Arquivo da categoria ‘meta’
Notas Rápidas
1. Hora de voltar a atualizar
Deixei de escrever por aqui depois de meses elaborando minha dissertação de mestrado. Além da “depressão pós-parto” que uma empreitada desse tipo implica, também tirei um tempo para fazer outras coisas interessantes. Depois desse longo hiato é hora de voltar a publicar por aqui, uma vez que não devo voltar a viver tão cedo em Belo Horizonte e adjacências e sempre é bom informar os amigos.
2. Morando no Norte
Desde da primeira semana de dezembro de 2010 resido em Tefé (AM), cidade onde provavelmente passarei os próximos dois anos. Vou trabalhar com os povos indígenas do Solimões, em especial aqueles cujas terras são próximas à RDS Mamirauá. Apesar de todo o alarde feito pelo Jornal Nacional, sobre o “isolamento” de Tefé, as coisas não parecem exatamente como foram retratadas.
Eis a vista da minha janela durante os primeiros dias aqui.
3. Sobre o Norte
Tefé, se não estivesse na calha do Solimões, em plena floresta amazônica, estaria em algum lugar no sudeste asiático. Muita comida preparada é vendida nas ruas a preços baixos. Numa barraquinha no Remanso do Boto é possível comer uma refeição com um peixe assado por R$ 3,50. Em todo canto se avista uma barraca, uma lanchonete uma casa onde se serve algo: sanduíche, bolo, espetinho, etc. Um contraste com qualquer outro estabelecimento com portas para a calçada, claramente frequentado por prestadores de serviço, funcionários públicos, militares, pesquisadores e outros forasteiros.
Outra coisa que chama atenção é o número desproprocional de motocicletas que nunca param de circular. As noites locais podem ser muito silenciosas ou muito movimentadas. Muita música e muita festa: o Natal aqui parecia um Carnaval.
–
Vou a campo em breve. Prometo mais notícias.
É O Fim de Tudo! – Um Blog Apocalíptico
Um dia são as editoras que vão acabar, noutro dia foram os blogs que morreram. Acabaram as raças, morreu o feminismo, é o fim da música. Morreu o capitalismo e também morreu o socialismo. A psicanálise, iiihh, bateu as botas faz tempo. E o cinema então? Acabou, meu filho, junto com o teatro. E as revistas. E a filosofia. E o futebol. Pra não falar do samba, claro. Já falamos que os blogs acabaram? Acabaram, sim. Aliás, até esse post acabou.
Mentira. Acabou não. Mas o que não acabou hoje, é porque vai acabar amanhã. É porque está na sobrevida, agonizando, com o pé na cova. Não é porque eu previ que ia acabar e não acabou que não vai acabar.
Enfim, ajudem-nos a compilar as últimas notícias sobre o fim de tudo o que nos cerca.
Porque é o fim de tudo.
–
Genial!
(via Cabrapreta)
Cérebro de Lagarto
Zine com os quadrinhos pós-surrealistas do Perna e outros. Disponível para download aqui.
From Ashes Rise
Então eu fui trouxa e enrolei uns três meses para renovar meu domínio. O WordPress ainda foi benevolente e deixou o blog parado aí por algum tempo mas quando cortou foi brutal. Os feeds e a indexação do Google foram pro saco, bem como um monte de outros pequenos detalhes. Agora o Savoir-Faire está aí de novo, começando d0 zero.
E quando não há nada para ser escrito? Mesmo depois de um mês em campo, dias na estrada, e uma enxurrada de coisas novas e velhas ocupando cada espaço da minha cabeça não há nada para ser escrito. Ando com uma sensação de que sempre lotei esse espaço de obviedades, coisas que não me inspiram mais: são história. Ou melhor: historinha. O esforço de escrever é parte de um aprendizado, de uma tentativa de colocar em prática aquelas idéias que martelam a cabeça no tempo derradeiro do silêncio, do não-estímulo – segundos que andam meio preciosos nesses dias de tanta informação. E escrever sempre vai ser aprender, porque esse blog pode chamar Savoir-Faire, mas não tem qualquer relação comigo, que não sei muita coisa – muito menos escrever. Coloquei esse nome por causa de uma música do Rocket From the Crypt, que nem é a que eu mais gosto… O fato é que eu reli alguns textos que tinha gostado muito de escrever, os quais considerava bons de alguma maneira, e tudo o que consegui foi sentir uma vergonha absurda da quantidade de erros. Basta dizer que deu vontade de fechar o barraco, pedir a conta.
Felizmente vergonha na cara nunca foi o meu forte, então acho que vou continuar me queimando por aqui.
A coluna da direita – Galera do Fraude
(Continuando o esforço de falar um pouco de cada um dos blogs que estão listados na direita.)
Muita gente lembra do Cardoso On Line, mais conhecido por COL, como um ícone da internet brasileira. Para quem não sabe, o COL era um zine enviado por e-mail aos assinantes duas vezses por semana. O bacana é que era em texto puro, segundo o melhor da diagramação “txtzão na raça”.
Em seus três anos de duração (1998-2001) o COL teve um zilhão de assinantes. Na época havia pouco conteúdo criado por usuários da internet – e 90% do que existia não estava em português, já que a internet estava engatinhando por aqui. Não cheguei a acompanhar o COL já que durante o seu auge eu acessava a internet para pouca coisa – jogar MUD, checar meu Hotmail, hahaha – e tinha um computador descartável. Sim, ele travava de maneira irreversível a cada 5 usos…
Mas então por que eu contei essa historinha bonita? Porque vários autores do COL, e outros tantos, publicavam regularmente na saudosa Revista Eletrônica Fraude. Não sei quando ela foi fundada, mas li praticamente tudo o que foi publicado nela entre 2002 e 2003. Os textos eram excelentes mas, como o destino de todo bom conteúdo na internet brasileña é sumir para sempre, a Fraude acabou em dois em dois tempos.
A parte boa é que vários dos colunistas (senão todos) escrevem até hoje em alguns cantos da internet, publicam livros, assinam matérias diversas em jornais e revistas. Os blogs de alguns deles estão linkados ali, na coluna da direita.
Eduf Labs: Eduardo Fernandes era o editor da Fraude. Oneman band no Peruano Saudita, cientista social(!), adepto do budismo tibetano(!!), webdeveloper(!!!), etc – não se surpreenda se o cara também levar uma vida secreta como ginasta olímpico ou perito forense. Eduf, como é conhecido, cuidou de um monte de sites de revistas e, mais recentemente, escreveu sobre produtividade e tecnologia no (já extinto) Magaiver. Escrevia no blog Eduf Labs até a semana passada, mas ele também foi encerrado. Um nômade, sem dúvida.
Impostor: blog do Ronaldo Bressane escreve algumas coisas para a Folha, é ex-editor da TRIP, e deve fazer algo mais que desconheço. Bressane escreve contos bem sacados, publica boas entrevistas e matérias sobre literatura em geral. Sua melhor criação, na opinião desse humilde aqui, é Mnemomáquina, uma ficção que retrata um daqueles futuros absurdos, glossolálicos – que me lembra Transmetropolitan em seus melhores momentos.
Kaliyuga Blues: Daniel Pellizari, também conhecido como Mojo, foi um dos responsáveis pelo COL. Além de ler alguns textos do cara na Fraude, tomei contato com seu trabalho por causa da Livros do Mal e porque ele, junto com o Daniel Galera, traduziu Trainspotting para o português. Kaliyuga Blues, o blog do Pellizari, é meio que um descanso das palavras. Não há quase nada escrito e a salada de imagens postadas com certa regularidade dá a impressão de que o autor é um cultista dos Mythos, obcecado com japonesas, bondage e exotismos radicais. Sem usar o clichê fudido de que “uma imagem vale por…” é possível dizer que muito do que o Pellizari posta por lá instiga quem olha a saber mais. Exemplo: assisti Dai-bosatsu tôge por causa de uma imagem postada no Kaliyuga.
Trabalho Sujo: Alexandre Matias ganhou minha audiência para sempre por causa de um texto sobre fliperamas intitulado “Boca do Lixo”. O cara escreve sobre música, quadrinhos e informática no Trabalho Sujo e no Estadão. Sou meio desconfiado de jornalistas que escrevem sobre “cultura pop”, já que esse é um rótulo em que qualquer coisa cabe, mas o Matias não decepciona – ele é bem menos cretino que o Lúcio Ribeiro em termos de escrever para as, ahem, novas gerações.
A coluna da direita – Poeirosfera
Sei lá porque diabos eu cito pouco os blogs que leio. Vejo coisas ótimas em outros lugares e poucas vezes posto os links aqui, quando uma das grandes sacas da Internet é justamente a troca de citações – mas sem jabá.
Numa tentativa de reparar essa falta vou tentar escrever um pequeno post sobre alguns dos blogs que estão linkados ali, na coluna da direita. Não pretendo seguir ordem nenhuma, nem ter qualquer coerência nesses textos. Alguns vão ser breves, outros não. Alguns serão impessoais, outros não. É isso.
Vou começar pela empreitada mais insana: a Poeirosfera. Em meados de 2007 o Perna (a.k.a Daniel Poeira) criou o Whiskey ‘n’ Wimmin, onde ele pretendia falar sobre muita coisa – em especial sua recém-inaugurada jornada em busca de uísque e mulheres.
O blog era ótimo, com atualizações freqüentes e frenéticas. Mas, por algum distúrbio próximo à uma obssessão-compulsão, o cara decide que precisa criar um outro blog pra falar de design, outro falar de música, outro pra falar de drinks, outro pra falar sobre a arte de morar sozinho, outro sobre a experiência de ser pai, etc, etc, etc. – e vários desses blogs contam com colaborações dos compayes.

Ele ganhou essa cara de assassino da máfia russa de tanto beber Wyborowa.
Estava criada a (auto-intitulada) Poeirosfera.
Se o Perna tivesse um agregador de posts ou mantivesse tudo numa página pessoal dele, teríamos aqui um dos maiores e mais legais e blogs de todos os tempos. No entanto, temos uma dispersão aestrutural de vários textos ótimos, separados por categorias em páginas mil, onde você sem sempre pode saber onde foi a última atualização. Só assinando os feeds de todos pra não perder nada.
Como o cara escreve bem e divertidamente deixo aqui o título, endereço e um link para um texto bacana dos blogs da Poeirosfera.
Whiskey’n'Wimmin – Na areia branca do deserto escaldante
Quadrinhos Coquetes – O tal do Gibi
Drink Drinker – O Dino-sour dos drinks!
Fudeu! Vou ser pai! E agora? – Atingido por um raio
Poeira Design – Fraktur x Antiqua – A Batalha Do Século!!!
U X O

…
Ando num daqueles momentos meio bizarros, quando você está cheio de idéias que podem se transformar em textos (o que inclui posts, trabalhos, projetos, contos, artigos, etc) mas não consegue estruturar nada com muita clareza.
Pelo menos eu finalmente consegui começar e (quase) terminar um antigo projeto em tempo recorde. Ficou um pouquinho mambembe perto do que eu pretendia, mas fiquei feliz durante o tempo que empenhei nele.
Trata-se de um conto divido em seis partes tentando contar uma história à partir do álbum Yanqui U.X.O. da banda Godspeed You! Black Emperor, uma das minhas favoritas desde 2001.
O texto bruto ficou algo em torno de 25 mil caracteres e foi inteiramente escrito usando o Q10. Fiz tudo em três dias e posso dizer que a agilidade se deveu ao fantástico barulinho de máquina de escrever que o programa faz quando se digita. Não sei quanto a vocês, mas eu sempre considerei esse um dos melhores sons do mundo.
Agora falta ter paciência para imprimir o texto e corrigir as muitas incongruências, repetições e erros de concordância que eu obviamente deixei pelo caminho.
Fiquei ligeiramente satisfeito com o resultado e acho que vou tentar fazer mais coisas do tipo até o fim do ano. Tem mais dois contos engatados que eu comecei a escrever no meio de 2008 mas não saíram dos primeiros parágrafos.
Quando a coisa estiver menos tosca entro em maiores detalhes, talvez até posto uns trechos. Vejamos.
–
U.X.O. is unexploded ordnance is landmines is cluster bombs. Yanqui is post-colonial imperialism is international police state is multinational corporate oligarchy. Godspeed You! Black Emperor is complicit is guilty is resisting.
Stubborn tiny lights vs. clustering darkness forever.
200X
Ah, nada como a preguiça infernal de início de ano. Se todos os dias de 2009 forem como o primeiro, eu vou passar o 364 dias de ressaca assistindo vídeos no Youtube e trocando os móveis da casa de lugar. Pena que já fiz outros compromissos e esse será mais um ano de trabalhar que nem gente grande, fazer muito tempo de campo e – se tudo correr bem – escrever a dissertação.
Não faço a mínima idéia do que fazer com o Savoir-Faire. A preguiça de final/início do ano devorou minha vontade de escrever, logo não ando com energia nem pra preencher post-its. Pelo menos estou assistindo os filmes que queria ver e lendo os quadrinhos que queria ler, o que me dá alguma pauta nerd (e inútil) para o ano que começa.
E falando em nerd (e inútil), os compayes Rocha, Perna, Caipira e Mário fundaram a Sociedade Marciana (também conhecida como O Clube da Luta com Livros) e me convidaram para integrá-la. O processo é simples: se escolhe um livro de ficção qualquer, que todos os membros têm a obrigação de comprar e ler até o próximo encontro.
Durante o encontro, além do consumo de quantidades moderadas de nicotina e álcool, espera-se que os membros discutam conteúdo dos livros. O primeiro e único encontro do qual participei foi a respeito do excelente O Homem do Castelo Alto, de Phillip K. Dick – que, devindo à insanidade da trupe, ainda não foi propriamente discutido em conjunto.
Então é isso.
(A preguiça já passou, mas amanhã ela volta.)
Aparentemente o layout do WordPress mudou pra melhor, colocando tudo o que é necessário à vista em um post à vista. No entanto duas coisas me incomodaram.
1. Estou experimentando uma lentidão absurda ao digitar.
2. O layout não fica confortável no meu monitor fuleiro de 15 polegadas.
Então, trocando em miúdos, a mudança tornou o esforço de escrever no WordPress algo lento e chato.
Voltei.
…
Passei as últimas duas semanas pensando em algo que quisesse escrever. Um conto, um comentário, qualquer coisa. Mas não encontrei nada que me fizesse largar da preguiça e sentar ao teclado com a disposição de antes. Há um bocado de cansaço e de desânimo envolvidos… e também a estranha idéia de que um blog, especialmente um como esse aqui, é bastante inútil.
É ruim quando se entra numa daquela espirais em que tudo o que você escreveu anteriormente parece ruim e além disso não há nada novo a ser escrito. Se o blog é a voz da opinião e a opinião não tem relevância, então o blog por si é irrelevante. Ainda me digno a perder tempo com isso aqui, mas acho que não vai ser por muito tempo.



