Arquivo da categoria ‘tecnofagia’
O computador é seu amigo
Basta eu começar algum trabalho importante, trabalhoso e demorado para o meu computador queimar. Nunca há um descuido envolvido e o defeito geralmente é acarretado por uma série de circunstâncias infelizes. Leia-se: puro azar. Dessa vez a culpa é da instalação elétrica da casa, que elegeu meu quarto para queimar alguns aparelhos elétricos, lâmpadas e a respectiva fiação. Passar o dia de hoje tentando reescrever o esforço de um sábado inteiro foi muito divertido…
Pirate Bay na cadeia

E mesmo assim os caras não perdem o bom humor…
Big Brother is Watching You
Government black boxes will ‘collect every email’
Home Office says all data from web could be stored in giant government database
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Por que Orwell era um profeta.
Mais MUD
Depois de escrever o post sobre os MUDs, eis que vem o Marcelão – jornalista do futebol e dos games em geral – e me conta que no dia 20 de outubro os MUDs tinham completado 30 anos de idade. O Rocha também escreveu sobre a a experiência dele durante a “Era Dourada” dos MUDs lá no Área Cinza. Me espantaram alguns comentários lá no Área que davam a entender que jogar um jogo baseado em texto poderia ser algo menos divertido ou interessante do que um jogo gráfico. Posso falar que é singular, que exige um esforço de imaginação e atenção diferente do que os jogos gráficos exigem.
Eu não resisti e fui dar uma vasculhada em MUDs que já joguei para ver se eles não tinham sido abandonados. A grata surpresa foi encontrar o Achaea com 220 jogadores online numa noite de quinta-feira, todos se divertindo e traçando planos junto a suas respectivas facções. O Achaea é um jogo gratuito mas se um jogador quiser ele pode investir dinheiro (de verdade) no personagem e torná-lo poderoso. Isso é um grande foco de críticas para jogadores que queriam um jogo inteiramente gratuito, no entanto o gasto de dinheiro real em objetos e moedas virtuais já é algo mandatório na maioria dos MMO.
De qualquer forma fiquei feliz em saber que um MUD comercial fundado no mesmo ano em que estreou Ultima Online, o primeiro MMO gráfico a emplacar, continua funcionando e gerando lucro. E viva os MUDs.
Old School #3 : MUDs!
Los Juegos
Outro dia me lembrei que a indústria dos jogos eletrônicos passou por pouco o faturamento do cinema no ano passado. Para quem aprendeu a jogar River Raid aos 4 anos isso é uma notícia e tanto. Desde 98, ano em que foi lançado Metal Gear Solid para Playstation, venho observando que um “hit” da indústria de jogos se tornou tão complexo (e custoso) de se produzir quanto um longa-metragem. Games desse tipo costumam ter roteiros elaborados, cutscenes extensas, dublagem feita por bons profissionais. Talvez seja justamente o formato cinematográfico a razão de tanto sucesso.
Felizmente os gamedesigners não vivem só de imitar o formato do cinema, e muitos jogos buscam colocar vários jogadores simultâneamente em situações de confronto e cooperação. Daí vêm a idéia dos jogos multiplayer. Tudo bem, é justo falar que PONG ou Tennis for Two eram voltados para mais de um jogador e, logo, que os primeiros video-games tinham essa lógica – que tornava a manufatura mais simples já que nenhuma IA era necessária.
Mas e jogos com mais de dois jogadores? Alguns arcades e consoles tinham títulos onde isso era permitido, mas a verdadeira revolução do multiplayer veio com os chamados massive games. Os MMO (Massively Multiplayer Online) costumam ser mais viciantes que crack – quem tem um amigo ou conhecido que joga sabe do que eu estou falando. World of Warcraft, Lineage e Ragnarok são exemplos de massivos bem sucedidos. Mas os MMO não vieram dos arcade nem dos consoles, sua história é um pouco mais diversa.
Os Massively Online de outrora
Mais precisamente em meados da década de 70, alguns programadores do PLATO System – plataforma que deveria ser usada exclusivamente para desenvolver aplicativos educacionais – criaram vários jogos. Estes eram completamente baseados em texto, no melhor estilo do Zork, e jogados através das redes locais das universidades européias.
Estavam criado os primeiros MUDs (Multi-User Dungeons) e, até onde eu sei, foram os primeiros jogos com modo multiplayer remoto da história. Muitas versões de MUDs seriam desenvolvidas, alguns usando a logomarca Dungeons & Dragons sem permissão, e eventualmente levadas para o DOS.
Com o advento dos computadores baratos (no 1o Mundo, claro) e conexões BBS via modem os MUDs se tornaram variados e numerosos. E chegaram até a década de 90 como uma das mais interessantes e acessíveis formas de entretenimento online.
Mas como funciona um MUD?
Diferente de um jogo com uma plataforma gráfica, onde qualquer ação ou evento é ilustrada na tela, o MUD anuncia e descreve essas ações em bases textuais. Quando o personagem entra em uma “sala”, como é chamada uma unidade de espaço imaginário do MUD, surge um pequeno texto no terminal descrevendo o lugar, listando objetos e personagens que se encontram ali. Quando uma ação é desempenhada, ela também é descrita por texto.
Segue um pequeno exemplo, com uma “sala” e objetos descritos:
A caverna é pouco iluminada mas morcegos podem ser vistos voando ocasionalmente por todas as direções. Muitos ossos estão depositado à esquerda, em uma pilha grande e volumosa. O lugar cheira a guano e pedra fria, com uma umidade que impregna o ar. Água pode ser ouvida gotejando em algum lugar. Há uma velha espada enferrujada no chão.
Objetos: Uma espada enferrujada.
Saídas: Norte, Fora.A descrição de uma “sala” inclui uma noção geral do que está contido nela além das direções para onde é possível andar – “fora” no caso seria para sair da caverna. Alguns objetos são listados de forma óbvia, como a espada enferrujada, e outros podem aparecer apenas no corpo da descrição, como a pilha de ossos. Se jogador digitar “examinar ossos” ou coisa do tipo ele terá uma descrição do que são esses ossos, se há algo embaixo da pilha, etc.
Se outro personagem – digamos, uma mulher – entrar na “sala”, examinar a pilha de ossos e seguir para o norte o terminal mostrará algo como os seguintes textos:
Uma mulher entra na sala.
Uma mulher examina a pilha de ossos.
Uma mulher sai pelo norte.Em alguns MUDs ao invés de uma descrição genérica como “uma mulher” pode aparecer o nome do personagem. Em outros o nome só aparecerá para os jogadores que conheçam aquele personagem de alguma situação prévia.
MUDs
Minha primeira experiência com esses jogos se deu em 1997, quando eu tinha acabado de entrar no Colégio Técnico da UFMG. Como o caipira que era, eu nunca tinha usado a internet até por os pés no laboratório de informática de lá. Um colega me falou de um jogo, que parecia uma sala de chat, e deixava ele acordado à noite inteira. Era um tal de Avalon.
Entrei no site, li um pouco do que se tratava o jogo e fiquei bem empolgado. Tentei jogar o Avalon umas 200 vezes, mas a lentidão da conexão fazia tudo ficar sofrível. Nunca consegui fazer mais do que andar por algumas salas e ter uma vaga noção do que seria a interatividade proporcionada pelo jogo.
Em uma outra oportunidade, dois anos mais tarde, eu estava vagando por alguns sites com ilustrações e textos a respeito de O Senhor dos Anéis. Acabei achando na parte de links o endereço de um tal de The Two Towers, um MUD ambientado na Terra Média. Algum tempo depois eu comprei o meu primeiro computador e pude jogar o T2T, como ele era chamado.
The Two Towers
O T2T não era um MUD muito sofisticado em se tratando do sistema de jogo. A mecânica era simples, os personagens tinham poucos poderes e, caso pertencessem à mesma classe, eram muito parecidos uns com os outros. A vantagem era o cenário.
Embora não fosse 100% fiel aos elementos estéticos e aos conceitos da Terra Média de Tolkien, o Two Towers tinha em jogo quase todas as regiões descritas em O Senhor dos Anéis Isso mantinha viva aquela sensação de vagar por lugares ermos e descobrir ruínas, cavernas, esconderijos de bandidos, tumbas amaldiçoadas. Explorar o cenário de T2T era grande parte da diversão.
Na época, o MUD costumava a ter 300 jogadores conectados o dia todo. Esse número pode parecer ínfimo quando comparado com a legião de jogadores que povoam os servidores de MMORPGs mas num MUD isso significa sala lotada. As áreas (virtuais) geralmente não são tão grandes e muitos jogadores online pode significar uma disputa acirrada por recursos.
Como toda comunidade virtual, os MUDs também têm sua micropolítica e no T2T as coisas não eram diferentes. Uma teia de guildas, clãs, grupos, alianças era tecida o tempo todo mas cum um diferencial: a prática do PK (playerkilling) era julgada e condenada por outros jogadores – que também mantinham a lei para todos os outros aspectos. Aliar-se a outros jogadores era não apenas desejável como necessário, já que não era possível combater inimigos ou juntar recursos sem a ajuda ocasional de alguém.
Joguei T2T com regularidade durante 1 ano. Minha conexão discada horrível não me permitiu ir muito longe no jogo. Meu personagem chegou a ter alguns aliados importantes, mas acabei meio insatisfeito com a administração sobre como a parte de PK estava sendo conduzida já que alguns personagens mais experientes estava “assassinando” novatos indiscriminadamente e a administração se recusava a encarar o problema. Mais tarde acabaram mudando isso, mas eu já estava jogando outros MUDs e estava com preguiça de voltar ao T2T. Na época em que saí eu já conhecia uns dez brasileiros que também jogavam.
Outros
Joguei outros MUDs além de ter testado pelo menos uns trinta. Como muitos MUDs são jogos sem fins lucrativos organizados por fãs eles têm licença para usar temas de outras mídias. MUDs baseados em filmes, livros e até mesmo outros jogos são comuns, o que dá ao jogador opções interessantes. Além do T2T recomendo os seguintes:
SWMUD: MUD temático de Star Wars. Tem um ótimo sistema, é bem adequado ao universo e dá uma grande liberdade na criação de personagens. Garante horas e horas de diversão mas não possui uma ativa como se esperaria de uma comunidade virtual. Os jogadores interagem pouco entre si e não há intriga nem rivalidade apesar de todos estarem distribuídos entre o Império e os Rebeldes. o SWMUD vale à pena ser jogado como um excelente jogo de texto com alguma interação ocasional.
Achaea: A jóia dos MUDs. Desprezando a parte gráfica, Achaea pode ser considerado o jogo online mais complexo e bem estruturado já construído. Ele tem um universo fantástico próprio, com suas lendas, deuses e organizações – muito baseado em mitologia grega e nórdica. Mas seu grande atrativo é ser completamente orientado para os jogadores e seus personagens. Ao contrário dos outros MUDs onde as ações dos personagens influem pouco ou nada no cenário, a história de Achaea é construída com base no que fazem os jogadores. São eles quem controlam o comércio, que treinam outros personagens, que mandam nas cidades e reinos do jogo. O jogo também tem uma ênfase bacana na interpretação de papéis – você tem mesmo que “entrar” no personagem – e muitos eventos, como guerras e surgimento de reinos, acontecem no mundo por influência de grupos de jogadores. O tempo passa em jogo, fazendo com que objetos se desgastem e personagens envelheçam. Achaea é de graça, mas jogadores que quiserem podem comprar pacotes especiais – com dólares – com itens que ajudam seus personagens. Só há um pequeno problema: Achaea só pode ser jogado por desempregados, aposentados e pessoas de férias porque é absurdamente viciante.
O fim de uma Era
Infelizmente muitos MUDs estão vazios nesses tempos de jogos online com gráficos estonteantes. Hoje grande parte dos MUDs concentra poucas dezenas de jogadores veteranos, o que desencoraja mesmo um novato muito interessado.
Acho isso uma pena, primeiro porque os MUDs são comunidades mantidas por fãs de um determinado tema ou aficionados por jogos e programação. Nem por isso deixam de ser divertidos e bem organizados, bons lugares para aprender inglês, trocar experiências com outras pessoas do mundo todo e começar a digitar sem “catar milho” no teclado (sim, eu aprendi jogando).
Além disso, se posso dizer algo sobre os MUDs é que eles ainda estão anos-luz à frente de muitos outros jogos online em termos de possibilidades e experiência de usuário. Seria bom se as grandes empresas do ramo de MMORPGs pudessem aprender algo com isso e fazer jogos onde a única possibilidade de interação não é matar monstros, acumular tesouros e avançar de nível.
Para ir além
Alguns links úteis.
Mushclient: Melhor programa que já usei para jogar MUD.
The Mud Connector: Diretório com centenas de MUDs listados e descritos de acordo com critérios específicos – se possuem ênfase na interpretação de papéis dos personagens, para qual temática estão orientados, qual sistema de jogo usam, o tamanho do “universo virtual”, etc.
Valinor: Único MUD inteiramente em português que conheço. Como o T2T, o Valinor também é ambientado na Terra Média e parece organizado por um pessoal muito sério. Infelizmente só tomei conhecimento dele muitos anos depois de ter largado os MUDs de vez.
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Leia também:
Os verdadeiros MMORPGs: post do Rocha no Área Cinza, também sobre a “Era Dourada” dos MUDs.
Old School #1 : Cadillacs & Dinosaurs
Old School #2 : Akira
Fighting Fantasy
Zenware e o Downgrade
Embora eu seja, de certo modo, entusiasta quando se trata de informática e bugigangas eletrônicas não costumo pirar em upgrades e updates em geral. A grosso modo uso o computador para
Internet: o vício em informação faz com que eu leia muita coisa Wikipedia e em trocentos portais e blogs. Recentemente tenho canalizado isso pra academia, e passado mais tempo lendo artigos e entrevistas que (espero) vão me ajudar na dissertação. Para isso eu uso o Firefox e o Foxit Reader – bem mais leve que o Adobe Reader.
Texto: escrevo para o trabalho, para o mestrado e por prazer. O Word 2000 tem sido meu companheiro nos últimos 8 anos, bem como o Notepad (entre 2002 e 2004 cheguei a escrever alguns trabalhos da faculdade nele). Os editores do Blogger e do WordPress também são meus amigos, especialmente porque não preciso transportar documentos quando estou escrevendo neles. No Xandros prefiro usar o Kwriter, configurado com uma tela preta e letras verdes, para fazer fichamentos e anotações em aula. A grande função que o Word me oferece, além das ótimas opções de formatação, é o controle de alterações e os comentário – essenciais para se escrever em conjunto.
Tratamento de Imagens: Photoshp CS e, mais recentemente, o Adobe Lightroom dão conta do recado. O GIMP também não faz feio, aliás, para o que eu preciso ele é bem tranquilo.
Jogos: Cada vez menos, grazadeus. Jogar é bom, mas não recomendo a ninguém fazer isso no mesmo computador que usa para trabalhar. Costumo jogar clássicos de SNES, Genesis e Arcade – coisas que não tomam tanto tempo quanto deveriam. E. nada, nada de MMORPGs, managers online ou shooters – isso consome a vida das pessoas.
Música e filmes: Meu Gradiente velhão toca vinil e cassete. Como tenho poucos vinis, que ainda estão emprestados, e usei todas as minhas fitas para gravar entrevistas, faço uso da boa e velha mp3 e de CDs. Para isso o uso o computador ligado ao aprelho som. Também uso o PC para assistir DVDs. Mas faço isso com pouca freqüência.
Durante uns bons anos (1999-2004) usei um computador que tinha a seguinte configuração: Processador de 500Mhz, 64MB (mais tarde 128) de memória RAM e 4GB (mais tarde 7,2) de espaço em disco. Não era a melhor coisa do mundo mas me serviu para tudo o que eu precisava. Comprei o PC novo no final de 2004 e ele também não foi nenhum top de linha – agora muito menos.
A questão é que eu preciso de computador para muito pouco. Meu PC velho fazia, e certa medida, tudo que o de hoje faz e me atendia satisfatoriamente, apesar de não permitir trabalhar em com muitas tarefas ao mesmo tempo. Um computador novo amplia o conceito de uso e acaba “criando” novas necessidades.
Isso nem sempre é bom,porque o necessário para trabalhar com competência pode ser muito pouco. Poder escrever com o navegador, o gerenciador de e-mail, o leitor de PDF e o messenger abertos pode facilitar a vida bem como criar distrações, favorecer procrastinção e etc.
Muita gente (provavelmente quem tem problemas em se concentrar como eu) também pensa assim. E a partir disso surge toda uma noção de uso “minimalista” do computador. Pra quê um gerenciador de feeds no desktop que te permite postar no Twitter? Para que serve um editor de texto com mil opções de formatação quando tudo o que você precisa é simplesmente escrever?
A partir de questionamentos como esses é surgiu o conceito de Zenware – que conheci através do Magaiver. A idéia é fazer programas que proporcionam uma espécie de “volta às raízes” da computação, isolam fatores de distração e permitem que você se concentre no que precisa fazer.
Os dois programas desse tipo que testei foram o Darkroom e o Q10, editores de texto bem simples. Ambos abrem uma tela escura que cobre todo a Área de Trabalho e permite que você se concentre apenas no que está escrevendo.
O Darkroom foi o primeiro programa ao qual tive acesso. Peguei numa das épocas em que tinha transcrever entrevistas e fazer relatórios a perder de vista. No meio de uma das deadlines mais insanas ele foi crucial pra que eu conseguisse dar conta de mais de 270 minutos de falas importantes e difíceis de compreender. É um programa mais simples, cru, praticamente um Notepad bombado.
O Q10 me foi apresentado pelo Rocha na semana passada. Esse funciona de maneira mais interessante que o Darkroom porque trás recursos que enfatizam a produtividade. Você pode programá-lo para uma certa meta de caracteres por sessão e usar o (muito bem-vindo) corretor ortográfico do BROffice. Além disso ele simula o barulho de máquina de escrever enquanto você digita – o que alguns podem achar insuportável mas eu curti demais.
No caso, eu escrevo os textos e depois uso o Word ou Open(BR)Office para formatar se for necessário. Mas como, em geral, tratam-se de fichamentos, acabo usando trechos dos txts em trabalhos maiores. Não há coisa melhor que um computador livre de distrações.
eeePC 900 – Review
Nunca escrevi sobre tecnologia mas vou tentar fazer uma review do meu subnotebook. Embora a grafia oficial da ASUS seja Eee PC por motivos completamente gratuitos eu prefiro escrever eeePC, como tenho feito até então. Deixando essas bobagens de lado, é bom lembrar que em outros posts eu escrevi sobre os meus motivos pra comprar o subnotebook, sobre como foi complicado adequar o sistema operacional dele às minhas necessidades e sobre a experiência de usar o eee.
Agora a intenção é dar uma idéia geral dos diversos aspectos do eeePC, além de algumas dicas simples para o usuário novato.
Estrutura
A primeira coisa que notei ao tirar o eeePC 900 da caixa foi o tamanho diminuto. Mesmo vendo fotos e fotos e comparações nos vários artigos que li antes de decidir comprar, eu não esperava que ele fosse tão pequeno – lembrei do Pense Bem da Tec Toy na mesma hora. Apesar disso a tela de 8.9″ polegadas me pareceu grande o suficiente.
O peso do eee é outra coisa que chama atenção. Pra quem já teve que carregar um Dell Latitude 120 nas costas a trabalho o eeePC 900 não é nada. Na verdade ele me pareceu mais leve do que alguns livros que costumo levar pra faculdade.
A caixa veio com o eeePC, a bateria, uma capa macia, o carregador e dois CDs com os drivers e instalação do Xandros – o sistema operacional de fábrica.
Bateria
Houve uma controvérsia envolvendo as baterias do eeePC 900. Aparentemente, a ASUS equipou os modelos enviados a jornalistas e reviewers de tecnologia com uma bateria de 5800mAh mas enviou as primeiras versões encomendadas com uma bateria de 4400mAh. O meu veio equipado com uma de 5200mAh, o que não é exatamente ideal, já que dura no máximo 3h30 – o tempo quase exato de uma aula. Felizmente em quase todos os lugares onde uso o eee há uma tomada disponível.
Sistema Operacional
Ao ligar o eee o usuário precisa fazer algumas configurações simples do sistema operacional (nome de usuário, fuso horário, senha, etc) e logo o Xandros está pronto para ser usado. Baseado no KDE, o Xandros vem configurado no chamado Modo Simples, uma espécie de versão simplificada do SO onde os atalhos estão agrupados segundo categorias e representados por ícones grandes. O menu do Modo Simples lembra muito o de um palm (pelo menos o do único palm que usei na vida) e é bem simples e organizado. Navegador, messenger, processadores de texto e gráficos, funções administrativas, etc: tudo o que um usuário-padrão precisava estava lá.
O problema da acentuação apareceu logo de cara. Mesmo mexendo muito nas configurações não consegui fazer os acentos funcionarem. Depois de horas tentando instalar dicionários e fazer milagres mexendo na configuração do teclado eu escontrei a solução – e era ridícula de tão simples.
Como o meu eee 900 foi importado da Ásia, estava configurado para inglês e umas oito variantes de chinês. Para fazer os acentos funcionarem bastou remover um pacote chamado gcin, que serve para modificar o teclado qwerty e habilitá-lo para línguas que não usam os caracteres do alfabeto greco-romano.
Para remover o gcin o basta apertar Ctrl+Alt+T para abrir o terminal, e depois disso digitar
sudo apt-get remove xandros-gcin
sudo apt-get remove gcin
Depois disso abra o KDE Control Center à partir do menu Launch. Clique em Peripheral Devices > Keyboard Layout e mude o Keyboard Model para Generic 105-key (intl). Em Active Layouts, selecione U.S. English (us); E a abaixo mude o Layout Variant para intl. Agora basta clicar no botão Apply.
Pronto, acentos e felicidade geral, lembrando que Ç é digitado usando Alt (direito) + vírgula.
Eu também configurei o Xandros para o Modo Avançado, instalei programas, pacotes, drives, configurei funções, temas, etc, etc. Como era a primeira vez que eu usava um SO Linux depois de um intervalo de sete anos, pastei bastante até conseguir colocar tudo no lugar. Aos usuários avançados eu recomendo habilitar o Modo Avançado. Existem milhões de tutoriais ensinando como fazer isso, e acho que o mais bem feito é esse aqui.
Teoricamente quem tem um eee 900 deveria seguir esses passos antes de habilitar o Modo Avançado, porque teoricamente haveria um conflito de pacotes. Eu fui sangue no olho e não segui essa recomendação, por isso talvez meu Xandros esteja um pouco aleijado. No entanto, ainda não tive qualquer problema.
De qualquer forma, o plano posterior é instalar uma versão do Ubuntu própria para o eee, já que o Xandros é bastante limitado. No manual também vem um bem-vindo tutorial de como instalar o Windows XP.
Aplicativos
O Xandros vêm com tudo o que um usuário pode ncessitar no dia-dia. A suíte do OpenOffice está completa e também há um link direto para o Google Docs, os aplicativos de internet incluem o Pidgin, Skype e Firefox. Na parte de multimídia, o gereciador da webcam é excelente bem como o de vídeo, e o de fotos. O Music Manager é para mim o que deixa a desejar, especialmente porque tem uma interface muito parecida com o Windows Media Player, que eu acho abominável. Resolvi isso instalando o XMMS, um player para Linux que se parece mais com o Winamp. Também achei o editor de imagens pouco sofisticado e por isso instalei o GIMP.
Há uma porção de outros aplicativos, como o Personal Information Manager, um dicionário (chinês-inglês…), calculadora, joguinhos, etc, mas nada que chame muito a atenção ou seja de fato útil para mim.
Periféricos
O eeePC vem equipado com uma entrada para cabo de rede, 3 entradas USB, uma para microfone e fone de ouvido, outra para monitor/datashow e outra para cartões SD.
Como eu falei em outros artigos o eee foi amigável a pen-drives, mp3 players, e HDs externos de toda sorte. Mas nada de conseguir conectá-lo a câmeras digitais, mesmo depois de baixar alguns pacotes que supostamente deveriam dar conta disso. O leitor de SD contorna esse problema, mas não é o ideal já que tenho outra câmera que usa CompactFlash e também não se conecta ao eee.
Isso me desapontou um bocado porque já vi outras distribuições de Linux se conectarem a câmeras digitais sem maiores problemas. Não entendo porque o sistema nativo do eee não deveria dar conta disso.
Teclado
Bem, mesmo depois de configurado o teclado do eee 900 exiger algum treinamento para se tornar plenamente funcional. Ele não é pequeno ao ponto de fazer com que o usuário “cate milho” ao digitar, mas é um pouco desconfortável mesmo se levando em conta outros teclados pequenos. A única maneira de se acostumar a ele é digitando, digitando e digitando.
Li reclamações de alguns usuários em fóruns alegando que é necessário bater com força nas teclas, ou que elas são muito sensíveis, etc. Eu não percebi qualquer problema desses e trabalhei muito com o eee durante esse primeiro mês.
Touchpad
O touchpad é extremamente funcional. O formato dele é proporcional ao da tela, o que agiliza e facilita os movimentos do usuário. Além disso usando dois dedos é possível ativar zoom e scroll (tanto horizontal quanto vertical).
Conectividade
Sempre fui muito avesso a internet no celular. Estar conectado 24 horas pode ser um tormento para minha cabeça obsessivo-compulsiva. O eee proporciona conectividade na medida certa, wireless em hotspots e conexões públicas em geral – que felizmente ainda não me faltaram quando eu precisei. O dispositivo conecta tão bem quanto o de qualquer laptop, apesar de alguns usuários dizerem que o 701 tinha uma antena mais potente.
Desempenho
Meu desktop é um Sempron 2200+ com 512 Mb RAM e uma Geforce FX 5200. Ou seja: uma carrocinha que foi top de linha há uns 5 ou 6 anos atrás. O meu eee 900 tem um Celeron “clocado” em 900 mHz e 1Gb RAM, levemente melhor que o desktop. O Xandros inicia rápido, assim como qualquer aplicação que eu uso – inclusive o OpenOffice, que roda muito lentamente no meu desktop. Como uso basicamente o navegador (Firefox 2), música (XMMS) e texto (Note ou Writer) no eeePC, acho desempenho mais que satisfatório.
O Solid-State Drive de 20 Gb não é muito, mas é suficiente quanto não pretendo usar o computador para armazenar música, filmes e jogos. Costumo fazer um backup de todos os documentos importantes no domingo. O que o SSD garante é segurança para a mobilidade do eee, já que é bem mais resistente que um HD. Isso isenta o dono de arrancar os cabelos a cada mínima pancada que o aparelho sofrer, o que pode acontecer mais cedo ou mais tarde quando se carrega um computador consigo o tempo todo.
Conclusão
O eeePC é o computador para quem deseja mobilidade acima de performance. A versão 900 permite uma maior liberdade para o usuário rodar programas e operar em multi-tarefa, além de mais espaço para arquivar documentos.
Achei ele um pouco mais frágil do que eu imaginava, e também mais sensível à poeira. Como comprei o eee justamente porque precisava de um computador com um SSD a preço acessível, que pudesse carregar comigo sem maiores problemas na cidade e nos trabalhos de campo. De modo geral, ele cumpre todos esses objetivos.
O suporte da Asus para o eee ainda é precário no Brasil, de modo que só consegui achar as respostas para os meus problemas pesquisando em fóruns e comunidades virtuais – isso, pesquisando ANTES de perguntar. A melhor comunidade nacional que eu encontrei até agora é a Eee Brasil. Se você é um usuário novato e possui conta no Orkut eu sugiro que participe dela, muito membros dão ótimos conselhos e se esforçam para ajudar qualquer infeliz a resolver um problema.
Fontes
eeePC – Segundas Impressões

Já deixou de ser brinquedo.
Depois de quase um mês usando o eeePC 900, foi possível ter uma idéia do ele apresenta em termos de facilidades e problemas. Ainda vou ficar devendo a review, que pretendo postar junto com algumas dicas para o novo usuário, mas queria compartilhar um pouco do que é carregar um computador pra qualquer lugar.
Campo: fiz uma viagem de poucos dias no final de julho. Meu maior problema com relação às informações coletadas em campo sempre foi o trabalho triplo de tomar notas, estruturá-las em texto e depois ter que digitar tudo. Nesse caso o eee se mostrou extremamente útil: bastou gastar quarenta minutos por noite e mais algumas horas no ônibus (!) e pude chegar aqui com um relatório semi-pronto. Outras facilidades foram proporcionadas pelo eee, como o fato de poder conectar via wireless na rodoviária para cuidar de um pequeno problema que não poderia ser resolvido de outra forma.
Estudo: carregar um computador para aula é prático. No primeiro semestre do mestrado gastei dois cadernos Tilibra de 96 folhas com minhas anotações e fichamentos, feitos em sala e na biblioteca. Grande parte disso teve que ser digitado para ser entregue ou para integrar trabalhos finais. Nas primeiras aulas já foi possível digitar e estruturar as informações de maneira bem organizada, o que representa um enorme ganho de tempo.
Trabalho: usei eeePC para acompanhar duas reuniões e, como no caso das aulas, foi possível fazer as anotações com maior organização. Sem contar a ausência do problema de ter que digitar a ata depois. Além disso, acabou o problema de ter que revesar computadores quando algum problema ou sobreposição de horários acontece.
Como prometido, o eeePC garante uma experiência de mobilidade bem diferente daquela proporcionada por outros notebooks. Vejo muita gente usado palmtops que acabam funcionando apenas como um grande pen-drive ou uma tela para simples para leitura. Também sei de muitos que comprar um e acabando deixando-o sempre em casa, meio encostado. O eee traz uma experiência híbrida, que considero ideal para as minhas necessidades. Também chama pouca atenção e não necessita de uma mochila cara que é acompanhada de um letreiro gigante onde se lê “aqui tem um notebook”. Ele cabe na minha Eastpak pequena e básica – e surrada depois de mais de quase 10 anos de uso diário – o que é necessário para alguém que se desloca à pé todos os dias.
Os pontos negativos ficam por conta do suporte quase inexistente da Asus no Brasil, fazendo com que qualquer problema seja um assunto para fóruns e comunidades do Orkut. Felizmente, usuários dedicados e experientes acabam provendo um bom suporte, mas isso não é o ideal.

Conectar de dentro da rodoviária não deixa de ser uma experiência estranha.
Fui para longe e não volto tão cedo.
eeePC – Primeiras Impressões
Nerd pride!
Primeiro post escrito usando o eeePC. Depois de duas tardes tentando conecta-lo à internet, fazendo e refazendo configurações de rede, finalmente liguei para o Virtua. A solução foi tão simples que me deu vergonha: bastava desligar e ligar o modem.
Logo quando coloquei a internet pra funcionar tive uma conversa com o Lela a respeito do sistema operacional. Eu disse que não pretendia mudar para o XP, até porque até agora o Xandros tinha me servido bem. Sempre quis aprender a operar Linux e achei que essa fosse a oportunidade perfeita.
Depois dessa conversa tive uma experiência bem desagradável. Como a maioria dos modelos 900 disponíveis no mercado brasileño, o meu eeePC veio da China. Chegou configurado para inglês/mandarim mas como os menus estão em inglês não tive maiores problemas em testar as funções. O problema veio quando fui tentar escrever um e-mail: os acentos não funcionavam.
Gastei mais de 4 horas navegando em fóruns e tutoriais diversos para tentar configurar os acentos. Muitos e muitos updates, edições e processos mais tarde foi possível fazer o OpenOffice reconhecer acentos, mas não o resto do sistema. Então ainda não consigo escrever decentemente no Firefox ou no Thunderbird, o que é bem desagradável.
A instalação do desktop completo e a configuração do dicionário português-brasileiro foram sagas à parte. Além disso ainda tive que buscar o GIMP (editor de imagens), XMMS (tocador de áudio no estilo do Winamp), o VLC (video player decente) e fazer milhões de mudanças menores.
O resultado foi o gasto de 15 horas para conseguir fazer o eeePC funcionar como eu queria.
Eu entendo que os dois maiores problemas são ocasionados pelo fato da máquina ter vindo de fora do país – se houvesse uma distribuidora nacional do produto isso não teria acontecido. Mas não custaria muito o Xandros ser mais user-friendly para nessas configurações tão básicas.
Eu usei um pouco de Linux entre 1999 e 2002. Algumas vezes pra aprender a configurar servidores numa empresa onde eu trabalhava e outras como usuário ordinário na faculdade. Só posso dizer que mesmo com tantos contras e dificuldades, as distribuições atuais nem se comparam com o que havia naquela época.
O Xandros detectou e interagiu corretamente com tudo o que foi conectado na USB do eeePC: pen-drives, HDs externos e teclados de várias marcas e tipos. Minha Canon Powershot não se deu bem com o Xandros, mas isso foi contornável porque o eeePC vem de fábrica com um leitor de cartão de memória. Também não tive problemas em navegar por nenhum site, rodar vídeos no Youtube, editar fotografias, escutar mp3, etc.
Enfim, a idéia é manter o eeePC em Linux. Eu precisava dele como um processador de texto portátil e um segundo computador que pudesse andar comigo em campo sem maiores percalços. Só falta conseguir que o Xandros reconheça acentos perfeitamente e, caso isso não seja possível, o eeexubuntu deve dar conta do recado.
O eeePC em si é outra história, em breve posto uma resenha dele.
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Azeredo não quer a Internet
Senador insiste no controle da Web indo na contramão do processo de inovação tecnológica
Dito assim parece complicado e pretensioso, mas o fato é que a proposta do senador tucano, cujo nome está associado ao mensalão mineiro, revela uma teimosia em não informar-se sobre o que a internet representa no mundo atual. No ano passado, o político tucano esteve no centro de um debate sobre regulamentação da Web, que gerou muita informação sobre a rede mundial de computadores. (clique para ler o restante)
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Boa análise a respeito da sandice conduzida por Eduardo Azeredo. No entanto ninguém no Senado se deu ao trabalho de lê-la.
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Senado aprova projeto nocivo à Internet
O Projeto de Lei para Crimes na Internet foi aprovado ontem, no plenário do Senado, quando já era tarde à noite.
Nos discursos, sobrou demagogia. Estavam presentes Marco Antônio e Cristina Del’Isola, pais de Maria Cláudia Siqueira Isola, a jovem assassinada aos 19 anos, em 2004, cujas fotos da perícia foram vazadas na Internet. Aprova-se um projeto que pune crimes na Internet, disse o senador Eduardo Azeredo, para que atos como este não sigam impunes. Há apenas um problema: o projeto aprovado ontem não transformaria este vazamento em particular em crime. (clique para ler o restante)
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Aze(re)do Strikes Back. Again.
É que hackearam meu PC quando eu tava no jardim de infância.
Apostando na parca memória brasileña o fantástico Deputado Federal, ator, dançarino e apresentador de talk-show Eduardo Azeredo tenta passar seu projeto de lei na marra. De novo. O Bradesco financiou sua campanha, Duduzinho é sócio de uma firma de certificação digital, queimou o filme no Valerioduto, etc… Não faltam motivos para Azeredo tentar fazer pose de mocinho e, ao mesmo tempo, agradar os financiadores. Só faltou dizer, como os políticos da Suécia, que esse projeto de lei vai ajudar a combater o terrorismo. Imagino que na próxima candidatura da figura, mesmo que seja pra síndico de prédio, deva haver uma forte campanha de oposição.



