Savoir-Faire

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Insônia como nunca antes. Leituras, reparos, escutas, espectativas – de espectador. Os pajés mantém segredo, Gaza queima e estremece, a magia é uma ciência abdutiva. Kavo.Worm ocupa 4 ou 6 horas e some para todo o sempre.  Minutos, pop ruim travestido de coisa cool pra agradar meninas blasé, Motörhead. Lei, ordem, facões e Will Smith andando sozinho em Nova Iorque. Agora, desligando o mundo porque amanhã já é outro.

Escrito por Barba

janeiro 6, 2009 em 3:12

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03:41

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“E em seguida a linha de segmentação maleável, em que o alcoólatra e a louca extraem, como em um beijo nos lábios e nos olhos, a multiplicação de um duplo no limite do que podem suportar em seu estado, com os subentendidos que lhes servem de mensagem interna.”

Deleuze e Guattari – 1874 -Três Novelas ou “O que se passou?”

Escrito por Barba

dezembro 30, 2008 em 14:34

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Antes de dar início a qualquer empreitada é preciso parar, olhar ao redor, abaixar os ombros, deixar os braços soltos. Cumprir a cartilha do sexto pecado capital do início ao fim. Então, alguma raiva virá, produzindo um levantar violento e um correr de volta para o mundo. E assim o caminho a ser percorrido se torna um projeto de uma vingança contra a indolência própria.

Escrito por Barba

novembro 12, 2008 em 13:08

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Nua, ela escreve sobre a pele. Grava todas as palavras que eu queria gravar, palavras só minhas. Uma vestidura de verbo, feita feito luxo. Dispêndio de espírito impresso em carne delineando a forma imperfeita em completude. Convida, cruza o olhar de maneira a reter tudo em mãos… em braços e pernas de um corpo que não tem fim. Ou limiar. Mas a parábola que desejo não detém suavidade alguma, é feita amontoando golpes sobre pequenas letras sujas, derramadas. É limitada, incompleta, limítrofe. Em uma fronteira qualquer há punhado de tinta borrada por dedos duros mas as palavras, essas permanecem.

Escrito por Barba

setembro 14, 2008 em 9:24

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Escrito por Barba

setembro 11, 2008 em 7:00

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E de repente não acreditava mais em coisa alguma. No íntimo ninguém acredita em ninguém, o que torna uma boa dose de auto-engano necessária para conseguir o mais fino sopro de vida. Aos indignos, à multidão, a vingança consiste na ignorância, na dissimulação, no caráter duplo de cada palavra e cada olhar. Porque, mesmo que se queira dizer a doçura, não há qualquer maneira de conter a fumlinância involuntária, a vontade de ver tudo desabar, de rir por cima dos escombros. Qual a distância existente entre a desconfiança e a sensatez? Se ser razoável é ser pragmático, a paranóia é última sabedoria. A brutalidade a última força. O ódio o último sentimento – e tudo se destila em indiferença. E só então pode se voltar a crer

no que quer que seja.

Escrito por Barba

setembro 7, 2008 em 0:44

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Encontrei meu Duplo, um outro do que eu sou, caído nalgum canto, mexendo violentamente. Como se lutasse contra a apatia mas se recusasse a matá-la. Eu a dei morte justamente por me recusar a combatê-la. O Duplo, que nunca saíra dali, pôde perceber que ali havia outro que não era. E, assim que tombei para lutar contra a indolência, ele se ergueu, olhou para mim e saiu. Tomou o lugar que lhe era devido.

Escrito por Barba

setembro 5, 2008 em 11:20

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Se tudo está fora do lugar não se deve fazer esforço algum para reordenar. O universo tende ao dessarranjo, fator imutável em algo que sempre se transforma. Ir contra esse fluxo implica a não-aceitação daquilo que não se evita, implica perder de vista o que é relevante. Para não afogar nunca se deve nadar contra. Linhas só seráo linhas quando o desarranjo, em conicidências improváveis, as colocar assim. Até lá o fim, o feito e o fato serão guias e, com sorte, conduzirão tudo para distâncias que não podem ser transpostas.

Escrito por Barba

agosto 29, 2008 em 9:35

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O que existe além daqui? Algo que não é uma cela de seda, construída em cima de exasperação e uma ficção de consolo. Ilusão de renovação calcada naquilo que não há, produção de qualquer coisa para preencher um vazio brutal, angustiante. Ao menos o que me resta não são restos, mas rastros. Basta segui-los.

Escrito por Barba

agosto 27, 2008 em 11:29

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Quando não houver nada a ser dito, permaneça em silêncio. Observando todas as coisas estranhas que se reproduzem à sua frente: os eternos retornos, os padrões molares, os fatos que parecem tão naturais mas escondem o vazio detrás de si. Pensar tudo isso exige uma frieza calada, um não-diálogo com o mundo cercante. As conclusões não serão as mais confortáveis, não vão acalmar alma alguma, mas ao menos serão capazes de enterrar a dissimulação. O que reside além disso é a semente para algo novo, reluzente e distante, até que tudo se apague outra vez.

Escrito por Barba

agosto 11, 2008 em 13:29

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Nada soa mais estranho do que o familiar. Você percorre as ruas onde cresceu, onde caiu e aprendeu a andar, e percebe que, no tempo presente, elas te diminuem. Uma redução preenchida por lembranças confusas, nomes impossíveis de recordar, pessoas indesejadas, experiências quanto mais. As ruas que um dia foram convidativas, espaços livres, hoje se desenham como uma teia pegajosa, um traçado de aprisionamento. O vôo por essas vias é possível apenas em sonho… embalado por um cheiro alheio, deitando sobre a maciez de muitos goles e nuvens de fumaça espessa. Não se anda por lá sem um corpo ou um corpo à mão, sob o perigo de perder-se, de nunca encontrar o caminho de volta.

Escrito por Barba

agosto 4, 2008 em 12:42

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15:15

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O desvelar de possibilidades se dá como um jogo de espelhos. Avesso, inverso, refletido. O que se possui de antemão pode ser uma abertura, onde caminhos se despem ante o poder do estabelecido. Pode suceder que o de antes se faça tal qual o grilhão, prendendo o desaventurado em um mundo no qual torna-se fundamental, fechando a possibilidade de rumos outros. Poucos daqueles que se colocam frente aos espelhos da possibilidade notam que os reflexos são mútuos. Desbravar caminhos inauditos exige mais do que o poder de romper estabelecido. É preciso saber agregar aquilo que chega, exercitar a aceitação de dores e dádivas. Percorrer o que não foi trilhado é, antes de tudo, uma questão de generosidade.

Escrito por Barba

julho 20, 2008 em 23:14

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