Danta$ é diversão

Julho 15, 2008

Nada mais empolgante que ver as reações à prisão dele. Não importam os crimes e o esquema de desvio de verbas agora a questão é fazer tudo parecer uma grande perseguição do Estado Comuneesta Brasileño a um homem de bem, um empresário honesto que caiu na desgraça da Polícia Federal - “Isso vai virar uma Venezuela” grita a direitalha olavete. Ajudaria se o delegado que escreveu o inquérito não fosse metido a acadêmico, ou se um batalhão de jornalistas de aluguel não estivesse mobilizado ($$$) em defender a todo custo azelite corrupta do Brasil. Por causa do inquérito mambembe e do dotô Gilmar Mendes, Danta$ vai ser inocentado e azelite vão poder dormir em paz.

Junho 12, 2008

Já escrevi uma vez, mas é sempre bom pra eu me lembrar.

O melhor profeta do futuro é o passado.

Porque nós nunca somos capazes de mudar o tanto que gostaríamos, por mais que que tentemos. É impossível, infelizmente, tornar aquilo que almejamos. Naquilo em que fracassamos no passado, vamos fracassar no futuro. Naquilo em que fomos bem sucedidos, seremos novamente. Já está tudo escrito, basta saber ler. Saber interpretar os sinais e, acreditem, eles gritam em nossos ouvidos.”


I object!

Deputados analisam desenhos do Cartoon Network

SÃO PAULO - Com a CPI do mundo real presa a um enredo de poucas emoções, um grupo de deputados resolveu investigar mazelas de ficção. Integrantes da Comissão de Defesa do Consumidor, da Câmara, promoveram ontem uma audiência sobre o conteúdo da programação do canal de desenhos Cartoon Network, veiculado pela TV paga.

Mesmo sem poderes para quebrar sigilos, os deputados identificaram, com a devida ajuda da assessoria técnica parlamentar, o inimigo, o suspeito de desvirtuar os bons costumes: Harvey, o advogado. Trata-se uma reencarnação animada do Homem Pássaro, super herói careta que fez sucesso nos anos 70. Harvey atua como um advogado, ao lado de seu antigo mascote, agora escrivão, Vingador, solucionando casos jurídicos entre personagens de séries animadas criadas por Hanna-Barbera, como Fred Flintstone e Scooby-Doo. No desenho, os personagens passam por experiência mundanas e existenciais, algumas vezes erótica. Isso provocou revolta na Câmara.

Embora, nem Scooby-Doo nem Barney e Fred tenha feito uso de cartão corporativo ou produzido dossiês. Os deputados Celso Russomanno (PP-SP) e Júlio Delgado (PSB-MG) chegaram a advertir o diretor-executivo jurídico da Net TV, André Muller Borges, de que ele tinha sorte por estar depondo a uma comissão temática, e não a uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). “Se aqui fosse uma CPI, o senhor estaria encalacrado“, disse Delgado, sinalizando que Borges poderia ter sido preso por mentir. O deputado Barbosa Neto (PDT-PR), que convocou a audiência pública, exibiu trechos de desenhos animados, veiculados pelo canal Cartoon Network, com cenas de violência, como esfaqueamento e suicídio: “Fiquei chocado, porque crianças assistem a esses desenhos“.

Sem comentários, a notícia do Estadão coloca o ridículo da situação bem demais….

Abril 15, 2008

Estou devendo umas cento e tantas prestações!

PMMG Autista

Abril 7, 2008

A PM divulgou nota esclarecendo que foi chamada pela segurança da UFMG “e, nesse caso, não poderia se omitir”. Além da regimento, a ocorrência foi atendida pelo Batalhão de Polícia de Eventos (BPE). O tenente-coronel Ricardo Matos Calixto explicou, na nota, que o encontro “marcha pela maconha, organizada pelos alunos”, não foi autorizada pela diretora do instituto, conforme ofício enviado à procuradoria jurídica, “pois fazia apologia à liberação e ao uso da maconha”. Diz ainda que “o documento confirma a solicitação de reforço da segurança nas dependências da escola”. O militar explicou que objetos foram lançados nos policiais e que “uma aluna ficou ferida, atingida por pedrada arremessada pelos estudantes”.

Mesmo com todas as testemunhas da presepada, a PM ainda insiste na desinformação como tática pra cobrir o abuso ocorrido no dia 03/04/2008. Seria legal se o tenente-coronel em questão soubesse que não se estava organizando nenhuma “marcha pela maconha” no IGC naquele dia. O evento em questão é a Marcha da Maconha, que busca desmistificar o estereótipo do usuário da droga e estabelecer a discussão sobre sua legalização, que é muito diferente de apologia a seu uso - e ele será realizado no mês de maio. Já a aluna “atingida por pedrada arremessada pelos estudantes” obviamente foi agredida pelos PMs, como ela mesma alegou.

Olhando o que ocorreu na UFMG acabo tendo que dar razão àqueles que são a favor da legalização. A proibição na década de 30 criou o tráfico, um componente perigoso no panorama de violência urbana, o uso só vêm crescendo até então - tanto pela cannabis ter se tornado um símbolo de rebeldia quanto pela melhor informação sobre as conseqüências de seu uso.

Foda mesmo é ver a PMMG, que não dá conta nem da segurança do meu bairro, enviando dezenas de policiais e um helicóptero, gastando dinheiro público para fazer coro com a incompetência administrativa com a qual a UFMG lidou com esse evento. Vai ver é o efeito Tropa de Elite na cabeça dos valorosos homens da lei, celebrando o novo senso comum que enxerga o estudante universitário como criminoso e desocupado.

Medo e Delírio na UFMG

Abril 5, 2008

(ou ‘Como Resolver um Problema Simples Apelando para a PM‘)

Que duvida que ‘universidade’ e ‘maconha’ são substantivos intimamente ligados? Sei lá, talvez algum seminarista ou estudante de curso de teologia (se não for a teologia de Jah, é claro). Feliz ou infelizmente é comum ver estudantes - e também professores - consumindo a cannabis nas dependências dos campi. Eu percebi isso logo quando comecei a estudar na UFMG em 1997, no Colégio Técnico. Lá existia uma árvore com o nome sugestivo de Árvore da Paz onde obviamente se aglomeravam os temíveis maconheiros.

Na verdade, no sertão bravo onde eu cresci, maconheiro era uma alcunha genérica pra qualquer consumidor de drogas ilícitas: lembro dessa palavra ser usada para designar um amigo que era viciado em cocaína. Logo, quando eu [ainda] era jeca, achava que os maconheiros eram todos uns fissurados que roubavam dinheiro dos pais para poderem “fumar drogas”. Depois de um tempo no Colégio Técnico deu pra ver que isso era mais complexo. Alguns maconheiros não iam à aula, tiravam notas ruins, sumiam durante semanas, torravam a grana toda em fumo, enfim, eram o que eu esperava de alguém que consumia a tal droga. Outros, a maioria, fumavam ocasionalmente e alguns deles chegavam a se destacar como estudantes. Eu não costumava freqüentar a Árvore da Paz, já que nunca fui afeito ao Raul Seixas ou à Janis Joplin, mas tinha alguns amigos que eram maconheiros, essa temível má influência…

Alguns anos mais tarde, já na FAFICH, me irritava ver que a despeito de todo o espaço aberto no campus alguns filhos da p*ta curtiam queimar um baseado numa sala vazia ou mesmo dentro dos centros acadêmicos. Fumar maconha ou não dentro do espaço da universidade já havia deixado de ser uma questão, o problema era fazerem isso dentro de espaços que haviam sido projetados para outros usos - não, DAs e CAs não deveriam ser fumódromos.

Nessa altura do campeonato eu já tinha descoberto que existiam mais usuários de maconha dentro dos meus espaços de convivência do que eu jamais imaginara - e não, não eram só os doidões das ciências humanas. A relação com a maconha era ambígua: em muitos caso era apologética ou hipócrita, com poucos meio termos. Traçada a linha do respeito, as minhas questões de fundo da maconha já eram outras: o financiamento do tráfico pelo usuário; a restrição contra o uso, posse e cultivo da droga; os problemas de saúde acarretados pelo seu consumo; as conseqüências de uma eventual legalização; entre outras.

Enfim, tudo isso pra dizer que se consome maconha nos campi brasileiros com bastante liberdade. Pronto.

[Se alguém ficou chocado ou acredita na predominância do universitário estereotipado do Tropa de Elite, recomendo análise.]

Bem, o caso é que ontem, entre uma leitura e outra na biblioteca, fui na cantina pra tomar um café e me abastecer de nicotina. Obviamente encontrei alguns amigos e resolvi passar aqueles 20 minutos redentores conversando amenidades e etc. Voava um helicóptero por perto, mas nada muito excepcional já que muitos treinam pilotagem voando em cima das nossas cabeças. Quando estou voltando pra biblioteca percebo uma correria estranha, mas nada muito anormal. Termino o texto e o fichamento, volto pra casa.

De manhã, já no estágio docente, um grupo de alunos pede a permissão para falar. Logo imagino que deve ser sobre uma mobilização qualquer e que os caras vão fazer aquele discurso de “500 chavões em 5 minutos” - oferecido de graça pelos partidos comunistas pelo mundo afora - mas nada… os caras contam sobre os acontecidos de ontem [03/04/2008], os quais tentarei resumir.

Em ocasião de expectativa pela famosa Marcha da Maconha programou-se a exibição do filme Grass no IGC - Instituto de Geociências. Grass, para quem não sabe é um documentário dirigido pelo documentarista canadense Ron Mann. Longe de ser apologético, Grass busca explicar o tratamento da maconha no século XX tomando com linha-guia a política [ou histeria] antidrogas adotada pelos EUA. No entanto

No dia 2 de abril, p.p., a Reitora em exercício, Professora Heloisa Maria Murgel Starling, recebeu o ofício IGC nº 086/2008, da Diretora do Instituto de Geociências, no seguinte teor: “Conforme documentação anexa, enviada à Procuradoria Jurídica, informamos que está programada a exibição do filme ‘Grass Maconha’ na arena deste Instituto de Geociência, amanhã – 03 de abril, às 17h30. Esclarecemos que esta atividade não foi autorizada pela Diretoria, conforme e-mails enviados ao Diretório Acadêmico, que informou não ser responsável pela programação do mesmo. Em função da demonstração do discente Wander Lúcio Mourão Júnior – matrícula 2003022630, que não é integrante do Diretório Acadêmico, em permanecer com os cartazes afixados e afirmar que a exibição do referido filme seria mantida, solicitamos o reforço da segurança universitária nas dependências desta Unidade no dia 03 de abril, a partir das 17 horas.”

Ao ofício acima mencionado foi aposto o seguinte despacho pela Chefia de Gabinete: “De ordem da Reitora em exercício, autorizo que a chefia de Segurança da UFMG garanta o cumprimento da deliberação da Diretora do IGC.”

Por algum motivo qualquer a Diretora do IGC decidiu não permitir a exibição do documentário. Segundo um amigo que estuda lá - e não, não é maconheiro - ela simplesmente afirmou que o documentário não poderia ser exibido sem alguém se responsabilizando pelo ato e mandou colar um cartaz dizendo que a exibição do documentário havia sido cancelada. Aparentemente alguém se responsabilizou - já que ela chegou a enviar um nome e um número de matrícula para a Reitoria - mas de qualquer maneira a decisão de não permitir a exibição foi mantida.


Poster do perncioso documentário

Não cabe discutir o que se passa na cabeça da pobre diretora, que pediu que a segurança da UFMG fosse impedir a exibição de um documentário distribuído pela Editora Abril - isso, aquela do Civita - editado no Brasil pela Revista Super Interessante e tudo mais. Claro, a segurança universitária apareceu só para puxar a tomada e obviamente uma discussão acalorada se seguiu. Dois PMs da cavalaria chegaram lá e, quando tudo parecia perdido, após alguma conversa o documentário voltou a ser exibido e os ânimos se acalmaram.

Algum reforço policial chegou e quem quer que estivesse no comando resolveu fechar o prédio - estilão Jack Bauer “ninguém entra e ninguém sai até apurarmos os culpados”. O caos se instaurou quando um estudante - que não tinha qualquer relação com o tal documentário polêmico, subversivo e perigoso - resolveu sair do prédio. Ao ver seu direito de transitar impedido ele tentou argumentar com a PM…

Bem, ele obviamente aprendeu que não se discute com a PM por mais insana que seja a situação - talvez ainda menos recomendável nesses casos onde a ação deles é despropositada. O que se seguiu, obviamente, foi uma confusão entre os PMs, universitários e professores revoltados com a prisão [nonsense] do estudante em questão. Tivemos o prazer de ver 10 viaturas dentro do campus e inclusive o tal helicóptero, que era para dar apoio a essa ação. Depois de alguma conversa e protesto, liberaram o tal estudante. Quando ele estava indo embora, um PM se a aproximou dele numa motocicleta e fez alguma provocação - apenas para que o pobre respondesse e fosse novamente preso por “desacato” e, segundo seu relato, com direito a voltinha de camburão e ameaças verbais.

Bem. Policiais em geral são despreparados para esse tipo de situação mesmo e não também não têm muita boa vontade - não há muita mediação na cabeça dos figuras, então eles sempre dão um jeito de esquentar a chapa em qualquer manifestação, ato ou fala que soe minimamente como “desordem” ou “desacato”. Não dá pra esperar nada diferente. Em 2001, durante a greve, quando ia pro trabalho caí numa situação dessas: quase levei porrada porque estava atravessando a Abraão Caram e a polícia partiu pra cima de meia dúzia que estavam em manifestação por aumento salarial.

Se da polícia não podemos esperar outra coisa, muito me admira que a Reitoria tenha autorizado a ação dos PMs no campus, numa situação que poderia ter sido resolvida de maneira civilizada - e se a diretora do IGC fazia tanta questão que o documentário não fosse exibido, que arrumasse algum argumento mais convincente do que o “não pode”. Mais engraçado ainda é a situação onde trocentos PMs, dez viaturas e um helicóptero aparecem na UFMG para uma ação desproporcional, mas não parecem fazer o serviço muito bem feito quando a questão é garantir a nossa segurança. E bem, enquanto eu escrevo isso, tenho certeza de que existem pelo menos uns cinqüenta baseados acesos pelo campus.

É óbvio que o debate a respeito do consumo e legalização da maconha deve acontecer, principalmente para reunir pontos de vista que sejam diferentes do clássico discurso dos maconheiros ["Abrir a cabeça cara..."], dos carolas ["Deus te ama: diga não às drogas"] e dos legalistas ["É ilegal e pronto"]. A maneira como todo esse processo foi conduzido mostra que quando usuários [e estudantes em geral] se dispõem a falar sobre o tema são logo interpretados pelo viés da apologia - que é só mais uma maneira de encarar a questão. Podemos escolher trabalhar em cima de um ideal ou lidar com a realidade: é ilegal, mas nem por isso um mundo de gente deixa de consumir para “abrir a cabeça” - pena mesmo é o fato de Deus não amar ninguém nessa história.

Editado 05/04/08

O comando da Polícia Militar informou que dois militares que fazem patrulhas dentro da UFMG teriam sido chamados pelos seguranças. “Fomos até lá para conversar com os alunos. Alguns deles começaram a jogar pedras e por isso foi chamado o reforço policial”, afirmou o chefe da assessoria de comunicação da PM, tenente-coronel Ricardo Calixto.

Alguém pode esclarecer se esse “jogar pedras” aconteceu mesmo? Infelizmente minha experiência em intervenções da PM no que quer que seja se resumem ao seguinte: chegam batendo e depois inventam um ocorrido pra se justificar, ou simplesmente invertem a ordem dos acontecimentos. Por ocasião de um protesto de rua, um PM quebrou braço de um conhecido e quando foi explicar o acontecido mostrou alguns arranhões na perna dizendo tinha sido agredido. As feridas dele já tinham casquinha, tavam até cicatrizando.

indio
Cara, você tem que escutar o último do Molejo!
.
Depois de ler o muito relevante “raio-x da geração pós-tudo“, super bem feito e com perguntas pertinentes, fiquei chateado por não ter sido entrevistado. Mas como expoente dessa geração tão ativa e independente eu resolvi produzir meu próprio:

Barba, 25 anos
Onde mora: Belorizonte
Onde nasceu: Belorizonte
Onde sai: não saio
Como se veste: ahn, começo pela cueca e…
Como consome música: com muito LSD
O que ouve: música roque
O que vê na TV: Novela das 8, Big Brother, Ana Maria Braga
Vê “Big Brother”: Lógico, achei doido demais o Marcelo ter sido eliminado
Indie, rocker ou emo: É tribo?
Gosta de Cachorro Grande: Pastor Alemão cruzado com Akita, já tive dois
Por que Interpol: Porque os ingressos pro show da Ivete já estavam esgotados…

Bem, agora vou tentar iniciar o primeiro meme intimando Mr. Perna, Julia, Mya, Dora e Trevisan a fazerem o mesmo - depois devem convocar mais 5 outros infelizes “pós-tudo” e assim por diante até todos nós termos respondido. Só assim teremos um raio-x estatisticamente correto!

É pecado?

Março 12, 2008

 

Onde queimam ricos, drogados e poluidores!

O Vaticano mudou de orientação, agora é comuna, straight-edge e alinhando ao Greenpeace. Pelo menos é o que parece quando olhamos a lista dos seis novos pecados capitais:

 

1. Fazer modificação genética
2. Poluir o meio ambiente
3. Causar injustiça social
4. Causar pobreza
5. Tornar-se extremamente rico
6. Usar drogas

Como se vê, uma lista descolada e alinhada com as novas tendências, de pecados bastante específicos e um forte cunho “social”. Mas o que os ultra-conservadores da Igreja vão dizer sobre isso? O que nossos pensadores católicos que tanto defendem o direito de propriedade como o mais sagrado de todos vão pensar do pecado de “tornar-se extremamente rico”? “Usar drogas” inclui fumar tabaco e ingerir álcool? E café?

Tales of Procrastination

Fevereiro 26, 2008

Triste e verdadeiro.

P r o p r i e d a d e

Fevereiro 24, 2008

O movimento Paz no Campo falando a respeito da regularização do Quilombo de Sacopã:
Lá no início dos anos 60, o Prof. Plínio Corrêa de Oliveira chamava a atenção de seus leitores que o comunismo tentaria implantar-se no Brasil através da Reforma Agrária, logo seguida pela Reforma Urbana, e pela reforma Empresarial, por meio de confiscos e coletivização da propriedade, com controle do Estado, transformando o País numa imensa favela rural. É para onde caminhamos a passos largos, se essas loucuras desapropriatórias e expropriatórias não tiverem um basta!
Eu não sou a favor de nenhum consenso, muito menos sobre a questão quilombola, mas daí a afirmar que há alguma espécie de comunismo disfarçado que transformará o País numa imensa favela rural
.
Outro dia eu estava lendo uns trechos de uma dissertação sobre a ocupação do espaço urbano no Brasil. Onde parece haver uma ordem constituída em cima da propriedade desde de tempos imemoriais existe uma série de irregularidades monumentais. Imobiliárias que grilam terras do Estado, grandes proprietários que fraudam vendas, construção de bairros nobres em cima de áreas de preservação ambiental e expulsão de todos aqueles sem acesso à justiça. No meio dessa bagunça toda, famílias e famílias há anos requerendo indenizações pela apropriação indevida de suas terras pela crescente cidade.

Lógico, sobre isso nunca vai se comentar nas paragens do Paz no Campo.

22:47

Fevereiro 23, 2008

Burnside continua chorando no meu ouvido, falando sobre assassinatos e amores (achados e perdidos). O sofrimento que impera no blues dele nem combina com o agora, mas parece ser consoante com alguma parte melancólica desse quarto. Sei que ele parou de tocar sua guitarra quando não pôde mais beber, o que diz muito sobre como fazia sua música - de alguma maneira, recorrendo a um clichêzão, também diz muito sobre a vida.

Quando eu ainda freqüentava a igreja, escutava o pastor falando que a vida plena seria vivida no Paraíso, ao lado do Senhor. Sempre achei isso estúpido e conveniente - e espero que o pastor ainda tenha tempo de repensar isso. Mas a vida não “é agora”, isso já ficou para propaganda de cartão de crédito… Ao menos o Burnside, um alcoólatra produtivo e apegado a sua música e ao trabalho no campo, fez o que queria e  preferiu o bourbon ao bordão.

 

O Rei

Fevereiro 22, 2008

Tipo antropologia. Mas nesse caso ele admite… se é que isso é algum consolo.

Esse trecho soa mais como uma espécie de ode à ignorância e ao analfabetismo científico do que como ironia - talvez da mesma maneira que, nas palavras dele, a antropologia do mal se orgulha da barbárie. Jornalismo mambembe esse. Se vale qualquer asneira desde que se fale mal do comunismo e do PT, também me candidato a colunista no dia em que aprender a escrever.