16:36
Julho 11, 2008
A infelicidade é como a respiração, involuntária. Não se pode deixá-la de lado, apenas ganhar sobre ela algum controle. A ambição de uma vida livre da infelicidade é uma forma simples de produzi-la em abundância.
Casa Nova
Julho 11, 2008
Azeredo não quer a Internet
Julho 10, 2008
Senador insiste no controle da Web indo na contramão do processo de inovação tecnológica
Dito assim parece complicado e pretensioso, mas o fato é que a proposta do senador tucano, cujo nome está associado ao mensalão mineiro, revela uma teimosia em não informar-se sobre o que a internet representa no mundo atual. No ano passado, o político tucano esteve no centro de um debate sobre regulamentação da Web, que gerou muita informação sobre a rede mundial de computadores. (clique para ler o restante)
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Boa análise a respeito da sandice conduzida por Eduardo Azeredo. No entanto ninguém no Senado se deu ao trabalho de lê-la.
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Senado aprova projeto nocivo à Internet
O Projeto de Lei para Crimes na Internet foi aprovado ontem, no plenário do Senado, quando já era tarde à noite.
Nos discursos, sobrou demagogia. Estavam presentes Marco Antônio e Cristina Del’Isola, pais de Maria Cláudia Siqueira Isola, a jovem assassinada aos 19 anos, em 2004, cujas fotos da perícia foram vazadas na Internet. Aprova-se um projeto que pune crimes na Internet, disse o senador Eduardo Azeredo, para que atos como este não sigam impunes. Há apenas um problema: o projeto aprovado ontem não transformaria este vazamento em particular em crime. (clique para ler o restante)
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XKCD f o r e v a
Julho 3, 2008
21:57
Julho 1, 2008
O universo não se compõe de todos mas de fragmentos. Ordenados à revelia eles formam verdades, mentiras, dogmas, sofismas… Os fragmentos ressonam e se chocam uns com os outros, transformando-se enquanto definem a si mesmos. Estar no mundo é elaborá-los, discorrer sobre eles, consumi-los, vislumbrar a infinitude de cada um deles… e nunca se dar conta disso.
Your Love Belongs Under a Rock - Dirtbombs
(Clique para ouvir!)
Your love
(Your love, your love)
Belongs under a rock, baby (your love, your love)
I said your love
(Your love, your love)
Belongs under a rock, baby (your love, your love)
You’re always tryin to get the best of me
Tryin to make me feel small
Didn’t take me long to figure out
You really didn’t love me at all
That’s why your love (your love, your love)
Belongs under a rock (your love, your love)
I said your love
(Your love, your love)
Belongs under a rock(your love, your love)
You’re always tryin to make a fool of me
Tryin to waste my time
Bat your eyes at every guy in town
Just to drive me out of my mind
That’s why your love (your love, your love)
Belongs under a rock (your love, your love)
I said your love
(Your love, your love)
Belongs under a rock(your love, your love)
You’re always tryin to take my energy
Tryin to sell my soul
I’ve got to put you down and worry not
You’re gettin out of control
Well your love (your love, your love)
Belongs under a rock (your love, your love)
I said your love
(Your love, your love)
Belongs under a rock(your love, your love)
Had to know I’d fool around with you
It’s really plain to see
You’ve got the heart of a mammoth
That’s not news to me
That’s why your love (your love, your love)
Belongs under a rock, woman (your love, your love)
I said your love
(Your love, your love)
Belongs under a rock(your love, your love)
Your love
(Your love, your love)
Belongs under a rock(your love, your love)
I said your love
(Your love, your love)
Belongs under a rock (your love, your love)
21:22
Junho 28, 2008
Existem lugares onde nada passa mas ainda assim se preenchem por rastros. Pegadas descalças de entes que não-são, mutilações da percepção, caminhadas feitas nas portas daquilo que nunca se ousa dizer. A aridez do chão é o que permite as marcas nítidas.
Da escrita…
Junho 27, 2008
Passei algumas tardes das últimas duas semanas corrigindo trabalhos da graduação - tarefa integrante do estágio docente que estou fazendo nesse semestre. Isso fortaleceu meu respeito pelos professores que corrigem e comentam os trabalhos de seus alunos de maneira cuidadosa. Porque tentei fazer isso na medida do possível e gastei próximo de 30 horas lendo tudo e discutindo alguns pontos com a minha orientadora, que é a professora da disciplina.
Mas o que mais me chamou a atenção foi a questão da escrita. Em alguns trabalhos os alunos foram mais desleixados e mal passaram um corretor ortográfico do editor de texto. Os erros presentes incomodaram bastante durante a leitura e tornaram maior o esforço de ver a qualidade do trabalho como um todo. Alguns trabalhos, por mais breves que fossem, tinham uma fluidez sensacional que fazia a leitura muito agradável e interessante.
Notei que alguns trabalhos tinham um teor meio “travado”, onde era possível perceber a dificuldade do grupo em colocar no papel as idéias e experiências vividas - as tarefas dessa disciplina exigem uma investigação de campo.
Quando eu cursei essa disciplina essa também foi uma dificuldade minha. Como eu sempre digo, escrever é a coisa mais difícil do mundo. É uma espécie de domesticação de si mesmo que nunca tem fim. Se eu leio as coisas que escrevi há três ou quatro anos atrás, acho mal escritas e ponto. O pior é quando eu me deparo com o que escrevi na semana passada.
Alguns dizem que isso faz parte do processo todo, que a mudança de estilo sempre faz com que você ache o que fez antes pior do que o de hoje. Tenho minhas dúvidas a respeito disso, acho que a insatisfação é parte de uma dificuldade perene em expressar coisas cada vez mais complexas - pelo menos na escrita dentro da academia.
Na etnografia, onde a escrita tem que expressar (ou dar conta de um experiência) isso é flagrante. Meus primeiros trabalhos de campo eram, sem qualquer medo de falar, bem ingênuos. Eu percebia poucas sutilezas do assunto que ia pesquisar e costumava a ter visões objetivistas de tudo, o que obviamente viciava minha análise.
Nem por isso o texto era melhor, até porque eu não escrevia nada bem naqueles tempos. Hoje, de alguma maneira, sinto que consigo pensar o campo, e dentro do campo, de um modo que me satisfaz mais - ou pelo menos fica mais próximo do que eu idealizo como uma pesquisa etnográfica. No entanto, a escrita ainda parece muito travada, como se uma espécie de medo de me expressar de forma equivocada causasse justamente esse equívoco. Um ciclo vicioso daqueles mais angustiantes.
Para isso não há outra solução a não ser escrever. Lapidar a escrita mal-acabada, cheia de repetições e frases desconexas em alguma coisa palpável e fluida. Já percebi, dentro do óbvio ululante, que é impossível revisar o próprio texto logo após escrevê-lo. Um texto bom necessita de um tempo diferenciado, de ser escrito e reescrito, trabalhado frase a frase.
Logo, além de exercitar a escrita, também se faz necessária a disciplina. Só assim para dar conta dos equívocos, do medo, do ciclo vicioso.
Utilitarianism
Junho 26, 2008
A people who conceive life to be the pursuit of happiness must be chronically unhappy.
Aze(re)do Strikes Back. Again.
Junho 25, 2008
É que hackearam meu PC quando eu tava no jardim de infância.
Apostando na parca memória brasileña o fantástico Deputado Federal, ator, dançarino e apresentador de talk-show Eduardo Azeredo tenta passar seu projeto de lei na marra. De novo. O Bradesco financiou sua campanha, Duduzinho é sócio de uma firma de certificação digital, queimou o filme no Valerioduto, etc… Não faltam motivos para Azeredo tentar fazer pose de mocinho e, ao mesmo tempo, agradar os financiadores. Só faltou dizer, como os políticos da Suécia, que esse projeto de lei vai ajudar a combater o terrorismo. Imagino que na próxima candidatura da figura, mesmo que seja pra síndico de prédio, deva haver uma forte campanha de oposição.
eeePC!
Junho 24, 2008

O meu vai ser preto!
Um dos grandes problemas que eu sempre tenho quando estou trabalhando é a realização de relatórios. Vou para campo, faço entrevistas, fotografo, observo e depois de tudo preciso entregar um relatório em X dias. Na maioria das vezes é um relatório simples, mas quase sempre é demorado de se fazer. O problema tem sido o de sistematizar informação, porque meus cadernos de campo sempre vêm abarrotados de referências, nomes, datas, trechos de falas.
Quando o dia não é tão desgastante, eu costumo a passar as coisas a limpo e fazer um pequeno texto que resume os pontos principais de cada tema pesquisado para o relatório. Isso ajuda muito, além de fazer com que o “frescor’ da informação torne o texto rico e bem escrito. O problema é que eu SEMPRE tenho que digitar tudo depois que volto - e geralmente em casa, o limbo da produtividade pessoal.
Eu queria dar um jeito de fazer com que isso acontecesse menos, o mínimo possível. O ideal seria voltar do campo com um “esqueleto” do relatório ensaiado, que seria mais fácil de elaborar no momento e facilitaria bastante a produção final - além de aumentar visivelmente a qualidade.
Obviamente para que isso funcionasse seria necessário um notebook, mas não qualquer notebook. Teria que ser algo que eu pudesse carregar sempre comigo, porque às vezes fico em pensões que mal têm trancas nos quartos. Mas mesmo sendo leve o suficiente para ser carregado pra lá e pra cá não, não seria legal um notebook com partes mecânicas: cansei de ver HDs de notebooks de outros colegas de trabalho dançarem no sacolejo do ônibus, do jipe ou da boleia do caminhão.
Ano passado, numa conversa de ônibus, um amigo tinha me dado a sugestão de comprar um palm e acoplá-lo a um tecladinho. Achei a sugestão interessante, já que tudo o que eu precisava era de um processador de textos simples e os palms costumam ter um desses. Mas, então, em algum momento ele perguntou porque eu não comprava um eeePC.
Como eu não tinha a mínima idéia do que se tratava, ele foi me contando que era um notebook muito portátil, sem HD. Ele me descreveu o produto, mas não gostei da idéia de apenas 4G de espaço e a telinha de 7” polegadas. Na verdade nada disso importava muito se não fosse o preço que girava em torno de R$ 1.200 na época. Por R$ 1.600 eu comprava um notebookzinho humilde com mais recursos.
Mas grande parte do preço estava embutido na portabilidade. Fui no site da Asus fuçar as configurações e descobri que nenhum deles pesava mais de um quilo. O preço do eeePC vinha caindo desde então e decidi que quando chegasse próximo de R$ 900 eu compraria.
Acontece que quando eu achei nessa faixa de preço, na verdade até mais barato que isso, um modelo novo tinha sido lançado. Tela de 8.9”, 1G de memória RAM e 20G de espaço em disco. O preço? R$ 1.400. Ia usar o dinheiro pra viajar, mas achei que era a hora de estourar o porquinho e investir algumas economias em uma coisa útil. E nerd.
Então encomendei o bendito hoje.
Glória
Junho 22, 2008
O salário do pecado é a morte?
Na estrada lá de de baixo vai passar o homem. Doutor advogado, é da raça de político de respeito. Gente querida, que é do povo. Deve ter vindo cá pra esses lados daqui fazer a média com a coronelagem, promessinha, pegar menino preto no colo. Vinha num automóvel, essa coisa que ninguém vê, pra ajuntar mais gente em volto ainda, mas nem estrada há.
Cá ninguém anda só. Dizem que é lugar onde muito espreita: catitu, gato do mato, bicho-homem. No cemitério da Fazenda da Vargem contam que se enterrou uma cafusa que coitou com o Cão. A mulher tinha um fogo que mal se apagava. Tombava homem. Mas se desvairou e consumiu. Na paróquia escutei que tinha parido um leitão, rubrinho, de sete patas.
E onde já se viu que mulher alguma ia parir porco? De certo a cafusa encontrou um bruto que lhe tirou o de digno, endoideceu e de tanto berrar lhe pensaram por possessa. Pedi pra ver o tal leitão, mas cadê que me falava onde andava? Ela morreu depois de pouco. Morte é coisa mais de Deus do que do resto.
E medo é de quê? De quem? Meu padrasto adiantava que medo é o que faz a miséria do homem. Que é que medo trás de bom? Já nem sei. Adiantei a vida sem nem pensar nisso. No seminário aprendi o temor de Deus: mas é o medo que anda com Deus ou Deus que anda com medo? Vai saber…
Eu não. Perdi a esperança de encontrar com o Alto. O Altíssimo. Reza nenhuma salva o que eu fiz. Nem novena rezada só com mulher casta. Nada adianta, não senhor. Pra Inferno ainda não vou, é preciso mais desgraça, talvez. Alma penada, esquecida no Limbo até o Dia do Juízo. É o que faz meu dizer andar na hora de rezar uma missa que seja: há que no Juízo o Cristo deixa eu morar na beirinha do Paraíso.
Doutor advogado urge fazer média na Casa de Deus, mas pernoita em teto de compadre antes de seguir. É do povo de Seu Maurício do Pinhal. Contaram que moça suspira de ver que é uma beleza, mal tem trinta. Fala complicado. Quer ser presidente.
Seu Maurício é que ia de candidato, quinta vez, mas o coração não seguiu. Caiu de cara na sopa… tristeza que só. O povo até chorou, fez fila no velório. Esse velório teve foi bom. Rezei missa daquelas de levar, cheia de renda. A viúva me chamou para a cozinha provar do assado, privilégio de padre. Moça mais nova, casada depois que a outra esposa morreu. Queixo a Deus pra que vire beata, já que não fica bonito ela se unir a outro em respeito à memória de tão estimada figura. Mas se quiser deixar o casarão da Fazenda do Pinhal pra confessar seus poucos pecados que padre não lhe prestaria um favor do consolo?
O confessionário é o leito do pecado. Ano após ano os pecados se deitam e rolam entre as línguas. Para quem muito fez o Mal o caminho é a penitência. A reza só traz ali a rememória do feito: Deus é Verbo mas não habita palavra, sim? Por penitência foi que escolhi o sacerdócio. Vida de pároco é sacrifício mesmo quando não é. A vocação, garanto, o homem só tem para a coisa que não se faz: todo o resto é suor.
Quando ainda moço segui a vocação e coisa ruim se deu. Larguei a roça do padrasto, rodei em casa de luz vermelha, joguei, bebi. Me ajuntei em bandidagem, roubei, matei pai de família. Carecia do recurso pra manter os vícios da carne. Dia sim, dia não, vagando com sol e lua na cacunda. Haveria de morrer cedo? Se não…
Mal conto o que me trouxe de volta à razão. Foi castigo, malefício, desgraça, coisa que marca um qualquer e condena. Aproveitei, ainda era jovem e mal procurado, fui bater em porta de igreja, demonstrar minha ladinagem como esforço do ofício. O padrasto era devoto, pagador de promessa, me contava dos versos do Rei Davi, vidas de santo, pragas de Moisés. De aceito e feito Ele me tornou pároco. Achei mais justo carregar as Escrituras na ponta da língua. No meu coração onde ia se caber isso? Só o medo é que alarga suas portas. Tive nenhum.
Como nunca tive de muita coisa. Se não tenho muito temor de Deus, vou temer é gente? O homem pode ser ruim, mas é mortal. A figura pode ser o que mais pode nesse mundo, mas um tiro bem dado lhe põe bem no lugarzinho. Temor algum nessa bruma da manhãzinha, como nem nunca. Carabina de cano retinho, bala de soldado. Dá pra acertar até borboleta.
Seu Maurício, tão querido político, fazendeiro. Homem bom. Do outro lado do rio há quem não ache. Seu Otaviano Fonseca vêm doando do bom e do melhor para a paróquia… se eleito diz de dobrar os esforços para agradar o Senhor. Pra quê vou deixar esse moço, doutor, ocupar a Pinhal? Engraçar com a viúva, desmercer a memória de Seu Marício? Não senhor.
Deus escreve tão certo por linhas tão tortas que é possível entortar o quanto aprouver, não? Amém, aleluia. Pecado não deita fora do confessionário: corre solto, baba e morde. Pecado é o que move o mundo, que faz o dia e a noite. Glória sem delito é coisa pouca, conversinha do Divino. Alguém já viu guerra sem culpado? Rei sem fardo? Vinho sem delírio?
Tem não. Tem nada disso… Quem vence carrega a serpente enrolada no pescoço. Quem perde vai ao encontro do Criador. O devir do pecado, o que é? Morte? Nãnão. É o sentir mal, a vertigem. Morte é concessão do Altíssimo aos seus filhos. Pra quê o medo num mundo assim?
Lá vem, lá vem a passar o doutor. Montado em cavalo de raça. Garboso, de paletó branquinho. Sol nascendo, nem tem jeito de errar, o doutor brilha que nem vaga-lume no meio da comitiva. Não quero o outro dia sem a satisfação desse. Mais cinco vêm junto, ninguém anda sozinho por aqui. Muito se espreita por essas bandas de cá mas não há quem possa imaginar o pároco e sua carabina no alto da colina. Não quem desconfie, quem possa acusar.
Esse uso maligno da santidade me colocaria lado a lado com os sodomitas e blasfemadores. Mas aposto que esses ai arrependeriam bem em frentezinha ao Esquerdo. Eu não, carrego nada de culpa comigo. Acredito sem receio e sem covardia, pois não? Daqui o tiro é certo. O puxar do gatilho é meu, entre ele e a morte do doutor está a vontade de Deus.











