A vida como ela anda I

Maio 14, 2009

Canibalismo Pop

Maio 7, 2009

Issei Sagawa

Issei Sagawa

Pra dizer a verdade, não entendo como todas as pessoas não sentem essa urgência de comer, consumir outras pessoas.  [...] O que há de errado em comer? Georges Bataille acreditava que o beijo é o começo do canibalismo, e eu concordo. Acho que é o mesmo instinto de querer saborear o outro. Mesmo assim, é minha opinião.

Issei Sagawa, um homem qualquer de meia idade, é um canibal. Sua única vítima foi uma mulher francesa, uma colega nos tempos em que cursava pós-graduação na Sorbonne. Por algum motivo que eu ignoro, Sagawa é uma espécie de celebridade no Japão e uma entrevista com ele pode ser encontrada na Vice Magazine.

Se tiver estômago fraco, não leia.

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Abril 28, 2009

O segredo. Potes de doce escondidos, adolescentes fumando longe das vistas dos pais, montinhos de sujeira varridos para debaixo do tapete, revistas pornográficas no cesto de roupa suja, o aparelho quebrado. A culpa. A vergonha avassaladora de ser descoberto, a insistência em se desculpar, a conformação silenciosa, o outro dia. A resignação é um exercício tortuoso.

Nota: o que está relatado nesse post se passou com uma imobiliária de Belo Horizonte, que funciona na parte nobre da Zona Leste, perto de uma pracinha simpática. Em respeito à pessoa que passou por essa situação comigo, estou omitindo no nome da empresa – que vou chamar carinhosamente de PAULAR Imóveis.

Ando naquela correria para alugar um imóvel há mais de três meses. Visitas a tudo quanto buraco anunciado pelas imobiliárias, luta pra conseguir toda a extensa documentação exigida. Com tudo em mãos e uma casinha simpática em vista, demos entrada num processo que correu super bem, contando com um corretor gente boa e uma imobiliária razoável.

Mas no meio da história, acabamos achando um imóvel muito melhor. Mais amplo, mais conservado, não muito mais caro e na mesma região. Só havia um detalhe: a imobiliária, PAULAR Imóveis exigia todos os documentos autenticados. Fomos atrás dos fiadores e gastamos quase um mês para conseguir reunir e autenticar toda a documentação exigida pelo grupo.

Ao apresentar a documentação, a atendente nem titubeou: “Senhor, essas comprovações têm mais de um mês e precisamos de outra que seja, pelo menos, do mês passado”. Ok, isso deve estar baseado na suposição de que meu fiador é de alguma organização internacional criminosa e deve ser provável que sua renda, propriedade do imóvel e estado civil mudem em um espaço de trinta dias, bem como sua aparência facial e impressão digital… A documentação tinha 40 dias, mas aparentemente isso não é suficiente para provar à imobiliária que temos bons fiadores.

Os fiadores emprestaram documentos pessoais e gastamos mais de R$ 100 em autenticação, fora o tempo e dor de cabeça. Mas a PAULAR Imóveis é irredutível, mesmo com a documentação abundante e fiadores em excelentes condições, eles vão se recusar a abrir a sua ficha a não ser que você pague o seguro.

Isso mesmo, se qualquer documento que você traz é virtualmente inútil, seu dinheiro é muito bem-vindo. Antes que fique claro, que a relação entre locador e locatário no Brasil funciona nos mesmo termos de um empréstimo:  você está em desvantagem e a imobiliária pode exigir qualquer tipo de comprovação. A questão é que a PAULAR Imóveis pediu a documentação sob uma condição e, na hora da apresentação, colocou outra sob uma justificativa nada razoável.

A idéia é essa mesmo: fazer com que você dê voltas em torno do próprio rabo e, no final, entre para esse paraíso onde todos os locatários são, por suposto, ladrões e pague o seguro. A busca por um imóvel continua, mas fica aqui a recomendação para que outros passem longe da  PAULAR ou, pelo menos, já cheguem lá dispostos a ceder a essa pequena prática de  extorsão.

FARAWAY II

Abril 22, 2009

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I

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II

III

III

Mil Pedras

Abril 21, 2009

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Finalmente assisti Der Baader-Meinhof Komplex. Como afirmei minha obsessão pela RAF nesse outro post, onde também fiz um resumo do contexto e da história do grupo terrorista, vou me limitar a comentar um pouco das minhas impressões sobre o filme – e o que nele se envolve.

O filme de Uli Edel, baseado num livro de Stefan Aust, é a produção mais cara do cinema alemão, e também conta com performance dos melhores e mais célebres atores de lá. Der Baader-Meinhof Komplex (referido à partir daqui como DBMK) recria muito bem o climão das décadas de 60 e 70, tanto na parte técnica quanto nos dilemas. Muito da história foca  na tensão entre o ideal socialista romântico e as implicações mais severas de todas as tentativas de se “fazer a revolução” – fossem elas contradições internas ou a repressão, muitas vezes brutal.

Ulrike Meinhof (Martina Gedeck)

Ulrike Meinhof (Martina Gedeck)

Nesse contexto de violência e mudança, Ulrike Meinhof (Martina Gedeck) é uma jornalista de esquerda que vivencia um conflito entre a teoria e prática de suas idéias. Divorciada e mãe de duas filhas, ela é seduzida pela visceralidade de Andreas Baader (Moritz Bleibtreu) e Gudrun Ensslin (Johanna Wokalek), dois beatniks extremistas condenados por atear fogo a uma loja de departamentos em prostesto contra a Guerra do Vietnã, Ulrike acaba envolvida com a instauração de um movimento de guerrilha urbana na Alemanha Ocidental.

Recrutando seus membros entre simpatizantes de esquerda, estudantes e ex-internos em reformatórios, a RAF segue em sua campanha de assaltos a banco e atentados a alvos militares. O filme se concentra nos três personagens, considerados os líderes e fundadores da Facção Exército Vermelho – o que é um problema. Quem tem algum conhecimento dessa história sabe que, entre membros e partidários, a RAF tinha algumas boas dezenas de integrantes. DBMK deixa isso no vácuo, inserindo muitos dos personagens na história sem a contextualização necessária – o que causa alguma confusão. Introduzir cada personagem tomaria muito tempo do filme, mas deixar de fazê-lo torna ele difícil para quem não tem conhecimento do assunto.

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Andreas Baader (Moritz Bleibtreu) e Gudrun Ensslin (Johanna Wokalek)

O ponto positivo é que o trio Baader, Ensslin e Meinhof teve um tratamento à altura de sua estranha história. Baader é mostrado como dono de uma personalidade explosiva, machista e pouco brilhante. Sua capacidade de liderar o grupo reside no seu carisma controverso e no apoio incondicional que recebe de Ensslin – sua companheira – retratada como uma revolucionária apaixonada e, muitas vezes, irredutível. Meinhof, por outro lado, é quem tem alguma ponderação, fato pelo qual os outros dois líderes a consideram fraca. A relação de conflito entre os três e os diálogos daí decorrentes foram muito bem produzidos, tendo como com base nos escritos deixados por eles e nos depoimentos de ex-membros do grupo.

Outro ponto forte é maneira como ficou retratada a escalada de violência entre o Estado alemão e a RAF. À medida que membros do grupo e policiais iam morrendo, cada lado do conflito se tornava disposto a fazer pior. A tortura e a neglicência por parte algumas autoridades que resultou na morte de guerrilheiros da RAF é contraposta pela figura do chefe da polícia, Horst Herold (Bruno Ganz). Mesmo com a missão de desarticular a RAF e prender seus membros, Herold se recusa a acreditar que há respostas simples para o fenômeno colocado diante dele. A cena em que ele conversa com seus associados e é acusado de simpatizar com os terroristas a cada vez que, em voz alta, tenta desvendar seus motivos é emblemática.

Na minha reles opinião, é na sinergia entre o pensamento de Herold e as ações lideradas por Brigitte Mohnhaupt (Nadja Uhl) que estão alguns dos momentos mais densos do filme. Mohnhaupt é que cooderna os assassinatos mais brutais da RAF, a maioria feitos em retaliação ao que ocorre em Stammheim – a prisão de segurança máxima feita exclusivamente para abrigar e julgar membros do grupo e outros guerrilheiros urbanos. E Herold, que prefere refletir antes de agir cada vez que recebe a notícia de um atentado, parece ser privilegiado em entender o que se passa.

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Chacina durante o seqüestro de Hanns Martin Schleyer.

A cena do assassinato de Siegfried Buback (Gerald Alexander Held) é emblemática nesse sentido. Mohnhaupt leva a cabo a vingança pela morte de membros da RAF em Stammheim, fuzilando todos que estavam dentro do carro de Buback. Diante do comunicado do atentado, o assistende Herold pergunta “O que leva novas unidades terroristas a ser formar? O que os motiva?”, e ele responde “Um mito”.

E é sobre esse mito que DBMK versa. O mito de que do outro lado da Cortina de Ferro não havia opressão, o mito de que a luta armada era a única forma de contrapor a violência do Estado, o mito de que martírio e revolução andam de mãos dadas. E como toda mitologia, aquela que cercava os membros da RAF pode estar datada, o que não exclui seu poder – e nem sua razão de ser.

Em um texto, Ulrike Meinhof escreveu: “Jogue uma pedra e é um crime. Jogue mil pedras e trata-se de uma ação política”. As mil pedras da RAF não foram jogadas em seus atentados – já que nem de longe eles foram o grupo terrorista mais eficiente na Alemanha daquele tempo. Seu triunfo residiu em seu espetáculo de violência, em sua capacidade de mobilizar a mídia para suas figuras, no fato de que saíram da história para entrar na cultura pop.

E isso não é tudo.

Pirate Bay na cadeia

Abril 17, 2009

FARAWAY

Abril 2, 2009

I

I

II

II

III

III

Março 29, 2009


Filmorama I

Março 28, 2009

Comentários randômicos a respeito de filmes vistos recentemente.

Sally, o Falsário

Os Falsários

Os Falsários (Die Fälscher): Filme bom como eu não via há muito tempo. Sally Sorowitsch, o protagonista, é um artista especialista na arte de falsificar. Seu azar é viver na Alemanha em 1939, onde é preso e mandando para um campo de concentração. Mas Sally é uma raposa velha e consegue usar seu talento para arte como trunfo, agradando oficiais com murais e pinturas de temas nazistas. Em 1945 ele é enviado para um outro campo, onde outros artistas e profissionais judeus se reúnem sob o comando da SS para forjar dinheiro e passaportes em larga escala. Atuação fina, roteiro decente, fotografia ótima. Podem assistir.

O Leitor

O Leitor

O Leitor (The Reader): Tenho preguiça letal de noventa por cento dos filmes de drama que assisti – especialmente uma obviedade como Closer. Fui ver O Leitor meio sem saber do que se tratava e gostei. Enfim, enquanto muita gente criticou o filme por achá-lo meio inverossímil ou por, acreditem, fazer parte de uma conspiração de pedófilos negadores do Holocausto, eu achei interessante. Os tipos de tragédia, de indecisão e paralisia retratados em O Leitor não são exatamente factuais. Talvez o filme pareça melhor se eles forem entendidos como metáforas.

Australia

Australia

Australia: Não sei exatamente o que dizer de Australia. O filme trabalha alguns clichês de maneira divertida, o que é um ponto a favor. Se ele fosse só isso seria algo como um A Múmia melhorado, mas infelizmente a parte “dramática” é um pé no saco e tira toda a diversão meio pulp da história. O mundo não precisa de outro E o Vento Levou, então só assista se você não tiver nada melhor pra fazer.

Deixe Ela Entrar

Deixe Ela Entrar

Deixe Ela Entrar (Låt den rätte komma in): Um filme que tematiza vampiros de maneira sutil e elegante é raro. É bom encontrar algo interessante em meios a poços de tédio como Crepúsculo ou Anjos da Noite – últimos grandes expoentes do gênero. Deixe Ela Entrar é uma mistura bizarra de carinho inocente e ultraviolência, entre ambições infantis e poderes eternos. É provavelmente um dos melhores filmes de vampiro já feito. Assista, já.

Março 24, 2009