(Continuando o esforço de falar um pouco de cada um dos blogs que estão listados na direita.)

Muita gente lembra do Cardoso On Line, mais conhecido por COL, como um ícone da internet brasileira. Para quem não sabe, o COL era um zine enviado por e-mail aos assinantes duas vezses por semana. O bacana é que era em texto puro, segundo o melhor da diagramação “txtzão na raça”.

Em seus três anos de duração (1998-2001) o COL teve um zilhão de assinantes. Na época havia pouco conteúdo criado por usuários da internet – e 90% do que existia não estava em português, já que a internet estava engatinhando por aqui. Não cheguei a acompanhar o COL já que durante o seu auge eu acessava a internet para pouca coisa – jogar MUD, checar meu Hotmail, hahaha – e tinha um computador descartável. Sim, ele travava de maneira irreversível a cada 5 usos…

Mas então por que eu contei essa historinha bonita? Porque vários autores do COL, e outros tantos, publicavam regularmente na saudosa Revista Eletrônica Fraude. Não sei quando ela foi fundada, mas li praticamente tudo o que foi publicado nela entre 2002 e 2003. Os textos eram excelentes mas, como o destino de todo bom conteúdo na internet brasileña é sumir para sempre, a Fraude acabou em dois em dois tempos.

A parte boa é que vários dos colunistas (senão todos) escrevem até hoje em alguns cantos da internet, publicam livros, assinam matérias diversas em jornais e revistas. Os blogs de alguns deles estão linkados ali, na coluna da direita.

Eduf Labs: Eduardo Fernandes era o editor da Fraude. Oneman band no Peruano Saudita, cientista social(!), adepto do budismo tibetano(!!), webdeveloper(!!!), etc – não se surpreenda se o cara também levar uma vida secreta como ginasta olímpico ou perito forense. Eduf, como é conhecido, cuidou de um monte de sites de revistas e, mais recentemente, escreveu sobre produtividade e tecnologia no (já extinto) Magaiver. Escrevia no blog Eduf Labs até a semana passada, mas ele também foi encerrado. Um nômade, sem dúvida.

Impostor: blog do Ronaldo Bressane escreve algumas coisas para a Folha, é ex-editor da TRIP, e deve ter feito mais coisas que desconheço. Bressane escreve contos bem sacados, publica boas entrevistas e matérias sobre literatura em geral. Sua melhor criação, na opinião desse humilde aqui, é Mnemomáquina, uma ficção que retrata um daqueles futuros absurdos, glossolálicos – que me lembra Transmetropolitan em seus melhores momentos..

Kaliyuga Blues: Daniel Pellizari, também conhecido como Mojo, foi um dos responsáveis pelo COL. Além de ler alguns textos do cara na Fraude, tomei contato com o trabalho dele por causa da Livros do Mal e porque ele, junto com o Daniel Galera, traduziu Trainspotting para o português. Kaliyuga Blues, o blog do Pellizari, é meio que um descanso das palavras. Não há quase nada escrito e a salada de imagens postadas com certa regularidade dá a impressão de que o autor é um cultista dos Mythos, obcecado com japonesas, bondage e exotismos radicais. Sem usar o clichê fudido de que “uma imagem vale por…” é possível dizer que muito do que o Pellizari posta por lá instiga quem olha a saber mais. Assisti Dai-bosatsu tôge por causa de uma imagem que vi lá, por exemplo.

Trabalho Sujo: Alexandre Matias ganhou minha audiência para sempre por causa de um texto sobre fliperamas intitulado “Boca do Lixo”.  O cara escreve sobre música, quadrinhos e informática no Trabalho Sujo e no Estadão. Sou meio desconfiado de jornalistas que escrevem sobre “cultura pop”, já que esse é um rótulo em que qualquer coisa cabe, mas o Matias não decepciona – ele é bem menos cretino que o Lúcio Ribeiro em termos de escrever para as, ahem, novas gerações.

Sei lá porque diabos eu cito pouco os blogs que leio. Vejo coisas ótimas em outros lugares e poucas vezes posto os links aqui, quando uma das grandes sacas da Internet é justamente a troca de citações – mas sem jabá.

Numa tentativa de reparar essa falta vou tentar escrever um pequeno post sobre alguns dos blogs que estão linkados ali, na coluna da direita. Não pretendo seguir ordem nenhuma, nem ter qualquer coerência nesses textos. Alguns vão ser breves, outros não. Alguns serão impessoais, outros não. É isso.

Vou começar pela empreitada mais insana: a Poeirosfera. Em meados de 2007 o Perna (a.k.a Daniel Poeira) criou o Whiskey ‘n’ Wimmin, onde ele pretendia falar sobre muita coisa – em especial sua recém-inaugurada jornada em busca de uísque e mulheres.

O blog era ótimo, com atualizações freqüentes e frenéticas. Mas, por algum distúrbio próximo à uma obssessão-compulsão, o cara decide que precisa criar um outro blog pra falar de design, outro falar de música, outro pra falar de drinks, outro pra falar sobre a arte de morar sozinho, outro sobre a experiência de ser pai, etc, etc, etc. – e vários desses blogs contam com colaborações dos compayes.

mr-perna

Ele ganhou essa cara de assassino da máfia russa de tanto beber Wyborowa.

Estava criada a (auto-intitulada) Poeirosfera.

Se o Perna tivesse um agregador de posts ou mantivesse tudo numa página pessoal dele, teríamos aqui um dos maiores e mais legais e blogs de todos os tempos. No entanto, temos uma dispersão aestrutural de vários textos ótimos, separados por categorias em páginas mil, onde você sem sempre pode saber onde foi a última atualização. Só assinando os feeds de todos pra não perder nada.

Como o cara escreve bem e divertidamente deixo aqui o título, endereço e um link para um texto bacana dos blogs da Poeirosfera.

Whiskey’n'WimminNa areia branca do deserto escaldante

Quadrinhos CoquetesO tal do Gibi

Drink DrinkerO Dino-sour dos drinks!

Indie Bom é Indie MortoMTV

Fudeu! Vou ser pai! E agora?Atingido por um raio

Poeira DiscosAFRICA 100

Poeira DesignFraktur x Antiqua – A Batalha Do Século!!!

Vida de LixeiroPipocas Grelhadas

Não Vi e Não GosteiThe Wild Angels

U X O

Fevereiro 3, 2009

yanquiu

Ando num daqueles momentos meio bizarros, quando você está cheio de idéias que podem se transformar em textos (o que inclui posts, trabalhos, projetos, contos, artigos, etc) mas não consegue estruturar nada com muita clareza.

Pelo menos eu finalmente consegui começar e (quase) terminar um antigo projeto em tempo recorde. Ficou um pouquinho mambembe perto do que eu pretendia, mas fiquei feliz durante o tempo que empenhei nele.

Trata-se de um conto divido em seis partes tentando contar uma história à partir do álbum Yanqui U.X.O. da banda Godspeed You! Black Emperor, uma das minhas favoritas desde 2001.

O texto bruto ficou algo em torno de 25 mil caracteres e foi  inteiramente escrito usando o Q10. Fiz tudo em três dias e posso dizer que a agilidade se deveu ao fantástico barulinho de máquina de escrever que o programa faz quando se digita. Não sei quanto a vocês, mas eu sempre considerei esse um dos melhores sons do mundo.

Agora falta ter paciência para imprimir o texto e corrigir as muitas incongruências, repetições e erros de concordância que eu obviamente deixei pelo caminho.

Fiquei ligeiramente satisfeito com o resultado e acho que vou tentar fazer mais coisas do tipo até o fim do ano. Tem mais dois contos engatados que eu comecei a escrever no meio de 2008 mas não saíram dos primeiros parágrafos.

Quando a coisa estiver menos tosca entro em  maiores detalhes, talvez até posto uns trechos. Vejamos.

U.X.O. is unexploded ordnance is landmines is cluster bombs. Yanqui is post-colonial imperialism is international police state is multinational corporate oligarchy. Godspeed You! Black Emperor is complicit is guilty is resisting.

Stubborn tiny lights vs. clustering darkness forever.

200X

Janeiro 2, 2009

Ah, nada como a preguiça infernal de início de ano. Se todos os dias de 2009 forem como o primeiro, eu vou passar o 364 dias de ressaca assistindo vídeos no Youtube e trocando os móveis da casa de lugar. Pena que já fiz outros compromissos e esse será mais um ano de trabalhar que nem gente grande, fazer muito tempo de campo e – se tudo correr bem – escrever a dissertação.

Não faço a mínima idéia do que fazer com o Savoir-Faire. A preguiça de final/início do ano devorou minha vontade de escrever, logo não ando com energia nem pra preencher post-its. Pelo menos estou assistindo os filmes que queria ver e lendo os quadrinhos que queria ler, o que me dá alguma pauta nerd (e inútil) para o ano que começa.

E falando em nerd (e inútil), os compayes Rocha, Perna, Caipira e Mário fundaram a Sociedade Marciana (também conhecida como O Clube da Luta com Livros) e me convidaram para integrá-la. O processo é simples: se escolhe um livro de ficção qualquer, que todos os membros têm a obrigação de comprar e ler até o próximo encontro.

Durante o encontro, além do consumo de quantidades moderadas de nicotina e álcool, espera-se que os membros discutam conteúdo dos livros. O primeiro e único encontro do qual participei foi a respeito do excelente O Homem do Castelo Alto, de Phillip K. Dick – que, devindo à insanidade da trupe, ainda não foi propriamente discutido em conjunto.

Então é isso.

(A preguiça já passou, mas amanhã ela volta.)

Dezembro 15, 2008

Aparentemente o layout do WordPress mudou pra melhor, colocando tudo  o que é necessário à vista em um post à vista. No entanto duas coisas me incomodaram.

1. Estou experimentando uma lentidão absurda ao digitar.

2. O layout não fica confortável no meu monitor fuleiro de 15 polegadas.

Então, trocando em miúdos, a mudança tornou o esforço de escrever no WordPress algo lento e chato.

Dezembro 11, 2008

Voltei.

Outubro 11, 2008

Passei as últimas duas semanas pensando em algo que quisesse escrever. Um conto, um comentário, qualquer coisa. Mas não encontrei nada que me fizesse largar da preguiça e sentar ao teclado com a disposição de antes. Há um bocado de cansaço e de desânimo envolvidos… e também a estranha idéia de que um blog, especialmente um como esse aqui, é bastante inútil.

É ruim quando se entra numa daquela espirais em que tudo o que você escreveu anteriormente parece ruim e além disso não há nada novo a ser escrito. Se o blog é a voz da opinião e a opinião não tem relevância, então o blog por si é irrelevante. Ainda me digno a perder tempo com isso aqui, mas acho que não vai ser por muito tempo.

Proce$$o?

Setembro 9, 2008

Não é a primeira vez que alguém andou Googleando coisas parecidas com:

site:faire-savoir.info proprietários de

Pode ser alguém usando o melhor do Google para procurar a sentença “proprietários de” dentro do Savoir-Faire. Mas para isso ele poderia usar a caixa de “search” ali do lado.

Também pode ser que uma empresa queira comprar o domínio, não?

Mas imagino que se trate de alguém descontente com alguma coisa que eu escrevi. E, paranóias à parte, acho que sei muito bem que é que pode estar insatisfeito com o quê – embora nada que esteja escrito aqui possa ser base para um processo ou qualquer outro procedimento. Tratam-se de opiniões pessoais que não têm qualquer objetivo de se assumirem enquanto jornalísticas ou mesmo verdades absolutas.

Mas, se ainda há alguém que deseja me enquadrar em qualquer “calúnia, injúria e difamação” da vida não vai ser fácil. Lamento dizer mas o site está hospedado num serviço norte-americano e qualquer processo teria que ser conduzido lá, além disso minha privacidade como dono do domínio é assegurada por um serviço legalmente contratado.

Além disso, esse site é tudo menos anônimo. Qualquer um com cinco minutos de esperteza mais um motor de busca na mão consegue saber quem eu sou e o que faço.

Junho 11, 2008

Nesse exato momento, tenho cerca de 25 drafts entre os meus posts do WordPress. Alguns são apenas idéias para textos futuros, mas a maioria são artigos que comecei a escrever e não encontrei força pra terminar.

Acho curiosa essa incapacidade de conseguir agir de maneira planejada com relação à escrita no blog. Eu pensava que era uma questão de tempo, mas me conheço bem e sei que quanto menos tempo tenho, melhor me organizo.

Vou tentar, daqui até o meio de julho a dar saída em pelo metade desses drafts. Também queria terminar de escrever os 14 contos curtos que eu quero reunir e publicar até setembro. Vejamos no que vai dar.

Audiência(?)

Junho 10, 2008

Desde que migrei o Savoir-Faire para o WordPress venho notando o perfil das páginas mais lidas durante o dia.

Na grande maioria das vezes os blogs mais lidos estão tratando de assuntos que também tem projeção na televisão, nos jornais, no que poderíamos chamar de “Grande Mídia”. Quase sempre estão apenas reproduzindo notícias de outros jornais, sem qualquer conteúdo extra.

Outro tipo de notícia que faz o blog bombar é aquela sobre quem vai ficar pelada, ou melhor, quem vai fazer pornô na Brasileirinhas – os posts falando da tal Ronaldinha (Viviane sei-lá-o-quê) ficaram em primeiro dias e dias seguidos, provavelmente alimentados por acessos via sites de busca. Mulher, especialmente mulher pelada, gera audiência na internet assim como na televisão.

Blogs com posts triviais de informática também parecem fazer algum sucesso, especialmente no caso de blogs que colocam links para download de programas (piratas às vezes) ou deskmods.

No entanto, desde o começo desse ano, venho percebendo uma mudança de perfil nos blogs mais acessados:  os “genéricos” tratando de grandes temas (peladonas inclusas) vêm aparecendo com menor freqüência e outros específicos, que já possuem um público alvo definido, estão dando mais as caras na página principal.

Entre os temas mais aparentes tenho visto futebol, Fórmula 1, maquiagem(!) e cultura nerd. Todos trazem, em alguma medida, conteúdo original e são dedicados a um público-alvo específico. A maioria deles é escrita por jornalistas, por profissionais. Eu entendo que isso é um bom sinal. A vantagem dos blogs é justamente a de pode tratar de quaisquer assuntos em formatos que os grandes veículos de informação não comportam.

Por outro lado é interessante perceber que fora dessa esfera dos blogs com muita audiência estão aqueles que se propõem a ser simplesmente um bastião da opinião do autor. Essa última, por menos relevante que pareça, tem uma outra dimensão quando pensada em uma esfera mais restrita.

De qualquer forma, espero que prosperem mais blogs com um conteúdo original, escritos por profissionais ou não.

Maio 3, 2008

Semanas caóticas. Terminando alguns trabalhos, pegando outros. Tentando começar o quanto antes a levantar a bibliografia da minha dissertação – ainda sem sucesso. Nos últimos dias ando sem muita vontade de escrever, ainda não descobri porque. Apesar do meu desânimo, nos meses de março e abril desse ano este humilde blog dobrou seu número de visitantes – e de leitores, espero.

O fato é que eu ando mesmo sem tempo ou força para escrever coisas bacanas. A escrita pra mim sempre foi um processo demorado e nada objetivo – e ainda tenho o péssimo hábito de querer terminar coisas com pressa para poder publicar. As demandas do mestrado não são poucas, e nem sempre dá pra trabalhar e fazer tudo sem perder algumas noites de sono.

De qualquer forma, eu percebi que vinha adotando um estilo de post que sempre relutei em usar: pegar alguma coisa que achei interessante no dia e reproduzi-la aqui com algo entre uma linha e dois parágrafos de comentários. Isso não é bom. Para mim a única vantagem de ter um blog é justamente tentar exercitar a escrita, aprender a articular e idéias e colocar pontos de vista com (alguma) coerência.

A idéia é tentar escrever mais contos e textos menos preguiçosos – ou achar um meio termo saudável para comentar reportagens.

Março 11, 2008

Mr. Perna disseca o rock e ainda arruma jeito de rezar uma missa.