/vendido-3/" target="_blank">Vendido #3</a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2008/03/23/vendido-4/" target="_blank">Vendido #4</a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2008/04/22/vendido-5/">Vendido #5</a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2008/09/16/vendido-6/" target="_blank">Vendido #6</a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2008/11/21/vendido-7/" target="_blank">Vendido #7</a></p>
<br />Publicado em contos Tagged: contos, vendido <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/fairesavoir.wordpress.com/978/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/fairesavoir.wordpress.com/978/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/fairesavoir.wordpress.com/978/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/fairesavoir.wordpress.com/978/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/fairesavoir.wordpress.com/978/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/fairesavoir.wordpress.com/978/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/fairesavoir.wordpress.com/978/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/fairesavoir.wordpress.com/978/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/fairesavoir.wordpress.com/978/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/fairesavoir.wordpress.com/978/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/fairesavoir.wordpress.com/978/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/fairesavoir.wordpress.com/978/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/fairesavoir.wordpress.com/978/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/fairesavoir.wordpress.com/978/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=faire-savoir.info&amp;blog=1385727&amp;post=978&amp;subd=fairesavoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Vendido #7</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Nov 2008 22:12:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Barba</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sabe quando nada te faz feliz? É uma espécie de incômodo peculiar: você revira, revira a vida e não consegue que quer. Às vezes, infelizmente, é possível revirar até conseguir o que você não quer de maneira alguma. Eu sou bom nisso. Cada vez que saio da inércia consigo o que não quero. O que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=faire-savoir.info&amp;blog=1385727&amp;post=823&amp;subd=fairesavoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Sabe quando nada te faz feliz? É uma espécie de incômodo peculiar: você revira, revira a vida e não consegue que quer. Às vezes, infelizmente, é possível revirar até conseguir o que você não quer de maneira alguma.</p>
<p style="text-align:justify;">Eu sou bom nisso. Cada vez que saio da inércia consigo o que não quero. O que não quero nem fudendo. AnX LXXsX, TXrXzX, ClxrX, MXrXX são as forças que sempre me jogam de volta para onde não deveria ter saído. Essas mulheres, essas malditas mulheres.Não se pode viver sem elas nem jogá-las pela janela. Desde os dezessete anos elas me causam danos irreparáveis, que provavelmente só aumentam com o passar do tempo.</p>
<p style="text-align:justify;">Meu primeiros três namoros me deixaram com a sensação de ter perdido pedaços da vida. Meus tempos de solidão me deixaram com a sensação de não estar vivendo. Meu casamento foi como um sonho ruim. Meu divórcio como um pesadelo fora de controle.</p>
<p style="text-align:justify;">O que eu aprendi com isso? Que não existe estado perfeito, equilíbrio ou conforto no mundo dos relacionamentos. E é um mundinho escroto de onde não há saída. Duvida? Tente então. Mesmo que você vá pra um monastério na putaquepariu seus relacionamentos vão te perseguir até lá.</p>
<p style="text-align:justify;">Amar ao próximo numa dose ligeiramente maior do que o amor próprio pode ser a regra da união. Ter pena e ódio do outro de si é uma espécie de linha-guia da separação. E quando o fim vier, queime o que restou&#8230; do contrário tudo brotará de novo. Mas não fique achando que são brotos verdes e bonitos, são todos tortos e doentes. Vão crescer deformados e virar árvores escuras, daquelas que parecem a beira da queda o tempo todo.</p>
<p style="text-align:justify;">__</p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2007/07/17/amores-brutos-9/">Vendido #0</a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2007/08/07/vendido-1/" target="_blank">Vendido #1 </a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2007/11/23/vendido-2/" target="_blank">Vendido #2</a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2008/02/23/vendido-3/" target="_blank">Vendido #3</a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2008/03/23/vendido-4/" target="_blank">Vendido #4</a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2008/04/22/vendido-5/">Vendido #5</a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2008/09/16/vendido-6/" target="_blank">Vendido #6</a></p>
<br />Publicado em contos Tagged: conto, contos, infernos, relacionamentos, vendido <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/fairesavoir.wordpress.com/823/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/fairesavoir.wordpress.com/823/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/fairesavoir.wordpress.com/823/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/fairesavoir.wordpress.com/823/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/fairesavoir.wordpress.com/823/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/fairesavoir.wordpress.com/823/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/fairesavoir.wordpress.com/823/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/fairesavoir.wordpress.com/823/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/fairesavoir.wordpress.com/823/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/fairesavoir.wordpress.com/823/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/fairesavoir.wordpress.com/823/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/fairesavoir.wordpress.com/823/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/fairesavoir.wordpress.com/823/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/fairesavoir.wordpress.com/823/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=faire-savoir.info&amp;blog=1385727&amp;post=823&amp;subd=fairesavoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Vendido #6</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Sep 2008 10:51:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Barba</dc:creator>
				<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[felinos]]></category>
		<category><![CDATA[problemas]]></category>
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		<description><![CDATA[Nunca gostei de gatos, desde quando era bem pequeno. Que tipo de afeição é possível ter por esses bichos que estão sempre à espreita, que não atendem a qualquer chamado? Alguma, é certo, do contrário os gatos não estariam há tanto tempo à nossa volta. Roubando carne posta para descongelar, urinando nos sofás, arranhando cortinas, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=faire-savoir.info&amp;blog=1385727&amp;post=617&amp;subd=fairesavoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Nunca gostei de gatos, desde quando era bem pequeno. Que tipo de afeição é possível ter por esses bichos que estão sempre à espreita, que não atendem a qualquer chamado? Alguma, é certo, do contrário os gatos não estariam há tanto tempo à nossa volta. Roubando carne posta para descongelar, urinando nos sofás, arranhando cortinas, defecando em caixinhas de areia.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas qualquer coisa que falte aos gatos é compensada com graça, e é justamente por isso que não quero os gatos próximos de mim: a graça torna qualquer ser traiçoeiro e egoísta ainda pior. Podem tudo do mais errado e ainda assim ganham o perdão, sob quaisquer circunstâncias. Alguns gatos eu nunca  perdoei, outros torturei. Coisa de criança.</p>
<p style="text-align:justify;">E agora, nesse momento, eu divido a cama com um felino &#8211; de outra espécie, não um gato. Talvez uma gata, embora eu ache essa a gíria mais cafona do mundo. E, mesmo que tudo o que eu disse sobre os gatos se aplique, eu deixo que ela roube a minha carne, arranhe as minhas costas.</p>
<p style="text-align:justify;">O cabelo solto, o nariz levemente empinado, a pele lisa cheirando a loção hidratante e suor. Ninguém tem poder pra resistir a isso, mesmo sabendo que tudo fatalmente dará errado. Um dia. A vida é assim mesmo: mesmo quando sabe que caminha pro buraco,  você continua andando se o caminho for agradável. Se for um deleite então é possível correr e pular de ponta.</p>
<p style="text-align:justify;">É isso que eu estou fazendo aqui, na minha cama. Acordado, observando cada detalhe, sentido alguma coisa mexer na altura do estômago, pulando de ponta. Tudo intriga, convida. A tatuagem no braço tem algo escrito em francês e não faço idéia é, algumas cicatrizes na perna, a marca de biquíni (bem fraca) nas costas&#8230;</p>
<p style="text-align:justify;">Há quanto tempo estamos aqui? Mais que um dia inteiro, a manhã diz que já é domingo, grita que já é hora de fazer alguma outra coisa além de fornicar mas não sinto qualquer vontade de sair do meu lugar. O quarto todo é uma inércia, as roupas espalhadas também teimam em não mexer.</p>
<p style="text-align:justify;">Deslizo o dedo pelas costas dela, quase involuntariamente. Ela arrepia, vira para me olhar. Olhos grandes, de um formato exótico, que inspira mistério. É um felino gracioso, oh sim, e vai fazer muito do que não deve. Eu, já na terceira noite, tenho certeza que vou perdoar, aceitar, tratar bem.</p>
<p style="text-align:justify;">É uma bela encrenca.</p>
<p style="text-align:justify;">__</p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2007/07/17/amores-brutos-9/">Vendido #0</a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2007/08/07/vendido-1/" target="_blank">Vendido #1 </a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2007/11/23/vendido-2/" target="_blank">Vendido #2</a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2008/02/23/vendido-3/" target="_blank">Vendido #3</a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2008/03/23/vendido-4/" target="_blank">Vendido #4</a></p>
<p align="justify"><a href="http://faire-savoir.info/2008/04/22/vendido-5/">Vendido #5</a></p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/fairesavoir.wordpress.com/617/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/fairesavoir.wordpress.com/617/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/fairesavoir.wordpress.com/617/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/fairesavoir.wordpress.com/617/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/fairesavoir.wordpress.com/617/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/fairesavoir.wordpress.com/617/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/fairesavoir.wordpress.com/617/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/fairesavoir.wordpress.com/617/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/fairesavoir.wordpress.com/617/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/fairesavoir.wordpress.com/617/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/fairesavoir.wordpress.com/617/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/fairesavoir.wordpress.com/617/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/fairesavoir.wordpress.com/617/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/fairesavoir.wordpress.com/617/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/fairesavoir.wordpress.com/617/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/fairesavoir.wordpress.com/617/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=faire-savoir.info&amp;blog=1385727&amp;post=617&amp;subd=fairesavoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>BeanStorm</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Sep 2008 04:20:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Barba</dc:creator>
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		<category><![CDATA[gonzotrip]]></category>
		<category><![CDATA[brainstorm]]></category>
		<category><![CDATA[não-escrita]]></category>
		<category><![CDATA[sem-noção]]></category>
		<category><![CDATA[Warren Ellis]]></category>

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		<description><![CDATA[Em algum momento entre as doses de mescal e café colombiano as coisas começaram a fazer sentido. Havia um coelho, sentado num canto. Um coelho rosa, gigante, com uma motossera. Elétrica não, a diesel. A coisa real. Parecia um garoto propaganda de alguma madeireira cujo departamento de marketing é dirigido pelo filho do dono. Animais, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=faire-savoir.info&amp;blog=1385727&amp;post=592&amp;subd=fairesavoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Em algum momento entre as doses de mescal e café colombiano as coisas começaram a fazer sentido. Havia um coelho, sentado num canto. Um coelho rosa, gigante, com uma motossera. Elétrica não, a diesel. A coisa real. Parecia um garoto propaganda de alguma madeireira cujo departamento de marketing é dirigido pelo filho do dono. Animais, motosseras, conservem as florestas, desenvolvimento sustentável. Quase acreditei em tudo e pedi que o coelho salvasse o mundo, porque ninguém pensava mais nisso. Não com quarenta graus lá fora e as bolas colando na perna enquanto eu andava&#8230; o carbono já estava todo lá.</p>
<p style="text-align:justify;">Acendi um charuto e observei coisas com um outro olhar. Quer dizer, era pra ser um workshop, mas parecia uma convenção de loucos. Novas tendências da mídia, eu diria. E como não havia nada de novo a ser feito, as coisas simplesmente pararam de fazer sentido. Pensei nisso quando descobri que os cachorros da minha ex estavam viciados em pó. Noiadões, assim. Quer dizer, que mundo é esse?</p>
<p style="text-align:justify;">O charuto, maravilhoso, enrolado na coxa firme de algumas trabalhadoras dedicadas de alguma república obscura da América Central. Como aquilo tinha vindo parar nas minhas mãos? Da coxa de tão maravilhosas senhoras para os meus lábios podres. As colegiais japonesas, porra. elas suportam cada coisa. Eu vi naqueles filmes&#8230; ninguém podia gostar de assistir aquele tipo de coisa.</p>
<p style="text-align:justify;">Quando tudo mais perde o sentido, não há mais nada para se procurado. Quanto menos encontrado. Eu pensei nisso enquanto a dose batia, e tive uma visão do que parecia ser a Sagrada Família cantando Great Balls of Fire. Um dos reis magos estava no piano, outro no contrabaixo. Maria dançava com o terceiro e José cantava mais alto do que devia. O Menino Jesus era o baterista.</p>
<p style="text-align:justify;">Com uma visão dessas eu poderia fundar uma Igreja. Se eu fosse um patriarca religioso ia me concentrar em atrair seguidoras, jovens seguidoras. Minha religião seria um culto cósmico à deusa, alguma babaquice Wicca que traz meninas loucas pra ficarem nuas e correr pela floresta. E consumar o sacrifício, hehehe.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas eu estou perdendo o ponto, não tem nada a ver com isso. A questão toda era o coelho, rosa, essa espécie de sacerdote pós-moderno da propaganda. Putaquepariu. Aquilo era muito bom. Quase tanto quanto o palhaço sadomasoquista e seu espetáculo de dor. Você assina um contrato antes de entrar no show do cara e aí é uma parada como uma apresentação do GG Allin. Escatológica, se é que você me entende. Dizem que ele amarra um peso no pau, tipo um faquir. Eu não queria ser esse cara.</p>
<p style="text-align:justify;">A mulher da publicidade honesta me disse algo sobre a propaganda que diz a verdade. Nada mais que a verdade, juro. Ela está fazendo a caixa de uma nova marca de cigarro para a Phillip-Morris. Chama-se DEATH. Tenho que admitir que gosto do nome e acho que vai fazer um sucesso fudido entre emos, góticos e vadias suicidas em geral. Se pusse sugerir algo eu falaria para fabricarem o sabor cianureto. Diminuir o número de idiotas no mundo é uma ótima maneira de demonstrar responsabilidade social.</p>
<p style="text-align:justify;">Os chineses por exemplo, podem ser muitos, mas matam assim,  meio sem dó. Acho isso uma espécie de nobreza que não se encontra no mundo mais. Os americanos podem até matar mais, mas pedem tanta desculpa e chamam coletivas de imprensa para dizer que &#8220;necessário&#8221; que toda a graça se perde. O exército, putz, é quem mais precisa de um publicitário esperto. Espertão.</p>
<p style="text-align:justify;">Outro dia encontrei uma freira na rua. Ela me disse que seu nome havia sido João, e que havia se transformado para seguir a deus melhor como mulher. Como não amar essa criatura desprovida de pau e bom senso? Respirei fundo fui para o outro canto, me controlando para não enchê-lo/a de pontapés. Quer dizer, isso não faz qualquer sentido.</p>
<br /><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/categories/fairesavoir.wordpress.com/592/" /> <img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/tags/fairesavoir.wordpress.com/592/" /> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/fairesavoir.wordpress.com/592/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/fairesavoir.wordpress.com/592/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/fairesavoir.wordpress.com/592/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/fairesavoir.wordpress.com/592/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/fairesavoir.wordpress.com/592/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/fairesavoir.wordpress.com/592/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/fairesavoir.wordpress.com/592/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/fairesavoir.wordpress.com/592/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/fairesavoir.wordpress.com/592/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/fairesavoir.wordpress.com/592/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/fairesavoir.wordpress.com/592/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/fairesavoir.wordpress.com/592/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/fairesavoir.wordpress.com/592/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/fairesavoir.wordpress.com/592/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=faire-savoir.info&amp;blog=1385727&amp;post=592&amp;subd=fairesavoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Amores Brutos #20</title>
		<link>http://faire-savoir.info/2008/08/02/amores-brutos-20-2/</link>
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		<pubDate>Sun, 03 Aug 2008 00:10:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Barba</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Carta para X Do lado de lá não há nada que reste. Que preste. Apenas os mesmos rasgos gastos, as marcas antigas daquilo que não foi. Do lado de lá não há conforto, como nunca houve nesse ou em qualquer outro. Há um bocado de conveniência, uma infelicidade residente, um muro construído em dívidas, o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=faire-savoir.info&amp;blog=1385727&amp;post=448&amp;subd=fairesavoir&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Carta para X</p>
<blockquote>
<p style="text-align:justify;"><em>Do lado de lá não há nada que reste. Que preste. Apenas os mesmos rasgos gastos, as marcas antigas <strong>daquilo que não foi.</strong> Do lado de lá não há conforto, como nunca houve nesse ou em qualquer outro. Há um bocado de conveniência, uma infelicidade residente, um muro construído em dívidas, o controle sutil. Aqui nunca houve nada que não fosse o ensaio de um delírio duplo</em>, <em>de uma embriaguez construída por detrás do mundo. Talvez isso não seja nada, talvez isso seja muito menos do que um tanto que não resta</em>. <em>Mas aqui, aqui mesmo, fundamos o império do impossível, com seu regente manco e caolho, dono da chave para todos os prazeres e sofrimentos do mundo conhecido. Agora que um exército atravessou as montanhas para carregar toda a beleza de volta para longe, para esconder <strong>aquilo que foi </strong>dentro de uma toca gélida&#8230; agora eu me recolho. A hora de seguir já passou</em>, <em>para todos nós.</em></p>
</blockquote>
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