Cérebro de Lagarto

outubro 5, 2009

Zine com os quadrinhos pós-surrealistas do Perna e outros. Disponível para download aqui.

XKCD f o r e v a

julho 3, 2008

Cersibon

março 17, 2008

O cúmulo do nonsense em quadrinhos(?).
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Bororó do Oeste

janeiro 16, 2008

bororo.jpg

Crooked

dezembro 19, 2007

 

No domingo comecei a ler Crooked Little Vein, um romance escrito por Warren Ellis. A história é completamente insólita com um estilo narrativo que lembra bastante a verborragia toxicológica expelida por Spider Jerusalem, o protagonista de Transmetropolitan uma graphic novel no mesmo autor.

Em CLV acompanhamos Mike, um detetive particular falido, em sua jornada pelo submundo norte-americano enquanto procura por uma outra Constituição dos EUA – que aparentemente é a redenção para uma América entupida de pervertidos. A trama em si não parece muito interessante, nem supreendente, nem nada. O ponto forte do livro é a maneira como Ellis exotiza todas as subculturas urbanas, as descreve em seus próprios mundos de absurdos aparentes.

 

Spider Jerusalem e sua paranóia causada pelo consumo excessivo de olhos de foca com anfetaminas

E Mike é uma espécie imã de estranheza, durante sua jornada ele sempre se depara com coisas absurdamente bizarras: tarados por lagartos, fisiculturistas que injetam solução salina nos escrotos, fetichistas e pervertidos de todas a espécies. Algumas vezes você tem a impressão de estar lendo um livro saído direto das músicas da UDR.

Fica claro que Ellis está fazendo algo muito muito parecido com o que fez ao descrever o mundo de Transmetropolitan, um futuro próximo e provável, onde as cidades abrigam todo tipo de seitas, grupos, povos e comérico – com destaque para a Long Pig, uma rede de lanchonetes que vende carne humana clonada. Apesar de gostar bastante desse estilo, fiquei um pouco decepcionado pela repetição da fórmula em CLV. Vamos ver se me surpreendo com algo até o final da história.

Alan Moore nos Simpsons

novembro 20, 2007

Episódio completo aqui.

 Se a voz é dele, tenho certeza que a dublagem aconteceu em Northampton. O velho nunca sai de lá.

Ótimo, a Fox conseguiu retirar os pouco mais de dois minutos com o Moore de todos os sites onde o video estava hospedado. Se alguém achar o trecho dando sopa por por aí me avise.

A nova pirataria que explodiu tão de repente usando dos novos meios digitais parece ter emburrecido a maioria dos burocratas do entretenimento. Os mais espertos a encaram como um concorrente, outros querem combatê-la através de restrições que prejudicam seu mercado consumidor.

Você aluga três filmes originais em uma locadora, que paga impostos e faz tudo certinho. Na porta da locadora você vê um cartaz gigantesco falando dos males da pirataria. Ok, mas você é um cliente, está lá pra alugar e não pra comprar uma cópia pirata ou algo parecido. Acaba levando três filmes pra casa, ansioso pra ocupar aquela quarta-feira tediosa com alguma coisa. Assim que você insere um deles ao invés de surgirem alguns trailers, mais propagandinha anti-pirataria. Você tem que perder dois minutos da sua vida vendo isso em um filme que foi alugado legitimamente? Nem precisa responder.

Um dos três filmes é realmente bom e merece entrar pra sua coleção, então você decide que vai comprá-lo quando tiver uma chance. Alguns meses mais tarde você depara com o título numa loja de departamentos, a um preço acessível, e leva ele pra casa. Num domingo qualquer você senta com a sua garota pra rever o filme e assim que o DVD começa a rodar o mesmo vídeo anti-pirata, em toda sua majestade, invade a tela. “Porra, eu comprei esse filme!” você diz enquanto pensa que uma cópia pirata custaria uns R$ 20 a menos e não teria esse incômodo. Mas você não comprou pirata porque não se coleciona um DVD com uma capa feia e título escrito errado com caneta de retroprojetor.

Já quem comprou um CD não pode copiar pra deixar no carro, já que ninguém em sã consciência deixa os originais de bobeira, porque uma trava anti-pirataria não deixa. Outro que adquiriu um livro em PDF não pode copiar o texto ou reproduzir o arquivo um número ilimitado de vezes, pelo mesmo motivo. Em todos os casos, a cópia pirata é livre e a original restrita.

Os executivos da indústria do entretenimento andam extremamente neuróticos já que seus produtos podem ser reproduzidos e distribuídos a um custo muito próximo de zero. Eles ainda encaram a pirataria como algo totalmente vil e imoral e por isso têm que lembrar os cidadãos disso o todo tempo, principalmente colocando anúncios e restrições no que é original. O que não parecem não entender é que a pirataria já tomou formas próprias em todas as culturas e países do mundo, e que as pessoas sabem que é errado piratear. Ao invés de investirem tempo e dinheiro em travas e lições de moral que atrapalham e chateiam seus consumidores eles deveriam tentar mudar a forma de vender seus produtos.

Hoje em dia quando vão ao cinema, as pessoas pagam pela experiência de ver o filme em uma tela grande, com um ótimo som, comendo pipoca e tomando coca-cola acompanhados pelos amigos. Se quisessem “apenas” ver o filme, poderiam gastar R$ 5 no camelô da esquina e levarem o mesmo pra assistir em casa. Ninguém vai ser preso por fazer isso em nenhuma parte do globo terrestre. Se a indústria cinematográfica está preocupada com a pirataria ela devia se esforçar em fazer a experiência de ir ao cinema (ou ter um DVD original) cada vez mais divertida e prazerosa ao invés de buscar doutrinar e ameaçar seus consumidores por causa da pirataria.

Da mesma forma, se a indústria fonográfica tivesse apostado suas fichas no formato mp3 (ou na música digital) mais cedo e implantado lojas virtuais, ou mesmo maquininhas de vender música em shopping centers, seria muito melhor pra todo mundo. Claro, imaginando que seria vendido mais barato, já que ninguém ia ter que gastar milhares em estoque e distribuição de CDs.

Como nada disso foi feito a pirataria está aí, forte como nunca. Além dos produtos serem mais baratos que os originais, ou mesmo gratuitos, ela se utiliza de meios de distribuição e reprodução que permitem ampliar o público de um determinada mídia de maneira exponencial. As cópias piratas, apesar de tudo, suprem uma demanda reprimida e chegam onde o mercado legal ainda não conseguiu atingir.

O Brasil tem um caso interessante nesse aspecto: muitas bandas de forró e brega conseguiram distribuir seus CDs prensando cópias baratas e vendendo para os camelôs. Enquanto poderiam gastar milhares de reais em CDs caros, e que seriam vendidos só em lojas especializadas, eles souberam aproveitar de uma estrutura criada pela pirataria de música pra conseguir chegar ao público.

A maioria das empresas procura vender seus produtos com pesadas restrições ao consumidor porque entendem que qualquer um deles pode colocar o produto de graça na internet. Todos nós somos, na cabeça deles, criminosos em potencial. Não chega a ser mentira, mas… está funcionando? Não temos praticamente todos os produtos digitais que se encontram à venda também disponíveis em versões “gratuitas”?

Outro ponto a se pensar é a real dimensão do dano que a pirataria causa. Tropa de Elite caiu nos camelôs antes de pintar no cinema e o diretor já correu pra dizer que o filme seria um fracasso por causa disso. Nada mais inocente do que essa declaração, já que durante os meses subseqüentes não se falou em outra coisa que não no filme. Obviamente Tropa foi um recorde de bilheteria, porque muitos queriam a experiência de vê-lo no cinema.

Apesar disso, as grandes empresas alegam milhões de reais em prejuízo todo ano, usando a lógica absurda de que uma cópia pirateada é uma cópia legal que deixou de ser vendida. Esse raciocínio parece razoável mas é fantasioso, já que não se pode assegurar que todos os que adquirem produtos piratas são consumidores em potencial de originais. Grande parte do consumo de pirataria se dá pela conveniência e pela onipresença. Camelôs vendendo CDs e DVDs piratas estão em cada esquina, e têm capacidade de atingir muito mais pessoas que quaisquer lojas. Assim o dinheiro “perdido em pirataria” é mais o resultado de cópias baratas e abundantes do que de uma procura do público em consumir essas cópias.

Outro grande vilão seria a “pirataria doméstica”, os downloads ilegais de séries, filmes, livros e revistas. E esse é um caso ainda é mais complexo de se calcular os supostos prejuízos. Não é uma pirataria feita para gerar lucro, mas um livre compartilhamento de conteúdo entre aficionados de um determinado assunto ou mídia.

A título de exemplo, grande parte de quem baixa quadrinhos, também compra quadrinhos. Na verdade a possibilidade de pegá-los da internet representa uma chance de ampliar a variedade de títulos lidos. Mas da mesma maneira que o freqüentador de cinema não vai lá só para assistir o filme, o consumidor de quadrinhos também não paga simplesmente para ler a história. Ele quer ter o material, a edição de luxo, poder guardar na estante, ler antes de dormir, carregar pra outros lugares. As vantagens de se ter um produto material são imensas.

Da mesma maneira o formato mp3 ampliou a quantidade de música consumida no mundo, ainda que ilegalmente, e ajudou muitos artistas a ganhar público. Fora os multimilionários do Mettallica, nenhum artista reclama do fato de suas músicas estarem disponíveis de graça. O que se vê hoje em dia é um movimento das grandes gravadoras para reprimir os downloads ilegais (inclusive com processos doentios) mas nenhum movimento organizado de artistas – que sempre ganharam dinheiro com shows.

A questão, que vem sendo repetida exaustivametne ao longo do texto, é que existem pessoas em todo mundo dispostas a gastar dinheiro com produtos que já se encontram pirateados, que querem a experiência do original. E isso não é ideologia, é escolha. Encostar num cantinho e fazer beiço, ou berrar que tudo está errado não vai resolver problemas de mercado. Se isso é tudo o que a indústria do entretenimento pode fazer, então é melhor admitir que foram derrotados pela máfia chinesa, nerds sedentários, webdesigners suecos e camelôs.

A obsolência do mercado de entretenimento frente às novas técnicas de produção e distribuição são as principais do avanço vertiginoso da pirataria nessa última década. E todas as subseqüentes tentativas de doutrinação e repressão aos consumidores não vão reverter esse quadro. Mais que isso é preciso pensar em novas formas para o mercado do entretenimento frente às mudanças socioculturais e tecnológicas. Ampliar as possibilidades do consumidor e conseguir concorrrer com os piratas não é simples, não é fácil, mas é a única solução.

A verdadeira revolução no consumo de livros, música e filmes não é causada pela pirataria. Os piratas só reproduzem o que está por aí, mas as tecnologias e know-how apropriados por eles também podem ser usadas por pessoas e grupos que produzem.

À medida que avançam os processos de publicar, gravar e filmar, torna-se muito mais fácil para os criadores controlarem os meios de produção. No passado, custava uma fortuna gravar um disco de qualidade. Hoje qualquer estúdio medianamente competente consegue fazer isso a um preço camarada. Antes era necessário gastar dinheiro pra fazer seus textos, músicas e filmes chegarem até um público, coisa que a internet a um custo próximo de zero.

Em um mundo onde qualquer um pode produzir e ter audiência, muitos vão fazer isso e alguns vão fazer com qualidade. E, seguindo na contramão, alguns artistas consagrados vão ver a oportunidade de se tornarem independentes, como aconteceu com o Radiohead – cujo álbum colocado “de graça” na internet parece ter rendido a eles cerca de US$ 6 a 10 milhões nos primeiros dias.

Para ir além

http://arstechnica.com/

http://www.informationarchitects.jp/

http://gardenal.org/trabalhosujo

http://www.wumingfoundation.com/

Perry Bible Fellowship

outubro 28, 2007

St. Bastard

setembro 13, 2007


(clique na imagem pra ampliar)

Página de uma história em quadrinhos que o Salimena está fazendo. Não sei sobre o que é mas se tiver outras páginas bonitas que nem essa eu compro!

Dá pra ver pouca coisa, já que foi filmado direto da exibição na San Diego ComiCon, mas vale à pena.

Como o outro vídeo foi tirado do ar, substituí pelo trailer oficial.

… e já causa polêmica.

Watchmen GifEu ainda tenho Orkut por causa de algumas comunidades (pois é…). Curto ler o que os outros estão pensando sobre determinados assuntos, especialmente coisas de nerd, e dar uns pitacos de vez em quando. Maneira pouco construtiva de gastar o tempo, já dizia a velha máxima politicamente incorreta comparando paraolimpíadas e internet, mas devo adimitir que de vez em quanto dá pra engatar algumas interessantes.

Barraqueira de fórum – também chamada de flame war – é algo que me desagrada bastante. Quando se gasta o tempo discutindo algo, é melhor que seja de maneira (minimamente) civilizada, mas isso nem sempre acontece.

Nesse domingo fiquei algum tempo lendo os tópicos da comunidade de Watchmen, que anda pegando fogo por causa da adaptação cinematográfica que vem aí. Os leitores mais conservadores (ou implicantes) acham que o filme vai ser ruim porque é impossível adaptar a obra do Alan Moore em toda (err…) “complexidade”. Comparam o quadrinho com filmes e livros importantes pra indústria cultural como um todo – e nisso não deixam de ter alguma razão porque Watchmen realmente foi um marco – mas acabam caindo no pedantismo como modo de discussão.

Isso é normal, todo ponto de vista é válido, mas as réplicas a eles são ainda piores e muitas vezes acabam descambando pra uma série de acusações de cunho pessoal e xingamentos nada educados – alguns proferidos pelo editor de uma revista de cinema de circulação nacional – que são respondidos de maneira igualmente desagradável.

Em suma: Watchmen é profundo, complexo e inadaptável para a grande tela? Não. Watchmen merece o mesmo tratamento boçal dado a Liga Extraordinária no cinema? Certamente que não.

O que acontece – vivo falando iss0 – é que nesses dias a indústria cinematográfica parece estar carente de bons roteiros ou de histórias com apelo. Ao mesmo tempo que impossível adaptar uma obra de outra mídia com perfeição – ainda que seja um livro de comédia romântica – também não é legal gastar anos e milhões de dólares pra produzir filmes feitos simplesmente pra entretenimento. Não que cinema não seja diversão, é óbivo que é, mas pra quê fazer um filme que além de ter um vínculo pobre com a obra original ainda é ruim?

Do Inferno tem pouquíssimo a ver com a graphic novel mas pelo ainda é um filme bem feito, bacana de se assistir. Já Liga Extraodinária considero uma m*rda, é o sumo da idéia de pegar um nome que faz sucesso em outra mídia e usá-lo como embalagem apenas, produzindo algo que nem passa o clima e a ironia do original – ao menos Do Inferno se digna a mostrar a sujeira e a violência da Inglaterra Vitoriana.

Watchmen não vai ser igual ao quadrinho, mas tampouco vai ser ruim – na pior das hipóteses vai ser “legalzinho bobo” tipo V de Vingança. O que me parece é que os estúdios fazem uma equação de bilheteria que inclui a classificação do filme como algo acima do roteiro e, na cabeça dos grandes da indústria, quadrinho ainda parece ser só coisa de criança.

Watchmen não é a ultima maravilha, não é arte, nem é a melhor obra do Moore. – ao menos pra mim é A Voz do Fogo. Mas sim, é uma das primeiras histórias de super hérois a usar um modo narrativo que inclui elementos de literatura – e é uma puta história.

Realmente vou ficar chateado se o filme for ruim. Nesse caso pego em DVD um dia e assisto, com certeza vou me divertir.

Mete medo.

Eu não sei se nós superamos a Primeira Guerra mesmo agora, em 2007. Foi cataclísmico e devastador. Havia uma cultura tão rica antes daquele ponto, e algo da pura feiúra mecânica da Primeira Guerra pareceu trazer à tona uma nova idade de modernismo selvagem, que, apesar de ter muitas coisas interessantes, deslocou algo. Um período talvez mais inocente da cultura foi deslocado.

Desde que li A Voz do Fogo passei a enxergar Alan Moore como um contador de histórias e um bom escritor além de um excelente roteirista de quadrinhos. Já li praticamente todas as entrevistas com o velho disponíveis na web, mas a primeira parte dessa feita pelo Joaquim Ghirotti está realmente muito boa. Eu acompanhei a história dela atráves da comunidade do Moore no Orkut, onde o Joaquim contou sobre o primeiro contato com o escritor, anunciou que ia fazer a entrevista e pediu opiniões dos membros sobre que assuntos tocar. Espero que ele tenha lembrado da minha sugestão de perguntar sobre Jerusalem, o novo livro que Alan Moore está escrevendo.