Savoir-Faire

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22:22

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…e mesmo depois de beber aquele tanto eu só pensava na solidão, na distância que existe entre o homem e o mundo… Vivemos sempre sozinhos, ainda que isso possa parecer impossível quando todo lugar anda tão repleto de tudo. Foi justamente naquilo que é vago que eu triunfei, nas fronteiras deformadas dos meus sonhos, nos espaços planos, nos lugares onde mal anda o diabo, quiçá deus qualquer. Eu falava, ouvia, sorria, farsa qualquer, não acreditava em nada. Não eram meus comparsas, não compartilhavam muito comigo além de embriaguez e certa dose de vaidade… o que é que poderiam entender de ódio?  Que turva a visão, embebeda de vermelho, planta a vontade de cortar, atear fogo, babar, mutilar. Aquele que não sabe do que eu falo nunca me cruzou o caminho, não fitou o olhar perdido, os dentes trincados e os braços marcados. Não sabe o que é humilhação, violência… a tristeza do abandono. A distância é o que aguarda no final, a melhor e mais perfeita panacéia para todos os males, tudo para não precisar viver consigo mesmo.

Escrito por Barba

março 7, 2010 em 23:37

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“pergunte pro seu orixá, o amor só é bom se doer”

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Escrito por Barba

março 5, 2010 em 0:35

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Pescando

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Escrito por Barba

fevereiro 27, 2010 em 20:04

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algo que ninguém mais pode saber

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Não, não gosto de trabalhar. Prefiro vagabundear e pensar nas coisas boas que podem ser feitas. Não gosto de trabalhar… homem nenhum gosta… mas gosto do que o trabalho encerra… a chance de encontrarmos a nós mesmos. A nossa própria realidade…. para nós mesmos, não para os outros… algo que ninguém mais pode saber. Os outros só conseguem ver o exterior, e nunca têm condições de descobrir o verdadeiro significado. - Conrad

Escrito por Barba

fevereiro 26, 2010 em 8:51

O quarto

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Escrito por Barba

fevereiro 25, 2010 em 13:21

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Qualquer lugar

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Dois dedos de uísque, era o que o doutor tomava toda noite, sentado na varanda da casa, escutando um disco de samba, qualquer um. Gostava daquilo, lembrava dos tempos de faculdade na capital, das praias, das mulheres fáceis, do suor e do cheiro. Lá estava entre seus iguais, havia encontrado cada um deles… gente com boa vaidade, cuja soberba não se fazia ver. Desprovidos daquele torpor que tanto vira no interior: gente que pouco era e se achava no direito de fazer dos outros menos que eles. As donas, indo à feira dominical seguidas por suas empregadas negras e pobres, irritadas frente a qualquer evidência de que havia algo em comum entre elas e aquelas mulheres fortes que vinham logo atrás. Na capital não… todos pareciam cientes de que havia alguém maior que eles – senão ali, em outro lugar. Qualquer lugar.

O doutor gostava de se lembrar daquilo, mesmo agora que estava de volta àquela cidade pequena. O dinheiro era farto, o respeito também, mas ele provocava estranheza ao não querer se casar. Era o último dos Palhares de Souza, nome forte de família decadente, cujo gado e posses foram desaparecendo à medida em que a sorte lhes faltava no carteado e na roleta. Comércio, carvoaria, dois automóveis, um caminhão e até mesmo um pequeno posto de combustíveis faziam eco com as antigas plantações de café e algodão, a casa sempre cercada de agregados e ex-escravos. O bisavô sabia traçar sua ascendência até os velhos bandeirantes. A boa família… o doutor sabia que se tratava de uma ilusão. Seus antepassados haviam sido homens cruéis, capazes de matar irmãos, estuprar serviçais e prostituir afilhadas. “Um bom nome se compra com muito ouro, nos dentes e no bolso” ele escutara. As pessoas de respeito naquela cidade eram todas assim… não estariam salvas nem se a paróquia vendesse indulgências, nem por intervenção do Santo Padre ou pelo súbito bom-humor do Criador.

Dois cigarros era o que doutor fumava junto com seu uísque. Os cigarros o lembravam dos velhos fornos de carvão, dos corpos pretos e do dinheiro roxo, dos fardos e cestos tropeados de cá a lá. Na capital, até o suor dos outros parecia mais justo, merecido e banhado em honestidade, vá saber. E o casamento, este lhe soava o pior dos males. Um engôdo, diriam, uma prisão. Senão para ele, para ela. Era como contruir a própria jaula, ou prender numa gaiola um pássaro bonito. O doutor não gostava de gaiolas, lhe causavam tristeza infinita. O matrimônio exigia alguma submissão, a saber se curvar ante a lei do Cristo ou dos homens, ante à esposa… ou fazê-la se curvar diante dele. Deixe que voem, ele pensava.

Quando corriam boatos de que ele seria um pederasta, logo havia alguém para dizer que ele era amante uma ou outra viúva da região. Um homem solteiro é um homem infeliz, diziam-lhe os poucos amigos. As amantes que mantinha em cidades vizinhas, prostitutas ou não, lhe falavam a mesma coisa, algumas eram esperançosas de que ele, um exêntrico, pudesse desposá-las. Mas o doutor, se não era feliz, parecia satisfeito. Seus pais jaziam num mausoléu, junto todo o resto do clã, e agora ele estava livre de quaisquer pressões e julgamentos daquela gente. A vida, finalmente, era só sua.

Escrito por Barba

fevereiro 25, 2010 em 8:58

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Escrito por Barba

fevereiro 23, 2010 em 11:27

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nada poderia acontecer

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Lembro-me que , certa vez, nos deparamos com uma embarcação de guerra fundeada ao largo da costa. No local não havia sequer um galpão, mas o navio bombardeava a praia. Constava que os franceses estivessem engajados em uma de suas guerras por ali. A bandeira pendia vacilante como um trapo; as bocas dos longos canhões de seis polegadas projetavam-se ao longo de todo o casco inferior; a marola oleosa e enrolada erguia e baixava o navio, preguiçosamente, balançando os mastros finos. Naquela imensidão vazia de terra, céu e mar, lá estava o navio, incompreensível, disparando contra um continente. Bum! Disparava um dos canhões de seis polegadas; uma chama breve corria e desaparecia, um pouco de fumaça branca logo se dissipava, um projétil diminuto soltava um guincho débil… e nada acontecia. Nada poderia acontecer. Havia no procedimento um toque de insanidade, algo de uma pilhéria lúgubre naquela visão… e que não se desfez quando alguém a bordo me garantiu, falando seriamente, que havia um acampamento de nativos… chamava-os inimigos!… escondido por ali. - Conrad

Escrito por Barba

fevereiro 23, 2010 em 11:25

17:04

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Superficialidade… eis uma benção. “Entre duas explicações possíveis, a mais simples deve ser verdade.” Uma dor se cura com um copo ou um corpo de o-que-você-quiser. Um momento para se entupir, entorpecer e parar de pensar. Antes isso que pensar até parar… esmagado pelo peso do vazio. Drama: qualquer um sabe que se trata disso. Do lado de lá todo e qualquer dilema experimentado aqui parece irrelevante e irreal, desprovido de sentido e vida. A sabedoria do outro aparenta um emaranhado e, mesmo que o seja, é mais forte do que essa. O superficial sempre depende da superfície… espelho não é chão e não pode ser transposto sem algum risco. Não sei o que existe adiante e nem sei se quero saber.

Escrito por Barba

fevereiro 22, 2010 em 17:20

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Sóis Gêmeos

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Escrito por Barba

fevereiro 22, 2010 em 15:00

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o que o fascina e o deixa abalado

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Eu estava pensando nos tempos antigos, quando os romanos chegaram aqui, mil e novecentos anos atrás, ontem… A luz emanava deste rio… Cavaleiros, diriam os senhores? Sim, mas é como fogo correndo na planície, como relâmpago nas nuvens. Vivemos numa centelha…. que ela perdure enquanto a Terra seguir girando! Mas ontem aqui havia trevas. Imaginem o sentimento do comandante de uma bela… como é mesmo o nome?… trirreme, no Mediterrâneo, que, de repente, recebe ordens para tomar o rumo norte, cruzar às pressas as terras dos gauleses, assumir o comando de uma daquelas embarcações que os legionários… que homens habilidosos devem ter sido… construíam, segundo consta, às centenas, em um ou dois meses, se é que podemos acreditar no que lemos. Imaginem tal homem aqui… nos confins do mundo, o mar cor de chumbo, o céu cor de fumaça, num barquinho quase tão firme quanto um acordeon… subindo esse rio, levando consigo suprimentos, ou encomendas, ou seja lá o que for. Bancos de areia, pântanos, florestas, nativos selvagens… pouquíssimo que um homem civilizado pudesse comer, nada para beber, além da água do Tâmisa. Nada de vinho falerno por aqui, nada de desembarcar. Aqui e acolá um acampamento militar perdido na imensidão, qual agulha no palheiro… frio, nevoeiro, tempestades, doenças, exílio e morte… a morte espreitando no ar, na água, na mata. Devem ter morrido aqui como se fossem moscas. Ah, claro… ele conseguiu. Saiu-se bem, sem dúvida, sem parar para pensar muito, a não ser mais tarde, talvez, para se gabar do que fizera no passado. Aqueles eram homens capazes de encarar as trevas. E talvez o animasse o fato de ter em vista uma breve promoção para a frota de Ravena, caso contasse com bons amigos em Roma e sobrevivesse ao clima terrível. Ou imaginem um cidadão jovem e honrado de toga…. quiçá por demais chegado aos dados, os senhores sabem… aqui seguindo algum magistrado ou cobrador de impostos, ou mesmo um comerciante, para tentar a sorte. Desembarca num pântano, marcha através da mata, e, em algum posto avançado, sente que a selvageria, a selvageria total, o cercou… toda aquela vida misteriosa que palpita no ermo da floresta, nas selvas, no coração dos selvagens.  E tampouco existe iniciação a tais mistérios. Ele tem que viver em meio ao incompreensível, que também é detestável. Mas o que também o fascina e o deixa abalado. O fascínio da abominação… os senhores entendem: imaginem os arrependimentos cada vez mais intensos, a vontade de escapar, a inútil repulsa, a capitulação, o ódio. - Conrad

Escrito por Barba

fevereiro 20, 2010 em 21:44

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Calor,  cansaço e uma boa dose de satisfação.

Escrito por Barba

fevereiro 5, 2010 em 19:05

Publicado em ego

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